Supergirl 2×07: As aparências iludem

The Darkest Place foi um episódio em que a cada momento houve uma nova revelação, pondo todos os acontecimentos de Supergirl em perspetiva. Nenhuma personagem passou ilesa às descobertas feitas nesta semana, que com certeza irão influenciar o rumo de toda a segunda temporada da série.

Problemas marcianos nunca pareceram tão terrestres

J’onn (David Harewood), depois de receber a transfusão sanguínea de M’ann (Sharon Leal), começa a ter alucinações com o seu passado, o que o leva a pedir a Alex (Chyler Leigh) que analise o seu sangue. É aí que descobre que tem sangue de White Martian e confronta de imediato M’ann.

Esta revela-lhe a sua verdadeira identidade, e os dois entram numa luta quase até à morte. J’onn quer vingança para o seu povo e para a sua família, mas M’ann diz-lhe que se arrependeu todos os dias do que teve que fazer, e que se ele a quiser matar que o faça enquanto ela está na sua forma humana. O facto de a ver mais humana e menos monstro leva-o a poupar-lhe a vida e somente a prendê-la. Já dentro da DEO, M’ann revela-lhe que a sua mutação para White Martian é algo inevitável e que as alucinações são só o início do processo.

Aquela que podia ser a revelação mais chocante do episódio, acabou por ficar relegada para terceiro ou quarto plano com tudo o que aconteceu em The Darkest Place. Porém, esta linha narrativa vai dar pano para mangas, e a forma como estão a explorar o facto de se ver um extraterrestre considerado como um dos vilões a tentar ir contra a sua própria natureza está a ser explorado maneira bastante comovente e, sobretudo, bastante humana.

Identidade de James em perigo

James (Mehcad Brooks), agora no papel de Guardião, vê-se em perigo depois de um vídeo mostrar aquilo que parece ser ele a matar alguém. Isto leva-o a ter que defender as ações do Guardião perante os seus amigos e na sua própria revista, quando na verdade as mortes eram obra de Phillip Karnowsky (Victor Zinck Jr.), um ex-marine à procura de justiça pela morte da sua mulher.

Karnowsky foi um vilão bastante fraco, mas no episódio em questão, fez sentido que assim o fosse. Não roubou protagonismo à trama principal da série, mas conseguiu intercalar-se bem com esta, dando espaço a personagens de Supergirl que de outra forma não teriam sido mais do que acessórios esta semana. No meio destes confrontos, James quase que é preso, mas tudo se consegue resolver devido à ajuda de Winn (Jeremy Jordan) e de Alex, que através de algumas ameaças consegue arrancar a verdade a Winn. O Guardião parece ter conquistado toda a gente, menos Kara  (Melissa Benoist), a nossa Supergirl, ainda que no final do episódio já pareça mais recetiva à sua presença.

A dupla identidade de James foi a forma dos produtores da série de darem algum tipo de propósito à personagem. Porém, as cenas dentro da CatCo são cada vez menos e eu só me consigo perguntar como é que tem tempo para tudo estando à frente do poderoso grupo mediático.

Gostaria sem dúvida alguma de ver esta dúvida esclarecida porque o facto de algumas personagens trabalharem lá está a ser cada vez mais secundário, e esta dicotomia entre vida civil e vida de super-herói é algo que está na essência da série.

Cadmus no centro da ação

O universo televisivo da DC Comics é pautado por um arrastamento excessivo até ao encontro da personagem principal com o vilão principal. Graças a Deus que existe Supergirl para mudar este paradigma. Após raptarem Mon-El (Chris Wood) no final do episódio da semana passada, Cadmus veio para causar muitos mais danos.

Através de algumas provocações que tão bem caracterizam Mon-El, este consegue escapar à organização. Ou melhor, teria conseguido, ou não fosse a ameaça de que ao fazê-lo matariam o seu amigo J’onn. Mais tarde sabemos que este é o verdadeiro Hank Henshaw, quando tenta matar Kara em nome da usurpação que os aliens estão a fazer à Terra.

Não demora muito até vermos que na verdade este é o Cyborg Superman. Foi demasiada mudança repentina para o meu pobre coração, mas achei brilhante como o fizeram. Não esperava que Cyborg Superman tivesse esta aparência, nem tão pouco todas estas reviravoltas que prometem dar trabalho a David Harewood, agora que tem duas personagens que interpretar. Cadmus consegue trazer Supergirl até à sua sede para resgatar Mon-El, e é ao ameaçarem tirarem-lhe a vida que esta aceita submeter-se a alguns testes e a tirarem-lhe sangue. Apesar de ter conseguido salvar a vida do amigo, deu-lhes acesso à Fortaleza da Solidão pois, com o seu sangue, Cyborg Superman infiltrou-se no esconderijo do primo da jovem heroína. O objetivo é saber tudo sobre o programa Medusa, que dá nome ao episódio da próxima semana.

Parece-me que não deve tardar muito até que Tyler Hoechlin faça outra visita…

Dei crédito a Supergirl por ter salvado Mon-El, mas a verdade é que sem a ajuda do seu pai adotivo nada teria sido possível. Sim, do seu pai adotivo, que apareceu para a salvar. Apesar desta revelação me ter deixado arrebatada, devo dizer que foi dada tão pouca atenção ao facto de este estar vivo neste início de temporada que já me tinha esquecido disso. Isto só demonstra que Supergirl tem muito por onde explorar ainda, e que sabe quando e como usar todos os seus trunfos. Esta foi uma jogada de mestre, mas penso que após não terem consigo encontrá-lo, Kara e Alex devem fazer mais por isso.

Vidas amorosas das irmãs Denver

Alex está cada vez mais assertiva no que toca à sua vida amorosa, e confronta Maggie Sawyer (Floriana Lima) em relação à rejeição desta. São neste momento o meu casal preferido da série, e espero que apesar de toda a dor que Alex mostrou neste episódio, após o discurso de Maggie, esteja pronta a perdoá-la. Kara, depois de ter descartado todas as hipóteses de uma relação com James, parece que tem outro pretendente. O interesse de Mon-El por ela estava mais do que evidente, mas as derradeiras pistas foram deixadas no final do episódio através da forma como olhou para ela.

Mon-El é divertido (a referência a Beyoncé matou-me!) e parece ser exatamente aquilo que Kara precisa para deixar de ser tão certinha. Gosto mais deste casal do que alguma vez gostei de ver Kara com James e acho que os dois vão dar azo a momentos super constrangedores e com o carácter cómico e terno que caracteriza a série. The Darkest Place foi um dos meus episódios preferidos da temporada. Conseguiu surpreender, emocionar, e levou a refletir todas as temáticas que tem apresentado. Abriu ainda espaço a muitos desenvolvimentos interessantes mantendo-se sempre fiel a si mesma.

NOTA FINAL: 9/10
Mais Artigos
SIC Jornal da Noite
Audiências. ‘Jornal das 8’ cresce e ameaça líder ‘Jornal da Noite’