A Fraude
Fotografia: Divulgação

‘A Fraude’: Uma viagem pelas teias do crime económico

Os dramas nórdicos voltam à RTP2 hoje às 22h15. A Fraude, série dinamarquesa lançada este ano, não esconde ao que vem: é sobre crime económico e aquilo que acontece enquanto deixamos a ganância e ambição descontrolarem-se.

Quando o corpo de um homem é descoberto junto a um parque eólico, o detective Mads Justesen (Thomas Bo Larsen) é chamado para investigar. Inicialmente, parece só um acidente de trabalho, mas o caso implica alguns dos mais altos quadros da Energreen – uma das mais bem-sucedidas companhias energéticas da Dinamarca.

O CEO da Energreen é o carismático Sander (Nikolaj Lie Kass), que terá Claudia (Natalie Madueño), uma jovem e incansável advogada, a trabalhar para defender os interesses da empresa e avançar na sua própria carreira. Nicky (Esben Smed Jensen), um antigo ladrão de carros, agora mecânico, trabalha na oficina do padrasto e deixou a vida do crime pela namorada. No entanto, o seu novo colega, Bimse (Lucas Hansen), vai convencê-lo a colaborar num esquema de branqueamento de capitais que lhe permitirá obter dinheiro fácil e rápido.

A Fraude é sobre especuladores, burlões e magnatas dos negócios. Um enredo que acompanha os crimes que cometem enquanto caçam dividendos e lucro a qualquer custo.

A nova aposta do canal público promete expor os espetadores ao mundo complexo do crime económico – nos bancos, no mercado de valores ou nas salas fechadas das grandes corporações. É uma descrição pormenorizada da perfídia reinante entre os criminosos que procuram ocultar vestígios dos lucros ilícitos que obtêm. E pinta um retrato realista da dificuldade que as forças policiais têm em conseguir encontrar pistas nos esquemas sofisticados de fuga de capitais.

E tudo o vento lucrou

Na Dinamarca, 42,1% da energia consumida provém da energia eólica, ou seja, do vento. As renováveis dominam o cenário, num país que tem percorrido um caminho firme na redução do consumo de combustíveis fósseis e que até incentiva a população a produzir a sua própria energia com a aquisição, por exemplo, de turbinas eólicas comunitárias.

E esta nova série da RTP2 mostra-nos o lado negro de uma indústria globalmente vista como amiga das economias e do ambiente. E nasce tendo por base notícias e informações que os criadores leram nos meses que se seguiram ao eclodir da crise económica.

Aquilo que nós lemos [depois do início da crise] permitiu-nos conhecer empresas e mais empresas que, basicamente, eram empreitadas criminosas“, afirmou Jeppe Gjervig Gram ao The Guardian.Percebi o quão pouco sabia sobre o nosso sistema financeiro e como ele se tornou parte da nossa sociedade de uma forma tão profunda“.

Jeppe é um nome já conhecido dos fãs de séries escandinavas depois de ter assinado Borgen, drama político de sucesso internacional estreado em 2015 pela RTP2. E se Borgen surgiu por achar que a política era um tema demasiado importante para continuar inexplorado, algo semelhante acontece desta vez.

Senti que tinha de fazer o mesmo em relação ao mundo do dinheiro. Eu tinha de contar esta história porque a crise económica quase virou o mundo do avesso há cinco anos atrás e ainda sinto que estamos a suster a respiração enquanto aguardamos que a próxima bolha rebente e o próximo tsunami económico chegue“, explicou o autor.

“Se eu fosse vigarista, queria estar nas renováveis”

Se eu fosse um vigarista, se estivesse determinado em cometer fraude, eu ia estar nas energias renováveis. Eles, na Energreen, parecem ser os bons da fita. Se quiseres enganar alguém para te dar muito dinheiro, tu tens de lhe dar alguma coisa na qual acreditem mesmo – tens de lhe prometer o futuro“, resumiu o autor de A Fraude.

Bo Larsen, que interpreta o inspetor Mads, assinou contrato para dois anos e admitiu que a temática da série foi um dos fatores que o motivou a assumir este compromisso. “A última crise teve um impacto tão profundo na nossa economia, em especial no mercado imobiliário (…) Temos de ser mais cuidadosos. Todos tememos o que outra crise faria à nossa sociedade, e ela parece possível.“.

E é este medo, o anátema da iminente colisão entre especulação e realidade, que orienta a série – “Depois da crise financeira, houve muita gente culpada na alta finança. Mas a crise na Dinamarca não foi só culpa de Wall Street ou dos banqueiros em Copenhaga“, defendeu Jeppe Gjervig Gram.

Por mais que, na Dinamarca, as pessoas queiram culpar Wall Street e não olhar para si próprias, havia muita ganância a reinar na nossa sociedade. Os valores das casas aumentaram dramaticamente. As pessoas ficaram ricas só por terem um apartamento. Ninguém questionou, só se autoconvenceram de que mereciam aquilo. Isso é ganância. E é sobre isso que A Fraude nos fala“, apontou o argumentista.

Além disso, prometeu: “esta é uma história sobre nós, seres humanos – os ricos, os pobres, os gananciosos, os fraudulentos, os ladrões – aqueles que irão a qualquer lado para construir a vida com que sempre sonharam“. Para conferir, de segunda a sexta-feira, no horário nobre da RTP2.

Zeen is a next generation WordPress theme. It’s powerful, beautifully designed and comes with everything you need to engage your visitors and increase conversions.

Mais Artigos
Carolina Carvalho como Otávio Paiva Monteiro. A Generala
‘A Generala’. Fica a saber quando saem os próximos episódios