A RTP anunciou as novidades para a programação no próximo ano e 2017 será um ano de grande investimento na ficção. Daniel Deusdado, diretor de programas na estação pública, destacou a série Ministério do Tempo como uma peça essencial no alinhamento dos próximos meses.

A ficção para nós é absolutamente estruturante”, introduziu. “É aquilo que está a marcar a televisão em toda a Europa.Ministério é uma adaptação do modelo homónimo produzido pela estação espanhola TVE.

António Capelo, que protagoniza o projeto produzido pela Just Up, afirmou estar convencido de que “pode ser uma porta que se abre para a nova ficção nacional”. O realizador Bruno Cerveira acrescentou que a equipa tentou subir o nível de qualidade: “Tentámos competir com a ficção estrangeira.

Ficção num mundo pós-Netflix

Mariana Monteiro interpreta Amélia Carvalho, a primeira mulher portuguesa que estudou na Universidade de Coimbra. A atriz aplaudiu a escolha de “sair do padrão novela” e afirmou ser uma série com um forte registo internacional.

Nomeou a Netflix como exemplo para explicar: “Quero que as pessoas da minha geração vejam e admitam que se pode assistir a um bom produto nosso.” “Só faltava ter legendas para parecer uma série estrangeira”, riu.

(Fotografia: RTP)

Andreia Diniz e Sisley Dias fazem parte do elenco central na série que funde o presente com a História de Portugal.

Séries em prime time 

A aposta na ficção em horário nobre faz também parte da estratégia para a grelha de programas em 2017. Ministério do Tempo é o “projeto âncora”, adianta o diretor de programas, e estreia a 2 de janeiro. A série histórica, com 16 episódios, irá para o ar às 21 horas: logo após o Telejornal. Desta forma, o formato concurso de The Big Picture deixa de ser prioridade nos serões do primeiro canal e será empurrado para o horário das 22 horas. Deusdado defendeu a decisão: em 2017, a RTPnão vai virar a cara aos riscos e quer ir mais além.

O diretor referiu ainda a necessidade de priorizar o alinhamento. Embora a aposta seja na ficção em horário nobre, a série Filha da Lei, por ter uma natureza mais “adulta”, será transmitida às 22 horas. O projeto de Leonel Vieira, criado pela Stopline Films, é uma série criminal sobre uma Inspetora-Chefe e a investigação do caso policial mais importante ocorrido em Portugal nos últimos 20 anos.

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Catarina Furtado foi a anfitriã do espetáculo Príncipes de Nada: Um Por Todos, em 2011, e o mote era homenagear o trabalho de voluntários e Organizações Não Governamentais e a sua ação no campo dos direitos humanos. A gala foi repetida também em 2012, e a veia humanitária continua a fazer parte do código genético da Embaixadora de Boa Vontade das Nações Unidas.

A nova série Príncipes do Nada terá emissão em horário nobre, às quintas, aquele que será o único dia sem transmissão de ficção depois do bloco de informação. A série documental tem o propósito de “mostrar aos portugueses, e a todo o mundo, o trabalho invisível que muitas organizações fazem no terreno.” “Compete-nos a nós estarmos mais empenhados na sociedade civil”, referiu a apresentadora.

Em episódios de 35 minutos, acompanharemos as viagens de Furtado a países de expressão portuguesa, como Timor, S. Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Moçambique. “Eu sou apenas um veículo destas pessoas incríveis”, acrescentou a atriz.

Na RTP cabem todos os géneros.

Depois de termos antecipado a estreia do novo programa Os Extraordinários, trazemos agora mais detalhes. “Nunca vimos nada igual na televisão generalista”, desafiou Sílvia Alberto. O concurso, produzido em colaboração com a Endemol, estreia a 1 de janeiro e terá apenas seis episódios. A intenção é “manter o padrão de qualidade”, explicou Deusdado, e a experiência servirá de teste para uma nova edição em 2018.

No certame, os concorrentes terão que executar tarefas aparentemente impossíveis, de elevado esforço físico e capacidade mental. Sobre o formato, que é uma adaptação do concurso chinês The Brain, Sílvia referiu: “Vamos mostrar o melhor que conseguimos fazer.” Acrescentou ainda que os convidados “não são pessoas especiais, são pessoas comuns como nós”, mas que têm capacidades incríveis.

Em Portugal é possível existirem dois tipos de indústrias: a das novelas e a das séries”, apontou o diretor de conteúdos. “Na RTP cabem todos os géneros”, prosseguiu. Mais séries a estrear são a comédia Sim, Chef, que acompanha um jovem bracarense que vai para Lisboa em busca do sonho de se tornar chef de um restaurante, e a sitcom cheia de estereótipos Feitios.

Retomando a apresentação do Ministério do Tempo, Daniel Deusdado enfatizou as dificuldades em “fazer séries históricas com dinheiro do presente.” Sisley Dias teve pouco a acrescentar: “Só quero agradecer à RTP por apostar num produto diferente.” “Deu muito trabalho e acho que vai surpreender”, comentou.

Na quarta-feira à noite, o segundo episódio da série foi apresentado no cinema São Jorge, perante uma plateia de mais de quatro centenas de alunos do ensino secundário. “Não estamos a falar apenas de uma série. Estamos a falar de um enorme papel que a RTP pode ter no redescobrir da história”, concluiu Deusdado.

O diretor aproveitou para mencionar que os heróis podem ser outros que não Forrest Gump ou as personagens de O Senhor dos Anéis. “Há heróis portugueses que não vão para a tela porque não há dinheiro”, confessou. “É preciso inventar esse dinheiro para os meter na televisão, e é isso que estamos a tentar fazer.