Chegámos finalmente ao final da sexta temporada de American Horror Story e podemos dizer que o desfecho foi, no mínimo… explosivo. O décimo capítulo de Roanoke, que estreou no canal FX no dia 16 de novembro, prendou-nos com o final da jornada de Lee (Adina Porter) e com muitos regressos inesperados.

Abrimos com uma cena no Paley Fest, organizado em Los Angeles em Março de 2015 e apresentado pela famosa drag queen Trixie Mattel, na qual todo o elenco é reunido para celebrar o sucesso de My Roanoke Nightmare. Todas as temporadas da série costumam arranjar maneira de reunir o elenco no último episódio e esta não foi exceção.

Entre as novidades, descobrimos que a personagem de Denis O’Hare se chama William van Henderson – tendo dado vida ao Dr. Elias Cunnigham no início da temporada – e que Leslie Jordan dá vida a Ashley Gilbert – tendo protagonizado o adorável Cricket nos primeiros episódios. O elenco é entrevistado e recebe presentes dos fãs, sem sequer sonharem que em breve estariam quase todos mortos.american-horror-story-roanoke-finale-recap

De volta a 2016, a série Crack’d acompanha a história de Lee, desde que conheceu o seu marido, passando pelo casamento e respetivo divórcio, até aos acontecimentos horrendos dentro da casa de Roanoke. Lee está em tribunal pelos diversos homicídios que cometeu, nomeadamente do seu marido, de Monet (Angela Bessett) e de alguns membros da família Polk.

A testemunha crucial é, nada mais nada menos, a sua filha Flora, a qual, como sabemos, esteve muito tempo escondida no meio da floresta e assistiu ao homicídio do seu próprio pai. A advogada de defesa, contudo, sublinha que Lee fora horrivelmente torturada e estava sob o efeito de variadas drogas. Tudo o que a protagonista fez foi de forma inconsciente ou por simples proteção.

Passamos agora para a mais recente edição de The Lana Winters Special, onde assistimos ao regresso da personagem de Sarah Paulson da segunda temporada, na qual ela entrevista Lee, que acabou por sair em liberdade do julgamento. Esta foi uma ideia brilhante por parte dos criadores, já que Lana e Lee têm muito em comum: duas mulheres que foram vítimas de acontecimentos horrendos e conseguiram sobreviver, com o único objetivo de vir cá para fora e limpar o seu nome.

Lee continua a dizer que apenas quer recuperar a custódia da sua filha e, no meio da entrevista, Lana informa-a de que Flora está desaparecida há uma hora. O verdadeiro pânico instala-se, contudo, quando um membro sobrevivente da família Polk entra em cena com uma metralhadora. Lana acaba por ficar inconsciente e Lee consegue escapar do terror.mv5bnthlmjy4owqtmdc0mc00oddkltk4ogitmzy2yjmzmdrjnwq4l2ltywdll2ltywdlxkeyxkfqcgdeqxvynjm1mdm3nty-_v1_

Sarah Paulson continua a surpreender os fãs a cada segundo. Em apenas dez episódios, a atriz interpretou Shelby, dominada pelo medo e vulnerabilidade; Audrey, caracterizada pelo seu alívio cómico e pela sua postura séria; e finalmente Lana, uma sobrevivente com uma garra invejável. Paulson é um tesouro e um dos grandes pilares que sustentam a série.

Chegamos então ao excerto de Spirit Chasers, na qual três jovens investigadores do sobrenatural decidem aventurar-se pela casa de Roanoke, a qual foi entretanto fechada pela polícia. O trio vai acompanhado de Ashley e dentro da casa dá de caras com Lee, que tem estado há duas semanas à procura da filha e acredita que ela possa estar ali escondida.

Por esta altura já todos deviam saber os perigos da casa e mesmo assim fazem questão de voltar a pôr lá os pés. As ameaças não tardam a chegar e estamos novamente perante o Piggy Man, as enfermeiras assassinadas, a tribo e muito mais, que assassinam Ashley, os três jovens e até membros das autoridades que chegaram entretanto ao recinto. Depois não venham dizer que ninguém vos avisou.ahs

Lee, contudo, encontra efetivamente Flora, mas a criança diz que nunca será capaz de perdoar a mãe pelo assassínio do pai. Para além disso, a menina diz que quer continuar na casa para tomar conta da sua amiga fantasma, Priscilla. O amor de mãe fala mais alto e Lee propõe um acordo: ela sacrificar-se-á, ficará na casa enquanto espírito para tomar conta de Priscilla e Flora poderá viver a sua vida normal no mundo lá fora, visitando-as de vez em quando.

Flora despede-se da mãe e da amiga, à medida que Lee pega fogo à casa. Se analisarmos a temporada como um todo, este final faz sentido: uma das grandes histórias sempre foi a relação entre Lee e a filha e o esforço que a protagonista fazia para recuperar o amor da mesma. Todas as suas más ações foram graças aos horrores vividos dentro da casa e, no final, Lee aceitou o seu desfecho, se tal garantisse ter o apreço de Flora de volta.

Embora as personagens desta temporada tenham sido pouco complexas e a narrativa vivesse essencialmente de sustos e mortes violentas, a construção dos dez episódios foi o que fez desta sexta instalação uma das coisas mais inovadoras da televisão americana recentemente. Roanoke foi uma caricatura da própria televisão, questionando o próprio conceito de série e desafiando este elenco maravilhoso de uma forma que poucas séries conseguem fazer. Quer tenham gostado da temporada ou não, é impossível negar que Roanoke foi uma lufada de ar fresco para American Horror Story e para a televisão em geral.

NOTA: 9/10