Caso tenhas estado a viver debaixo de uma pedra, o canal HBO – também responsável por Game of Thrones – lançou em outubro uma nova série intitulada Westworld, criada por Jonathan Nolan e Lisa Joy. Há muito tempo que uma série não andava tanto nas bocas do mundo.

Westworld acompanha um parque de diversões baseado no velho oeste americano, cujos habitantes são robôs criados à semelhança do ser humano – inclusivamente eles próprios acreditam serem humanos. O parque é frequentado por pessoas de elite que estão livres para fazerem o que quiserem dentro dele, sem medo de repercussões.

Por outro lado, a série acompanha a empresa tecnologicamente avançada que criou o parque, liderada por Robert Ford, protagonizado pelo fabuloso Anthony Hopkins. A trama começa quando os robôs se apercebem de que algo de errado se passa no seu mundo e nós damos-te agora oito razões para te convencer a investires o teu tempo na série.

1. O melhor de dois mundos

Hoje em dia, está muito na moda as séries acompanharem duas realidades diferentes, quer seja em termos de tempo ou de espaço. Westworld não é exceção: prende-nos com doses equilibradas do velho oeste, com cowboys e afins, e por outro lado, captura-nos com um cenário fantástico composto por tecnologia altamente avançada.

O velho oeste mostra-nos um mundo de sexo e luta a toda a hora, onde cada robô parece ter algo interessante para oferecer. Do outro lado, acompanhamos a equipa de engenheiros que criou este universo e as suas razões para o terem feito. O mais interessante, contudo, é quando as duas partes se começam a misturar. Personagens que começam a perceber as falhas dos seus sistemas e querem viajar para o lado oposto.

2. O elenco

Westworld reúne um elenco de luxo e bastante variado. Anthony Hopkins é uma das cabeças de cartaz, como o criador do parque e sendo, portanto, uma personificação de Deus. Quais as razões para ele criar humanos que, na verdade, não o são? E porquê oferecer tais criaturas a tão radicais circunstâncias? Hopkins carrega um papel pesado, com motivos vincados e uma personalidade atraente.

Evan Rachel Wood dá vida a Dolores, a primeira criação que se começa a aperceber das falhas da sua existência e que mantém uma ligação amorosa com Teddy, protagonizado por James Marsden. Especial atenção também para Jeffrey Wright, que dá vida a Bernard, o criador principal dos robôs, e para Thandie Newtown, que interpreta Maeve, uma humana artificial que também começa a encontrar erros no seu mundo.

Para uma série com uma temática tão pesada, o elenco fez jus ao desafio e cada episódio é uma autêntica montanha russa de emoções. Outros nomes que compõem a série incluem Ed Harris, Ben Barnes e Angela Sarafyan.

3. A diversidade de personagens

Como já foi referido, Westworld mistura na perfeição seres humanos e outras criaturas que acreditam serem também humanas. A grande questão impõe-se quando alguns dos humanos começam a descobrir que, de facto, não o são, e também quando alguns dos robôs percebem que têm mais potencial do que aquele que aparentam.

No velho oeste, somos apresentados a um conjunto enorme de prostitutas, bandidos ou simples habitantes que querem viver a sua vida em paz. Do outro lado da história, a narrativa divide-se entre aqueles que concordam com a criação de robôs – usando e abusando deles – e aqueles que questionam os motivos pelos quais fazem o que fazem. Como se costuma dizer, há algo para todos os gostos.

4. Os visuais

Como já é habitual na HBO, e à semelhança de Game of Thromes, a série tem um orçamento bastante elevado. Isto possibilita o uso de efeitos fenomenais e a criação de cenários de cortar a respiração. Tanto no velho oeste como na empresa criadora do parque, tudo é feito ao pormenor, com um brilho e uma pureza que dão à série um ar quase divino – tal como é o objetivo da história.

Aplausos também para a sequência de abertura que aparece no início de cada episódio, criada pela empresa de animação Elastic – também responsável pela abertura de Game of Thrones. A sequência apresenta-nos uma mistura extraordinária entre luz e sombra, à medida que acompanhamos as máquinas que criam os robôs. No final, surge a referência ao Homem do Vitrúvio, de Leonardo DaVinci, com o objetivo de mostrar a nudez e a criação do ser que tão presentes estão na série.

5. A banda sonora

A música da série está ao encargo de Ramin Djawadi, o nome por trás da banda sonora de Person of Interest, por exemplo. Já que Westworld se concentra num velho oeste frequentado por robôs, este paradoxo é transmitido pela própria banda sonora, que combina estilos arcaicos com sons futuristas de maneira perfeita.

A grande estrela é o piano, colocado num dos mais famosos bares do parque de diversões e que oferece a música para muitas das cenas. Ao longo dos dez episódios, o instrumento oferece-nos versões lindíssimas de faixas como No Surprises, de Radiohead, Back to Black, de Amy Winehouse, e Paint It Black, de The Rolling Stones, entre muitas outras.

6. As reviravoltas

Cada episódio de Westworld planta sementes de histórias aparentemente separadas que, no final, se unem de forma brilhante. Percebemos que algo está prestes a acontecer logo no primeiro episódio, quando somos informados de que os robôs não fazem mal nem a uma mosca e Dolores, contudo, acaba por matar uma mosca, revelando o primeiro indício de revolta.

A série é uma autêntica caixa de surpresas, brincando com a própria identidade das personagens. Humanos que na verdade são robôs e robôs que querem desesperadamente ser humanos. Para além disso, um mesmo ator ou atriz pode dar vida a mais do que uma personagem, na medida em que um ser artificial pode ser criado à imagem de alguém verdadeiro. Como se lê no texto bíblico, o Homem foi criado à imagem de Deus, e é este exatamente o lema da série.

7. A lição final da história

A grande moral de Westworld está relacionada com o conceito de criador, na medida em que muita gente acredita que o nosso criador é Deus e que muita gente tenta imitar Deus, fazendo as suas próprias criações. Será que temos o direito de brincar com a vida humana? Se os seres artificiais são criados à imagem do Homem, merecem então todas as crueldades a que são expostos? São estas as questões que se levantam.

No último episódio, Anthony Hopkins pega no exemplo da obra A Criação de Adão, de Michelangelo. O protagonista diz que a forma do cérebro humano se esconde por trás da figura de Deus, concluindo que o dom divino não vem de um poder superior mas sim da nossa mente. Este testemunho resume toda a premissa da série, na medida em que a mente e a identidade são aquilo que deram origem a estes seres artificiais, podendo contudo significar a destruição do próprio ser humano.

8. O que está para vir

Atenção para spoilers: Ao longo desta primeira temporada, somos informados de que existe um labirinto secreto no parque, cujo centro esconde um grande segredo. No último episódio, Dolores percebe que o labirinto é uma analogia para a mente humana e que o centro significa a própria consciência. Quando a protagonista recupera as suas memórias e percebe aquilo que realmente é, dá-se início à revolução.

Nenhum sistema é completamente perfeito e isto aplica-se à grande tecnologia criadora destes robôs. Ao tentar imitar a mente humana, os responsáveis esqueceram-se de que esta é composta sobretudo pela imprevisibilidade. No final, Dolores revolta-se contra o seu criador e decide assassinar Robert Ford, à medida que os restantes robôs se unem e começam a espalhar o caos pelo parque inteiro.

Já que tudo o que acontece no parque faz parte de uma “narrativa” criada pelos seus responsáveis, nunca podemos acreditar verdadeiramente na morte de uma personagem, pois esta foi ter sido encenada. Com um elenco tão bom em que qualquer um pode regressar na segunda temporada e com o “robôcalipse” oficialmente instalado, temos todos os motivos para acreditar que a próxima instalação será tão boa ou melhor que esta.

A segunda temporada de Westworld está prevista para inícios de 2018.