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Beatriz Ferreira

Web Summit: o admirável mundo da tecnologia

Depois da sessão de abertura na passada segunda-feira, a Web Summit arrancou na manhã gélida de terça-feira e o caos previsível começou a notar-se ainda antes de chegarmos ao recinto. Apesar do reforço na rede de transportes prometido pelas empresas responsáveis, o Metropolitano de Lisboa – que já por si costuma ter problemas – não conseguiu responder às necessidades do evento, anteriormente realizado na Irlanda, gerando confusão em estações da linha vermelha como Saldanha ou Alameda.

 

 

As imagens do caos que se instaurou na rede de Metro lisboeta rapidamente foram partilhadas pelas redes sociais através dos passageiros regulares deste meio de transporte, que assim mostraram a sua revolta perante toda a situação. Como resposta, o Metropolitano de Lisboa já informou que a estação de Arroios se encontrará fechada até ao encerramento da Web Summit de modo a possibilitar a utilização de seis carruagens na linha verde.

Pisamos o recinto do evento e desde logo percebemos que também ele está cheio e que as previsões das mais de 50 mil pessoas que estariam presentes não era exageradas. Na FIL, já milhares de curiosos passeavam pelos stands das empresas em busca de uma oportunidade ou talvez de um café grátis. Talvez devido a esta quantidade absurda de pessoas, o wi-fi teimava em falhar, o que obrigou regularmente ao recurso dos dados móveis – irónico, visto ter sido essa uma das razões da mobilidade do evento da Irlanda para Portugal.

Para além disto, eram notórias diversas falhas de organização por parte do evento: locais longe de estar cheios eram dados como interditos sob pretexto de se encontrarem completamente ocupados, dificuldade em ouvir diversas sessões e queixas gerais por parte dos detentores de bilhete diário foram algumas das situações que os presentes lamentam.

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Centremos agora a nossa atenção para os aspectos positivos deste dia. Para além da presença de importantes figuras do mundo do futebol (como Luís Figo e Ronaldinho) e da atriz Shailene Woodley, o Espalha-Factos destaca quatro das sessões deste arranque da Web Summit:

Is the internet making us more stupider?

Apresentada pelo humorista britânico David Schneider, esta sessão propôs-se a mostrar à audiência que a internet deve ser vista como duas faces da mesma moeda: apesar de levar a situações de alguma estupidez, obsessão e dependência, a mesma é também um motor de novas formas de obter conhecimento e informação, servindo também para aproximar pessoas e criar comunidades.

“You will not succeed: The power of Perseverance

Brian Norton introduziu o conceito de “Wilderness” – zona em que qualquer empreendedor se encontra quando sozinho e sem apoios tenta realizar a sua ideia. Apresentando cinco factos sobre este conceito (Novas coisas são difíceis de realizar; Tudo o que é antigo já foi novo; Devemos sempre acreditar; Confusão é normal; Nunca saímos completamente deste estado de Wilderness – e o desafio é esse), o CEO da Future Finance mostrou ser um orador cativante e deu esperança a todos aqueles que pretendem começar o seu negócio.

“Bots: what are they good for?”

Foram poucos os que não levantaram o braço à pergunta de Loic Le Mer, CEO da Leade.rs: “Quem aqui usa o Facebook Messenger?”. “Bem, isto deve fazer-te sentir satisfeito”, disse depois, dirigindo-se a David Marcus, uma das mentes por detrás da funcionalidade da rede social.

Não é preciso andar pela Web Summit para se perceber que o futuro passa por robôs e mais robôs – mesmo nos chats. Os “chatbots” vieram para ficar e o Facebook quer estar na dianteira do fenómeno. Por isso mesmo, Marcus anunciou estar já a ser desenvolvida uma nova plataforma Messenger que permitirá às empresas interagirem por mensagem com os seus clientes, dando um novo passo a um atendimento personalizado – mas tal só acontece por iniciativa do consumidor, frisa. “Portanto, queres substituir o email”, provocou Le Mer. “As chamadas de voz estão a decrescer, as mensagens a aumentar”, respondeu Marcus, admitindo querer trocar os emails e as chamadas telefónicas entre as marcas e o consumidor pelo Messenger.

Por testar está agora um novo modelo do Messenger que permita criar grupos de conversação com base em temas.

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“What place do ethics and values have in technology?”

Neste diálogo moderado por Laurie Segall e que contou com a participação de Jon Lonsdale, Darian Shirazi, Joe Green e Tristan Harris foram abordadas diversas temáticas: se as empresas estão a programar os seus produtos para facilitar a organização do tempo dos seus clientes ou se, pelo contrário, para prenderem o cliente durante o máximo de tempo possível no produto; a necessidade da filosofia no pensar de um produto; o ponto cego de redes sociais (como o Facebook): estas acabam por levar a divisões nas suas comunidades devido à forma como são utilizadas; o Twitter como uma das plataformas que necessita de uma “aula de ética” devido ao seu uso de bots para influenciar a opinião dos seus utilizadores.

Após toda a conversa, a sessão acabou com um olhar optimista para o futuro, mas com o alerta para a atual hesitação em resolver grandes problemas.

Futebol, comédia, inteligência artificial e ética na tecnologia andaram de mãos dadas com robôs a servir cafés e filas (muitas filas) neste primeiro dia do Web Summit. Mais de 50 mil pessoas marcam presença nesta edição de uma das maiores feiras de base tecnológica da Europa.

 

Texto de Beatriz Ferreira e Rui Pereira.

 

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