Numa pequena conversa com o Espalha-Factos, Luísa Sobral abordou temas como o processo criativo do recentemente editado Luísa, a sua carreira musical e a futura agenda de espetáculos.

Espalha-Factos: Luísa é o teu quarto registo em estúdio, gravado nos United Recording Studios, em Los Angeles, e editado no dia 18 de novembro. Consideras este disco um trabalho essencialmente autobiográfico ou transcende essa dimensão?

Luísa Sobral: Sim, é um trabalho bastante autobiográfico e que está cheio de coisas sobre mim.

EF: À semelhança de The Cherry On My Cake e There’s a Flower In My Bedroom retomaste a aposta em temas alternadamente interpretados em português e inglês. Algo motivou essa mistura?

LS: Não. Normalmente, não penso muito se vou cantar em português ou em inglês. Escrevo as canções nas línguas que me apetece na altura e depois coloco-as no disco. Ambas as línguas fazem sentido para mim. Sou portuguesa, mas também vivi muitos anos nos Estados Unidos.

EF: O sucessor de Lu-Pu-I-Pi-Sa-Pa contou com a produção do aclamado Joe Henry, detentor de três Grammy Awards. Como se proporcionou essa colaboração?

LS: Eu estava à procura de alguém para produzir este disco, alguém que trouxesse um som diferente à minha música. O meu manager já conhecia bem a música do Joe e apresentou-me a música dele. Quando ouvi pensei que seria um bom casamento, porque o Joe tem um lado mais cru e um bocadinho mais negro. Acho que isso fazia falta à minha música e que ia casar bem com o meu lado mais bonitinho e cor-de-rosa. Contactamos o manager dele e enviamos algumas canções minhas de outros discos. Ele demonstrou interesse e começamos a trabalhar, cada um no seu país.

EF: Além dessa colaboração, tiveste a participação de nomes como Marc Ribot, Jay Bellerose e Patrick Warren. O resultado final correspondeu às expectativas?

LS: Acho que o resultado final superou as minhas expectativas. Sabia que iria gravar com grandes músicos, mas nunca tinha gravado desta maneira. Então, estava assim um bocadinho assustada. Nunca achei que fosse correr mal, mas estava assustada. Estou habituada a ter tudo muito organizado e também foi um pouco assustador chegar a um país sem nada, entrar num estúdio e começar a gravar com músicos com quem nunca tinha tocado. Por isso, não é que eu estivesse com as expectativas em baixo, claro que não, mas superou de facto as expectativas.

EF: Elegeste My Man como o primeiro single deste álbum. Porquê?

LS: É uma canção que gosto muito e penso que é um exemplo do disco. Dá bem uma imagem daquilo que é o resto do disco e mostra também uma diferença relativamente aos outros discos.

EF: É notória a presença de uma sonoridade voltada para a folk e os blues. Quais foram as tuas principais fontes de inspiração?

LS: Quando compus estava a ouvir muito Tom Waits, Joni Mitchell e também Benjamin Clementine. Estava a ouvir muito mais folk e acho que acabou por ser isso, se calhar, que influenciou as minhas composições também.

EF: Recentemente ocorreu o nascimento do teu filho José. Veio trazer outra alma à tua música? Acreditas que este papel maternal irá condicionar o teu trabalho futuramente?

LS: Quando compus ainda não estava grávida e depois, quando gravei, estava grávida de três meses. Por isso, acho que não posso dizer se efetivamente influenciou ou não, porque teria de gravar exatamente o mesmo disco estando grávida para perceber, mas talvez. Estava mais sensível. Quanto a condicionar, acho que não, de todo. Não seria a primeira mãe a trabalhar e, acima de tudo, até acho que tenho bastante sorte no trabalho que tenho. Por exemplo, no dia de hoje tenho duas entrevistas por telefone, estando o dia todo com o meu filho. A maior parte das mães não pode fazer isto nesta altura. Acabo por conseguir dar muito mais ao filho do que se tivesse um trabalho das 9 às 17h.

EF: Pouco tempo após uma participação de sucesso no programa Ídolos, partiste rumo aos Estados Unidos para realizares a tua formação académica. Esse foi o passo mais determinante para triunfares neste ramo?

LS: Acho que sim. Foi bastante determinante porque fui para os Estados Unidos, primeiro, para fazer o 12.º ano e depois fui estudar música. Foi muito importante para mim estudar e procurar a minha identidade musical.

EF: A verdade é que nunca te chegaste a despedir definitivamente deste país. O que te fez voltar?

LS: Foi a proposta de gravar o disco. Eu tinha pensado ficar a viver em Nova Iorque, mas depois recebi uma proposta da Universal para gravar o meu primeiro disco em Portugal e decidi aceitar porque pensei “ainda não consegui tocar as minhas músicas em lado nenhum sem ser em restaurantes onde as pessoas não estão a ouvir”. Portanto, decidi experimentar voltar para o meu país, começar a carreira cá e depois, a partir daí, dar um passo internacional.

EF: Podes revelar-nos a tua agenda de espetáculos para os próximos meses?

LS: Posso dizer dois e dentro de pouco tempo vamos já abrir as outras datas. Dia 1 de fevereiro vamos ter um concerto em Lisboa, no Tivoli, e dia 8 no Porto, na Casa da Música.