No dia 10 de dezembro foi internacionalmente celebrado o dia dos Direitos Humanos: um tema cuja exploração na 7ª arte tem vindo a crescer exponencialmente de ano para ano. Democratizando pontos de vista díspares e colocando os seus espectadores no meio da acção, o cinema é uma plataforma que consegue, inigualavelmente, abrir mentalidades.

Esses são os filmes que o Espalha-Factos se propõe a celebrar no 5 de hoje: 5 filmes que não nos deixam esquecer dos Direitos Humanos.

Incendies – A Mulher que Canta – 2010 – Denis Villeneuve

 

Baseado na peça homónima de Wajdi Mouawad, que tirou inspirações da Guerra Civil do Líbano e na incrível história real de Souha Bechara, esta poderosa obra de Denis Villeneuve mostra-nos, sem medo, os horrores de uma guerra bem recente. Misturando elementos clássicos da construção narrativa com uma fotografia assustadoramente poética, este é um filme que deixa cicatriz e te faz questionar a liberdade de cada um dentro da sociedade em que está inserido.

América Proibida – 1998 – Tony Kaye

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O meio que envolve a família da personagem principal, interpretada fantasticamente por Edward Norton, impele-o, e mais tarde ao seu irmão, a seguir uma filosofia Neo-Nazi. O filme de Tony Kaye retrata o antes e depois de uma mudança de atitude por parte do protagonista, colocando questões pertinentes sobre fundamentações lógicas baseadas em ódios e suas repercussões.

O Homem Elefante – 1980 – David Lynch

john-hurt-as-vadvavajohn-merrick-in-the-elephant-man-john-hurt-30963010-2560-1673Baseado na história real de Joseph Merrick, um homem com uma deformação extrema que é (ab)usado enquanto aberração de circo, até que a bondade de algumas pessoas o deixam revelar-se como um homem inteligente e sensível. Um dos filmes mais acessíveis de Lynch, este é também o palco para algumas das nuances visuais mais memoráveis dos anos 80 e um estudo direto sobre a discriminação baseada em nada mais que o aspeto físico.

V de Vingança – 2005 – James McTeigue

Acção à la Matrix é o que pontua esta adaptação da novela gráfica de Alan Moore: mas as máquinas contra as quais se lutam são bem diferentes. V (interpretado por Hugo Weaving) é um idealista sem laços de afectividade com o mundo. Retratando a sua luta pela liberdade de um povo que não é o seu, o filme traça paralelismos entre o fascismo, a obra de George Orwell e uma intensa busca de identidade: tanto da nação como do protagonista.

12 Anos Escravo – 2013 – Steve McQueen

 

Dos filmes mais controversos do novo milénio, a obra-prima do realizador britânico divaga até ao coração da América do séc. XIX onde acompanhamos Solomon Northup: um homem livre que, pela sua cor de pele, é enganado e vendido como escravo. Este é o relato real dos próximos 12 anos da sua vida. McQueen sempre foi intransigente ao abordar situações reais (nomeadamente com Fome, que também merecia um lugar nesta lista) de forma a colocar um espelho na cara deformada da humanidade. Esperemos que esta memória de tempos passados chegue para prevenir que volte acontecer.