O Astrágalo, de Anne-Caroline Pandolfo e Terkel Risbjerg, já estás bancas, numa edição em capa mole publicada pela G. Floy Studios. Trata-se da adaptação para novela gráfica de um romance que, lançado em 1965, fez descobrir a milhares de leitores o destino de uma jovem escandalosamente livre na França antes de maio de 68.

A obra original de Albertine Sarrazin revelou-se um sucesso, escrita através da mestria da língua francesa e de verdadeiros achados poéticos que se misturam com o calão francês típico de Paris, sob o signo de uma liberdade audaciosa, tónica e cheia de humor. Foi o primeiro volume de uma autobiografia que continuou em La Cavale e, mais tarde, em La Traversière. Em 1967, no ano em que saiu o seu terceiro romance, Albertine morreria numa mesa de operações. Ainda não tinha 30 anos.

Pandolfo, ilustradora e argumentista, e Risbjerg, artista de animação, trabalham juntos há alguns anos em adaptações de banda desenhada de livros distintos. A novela gráfica O Astrágalo é uma das suas assinaturas.

“Anne tem 19 anos, e parte um osso do tornozelo chamado astrágalo, ao saltar a parede da prisão onde está presa por assalto. Salva por Julien, um ladrão como ela, Anne irá esconder-se, sofrer, rebelar-se, voltar a fugir, tanto faz, está loucamente apaixonada por Julien. Estavam em fuga, são jovens e bonitos, são livres e totalmente, furiosamente selvagens… E a sociedade autoritária do pós-guerra da França vai fazer-lhes pagar o preço dessa liberdade.”

No prefácio, Jean-Jacques Pauvert conta que leu um artigo de Jacques Senelier que contava a história violenta de duas adolescentes, de 16 e 18 anos, que fugiram de uma casa de correção. Uns dias mais tarde, assaltaram uma loja e uma delas, em pânico, acaba por ferir a proprietária do estabelecimento com um tiro de pistola. Depois de fugirem novamente, acabam por ser capturadas e a mais nova, Anne-Marie, a futura Albertine Sarrazin, declara ao juíz: “Não tive tempo de me arrepender, mas se um dia o fizer, não me esquecerei de o informar logo.” Senelier afirma, então, que é nessas duas figuras de mulheres perdidas que se condensa a imagem fulgurante das verdadeiras aspirações do seu tempo.

O Astrágalo, de 224 páginas a preto e branco, está à venda por 13,99€, na Europresse com uma promoção de 10% na Fnac.