Este episódio de Supergirl devia marcar o início do grande crossover de super-heróis da CW. Porém, Medusa esteve longe de fazer jus às expectativas. Supergirl tem estado imbatível neste início de temporada, mas a verdade é que esta semana fugiu um pouco à regra.

Tendo em conta que foi o winter finale da série, devo confessar que estava à espera de muito mais e de muito melhor.

Fórmula demasiado vista

A relação entre Mon-El (Chris Wood) e Kara (Melissa Benoist) pouco a pouco está a começar a desenvolver-se. Desta vez vemos o extraterrestre, que parece não perceber nada sobre os costumes terrestres, a fazer uma coisa super mundana: tentar impressionar a mãe da rapariga de quem gosta.

Kara parece não ter a mínima noção dos sentimentos do rapaz, até que a sua mãe adotiva a faz ver as coisas com maior clareza. Sem papas na língua confronta-o com os seus sentimentos, mas Mon-El tenta demonstrar que não sente nada por ela.

É apenas quando Mon-El se encontra em perigo de vida, ameaçado pelo lançamento do vírus com o qual Medusa pretende exterminar os aliens, que as coisas parecem aquecer. Os dois dão um beijo, como se fosse a última oportunidade que teriam para o fazer.

Como se este clichê não bastasse, eis que vem outro ainda pior… Mon-El recupera, e os dois fingem que não se lembram do tal beijo e seguem o seu caminho. Percebo que os criadores de Supergirl gostem de mostrar que Kara é independente, e não fazer da série uma espécie de romance, mas há situações em que adiar (ainda por cima desta forma tão batida!) é o pior remédio.

Entretanto ficámos a saber que Mon-El é procurado por uma instância intergaláctica e o desenvolvimento poderá ajudar Supergirl a levantar-se do buraco onde caiu esta semana.

CADMUS desmascarada

O objetivo continua o mesmo: destruir todos os extraterrestres. Para o fazer usam o vírus Medusa, que, tal como ficamos a saber, foi criado pelo pai de Kara ainda em Krypton para os proteger de uma ameaça externa.

Cyborg Superman (David Harewood) fica encarregue de o espalhar no famoso bar onde as nossas personagens preferidas parecem passar cada vez mais tempo, o que causa um enorme número de mortos.

Kara decide então confrontar Lena Luthor (Katie McGrath) com o facto de ser a sua mãe quem está à frente da CADMUS. Lena revela-lhe enquanto Kara que nem sempre as duas tiveram uma relação fácil, mas enquanto Supergirl recusa-se a admitir o envolvimento da mãe na associação e as duas têm uma discussão.

Mais tarde, Lena diz à mãe que pode contar consigo para se juntar à causa e é aí que começam os problemas… A família Luthor nunca teve fama de ser muito leal, e Lena parece ter mudado de lado da barricada. Oferece-se para ajudar a sua mãe a lançar um míssil que contém vírus suficiente para matar todos os aliens e aí temos outro grande cliché.

A personagem que inicialmente pensámos ser má e que se revelou boa, está afinal do lado dos vilões efetivamente… Ah, não! Afinal era um esquema e continua a ser boazinha. Não funcionou, foi demasiado previsível, e a personagem merecia outra volta.

Tudo terminou bem, com a líder da CADMUS presa. Porém Cyborg Superman continua à solta – e quando Kara chegou só para dizer uma catchphrase? -, pronto a dar problemas aos Superfriends. Resta saber para onde foi e como funcionará a organização agora.

Vírus com características bastante convenientes

Depois de descoberta a cura para Medusa, que chegou mesmo a tempo de salvar Mon-El, os Superfriends, ou melhor, a mãe de Kara e Alex (Chyler Leigh), consegue solucionar outro problema: o estado de J’onn (David Harewood).

Aparentemente o vírus tem uma particularidade que lhe permite reverter o processo de transformação em White Martian pelo qual J’onn estava a passar. Isto foi despachado em menos de nada e eu fiquei chocada. Esta tinha sido uma das minhas linhas narrativas preferidas até agora e foi descartada com uma facilidade tão grande e de forma tão leviana que ainda não acredito que aconteceu. Pareceu que serviu apenas para dar um remate de final feliz ao episódio, e foi mal conseguido na minha opinião.

Uma coisa que me chamou à atenção, negativamente também, foi o facto de ser possível fazer tanta coisa com o vírus Medusa, mas de não se terem lembrado de arranjar forma de os habitantes de Krypton serem afetados por este. Tendo em conta o ódio da matriarca dos Luthor em relação a esta raça, foi algo que de facto faltou e que merecia pelo menos uma justificação.

Crossover? Onde?

Anunciado como um dos maiores eventos do ano na televisão, o crossover que abrange quatro séries da CW, era algo que se esperava ser em grande. Em Supergirl este resumiu-se a nem um minuto, em que Barry (Grant Gustin) e Cisco (Carlos Valdes) vão até a este universo pedir ajuda a Kara. E pronto, o episódio termina.

Tenho perfeita noção da dificuldade em pôr personagens de universos diferentes a conviver, mas se era para fazer, que o fizessem bem. Soube a (muito) pouco e já houve aparições de personagens de Arrow em Flash e vice-versa que, mesmo sem estarem em contexto de crossover, foram mais pertinentes.