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Web Summit: um mar de gente (e confetti) e uma falha de Wi-fi

A internet estava em alvoroço desde a manhã desta segunda-feira (ou talvez desde há uns bons dias). Os tweets multiplicavam-se em retweets e a Web Summit já era trending topic. Diretamente de Dublin, a Web Summit fez um voo rasante em Lisboa e aterrou no Parque das Nações, zona onde decorre aquele que é maior evento de empreendedorismo da Europa.  Horas antes de começar, a azáfama era mais que visível e o ambiente traduzia-se na partilha e troca de conhecimentos.  CEO’s, empreendedores, investidores, apresentavam-se entre si e a entusiastas que por ali andavam – começavam a surgir os primeiros contactos e a troca de cartões. Networking is the new black. 

A magia ia acontecer dentro do Meo Arena (e fora dele também, já vias perceber). A fila para entrar começou a formar-se pouco tempo depois da hora do almoço e pelas 17h chegava quase ao centro comercial Vasco da Gama. Demorou, mas conseguimos entrar. A excitação, semelhante à de um dos tantos concertos que já passaram por aquela sala de espetáculos, também se fazia sentir no interior. O público de inúmeras nacionalidades, vindos das mais diversas áreas profissionais, estava empolgado: do movimento da onda ao marcar presença com a lanterna do telemóvel, a ansiedade de quem espera atingia os píncaros. Finalmente, os aplausos. Ia começar.

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Eram 18:30h quando o presidente executivo e fundador da Web Summit, Paddy Cosgrave, subiu ao palco. Mas, o que mais se temia efectivamente aconteceu. O empresário tentou mostrar o streaming em direto do evento, mas o wi-fi falhou e a missão, que no final foi recuperada com sucesso, foi abortada. Convidou António Costa a juntar-se. O primeiro ministro, falando em inglês, deu as boas vindas. “You are always welcome, bem vindos a Lisboa”. Costa anunciou também o lançamento de um programa do Estado de apoio ao investimento no valor de 200 milhões de euros.

Agilmente, Cosgrave guiou a conversa e anunciou a seguinte “New Realities”. Durão Barroso, recebido entre vaias e aplausos surgiu em palco acompanhado de figuras internacionais. O debate centrou-se no ceticismo cada vez maior em relação às economias e sociedades abertas e em como lidar com os desafios que estas nos colocam. A mensagem foi unânime, não há respostas fáceis a problemas complexos e a Europa deve manter-se fiel aos seus princípios.

Talvez o momento mais efusivo da noite tenha sido o que se seguiu, o anúncio de Joseph Gordon-Levitt. O ator e empreendedor norte-americano foi aplaudido tanto no interior como pelas três a quatro mil pessoas que gelavam do lado de fora, aborrecidas por não terem conseguido entrar. O ator falou da sua ligação desde jovem à tecnologia e do seu projeto hitRECord, que pretende criar uma comunidade online com um espírito colaborativo. Segundo o ator, para contrariar o espírito narcisista atual da internet.

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Também houve espaço para enaltecer o empreendedorismo português. Não só quando Cosgrave voltou ao palco acompanhado de Jaime Jorge, fundador da Codacy, vencedor do Pitch da Web Summit de 2014, e Miguel Amaro, fundador da Uniplaces, mas principalmente quando chamou ao palco todos os CEO’s de startups portuguesas que estavam no recinto.

Com este pano de fundo, Fernando Medina ofereceu a chave da cidade ao presidente executivo da Web Summit e, com a ajuda de António Costa, deram início à contagem decrescente que culminou na estrondosa abertura oficial da Web Summit.

Milhares ficaram de fora

Classificação negativa para a entrada no Center Stage: às 18h45, a organização enviava um email aos participantes a avisar que o recinto, com capacidade para 15 mil pessoas, já estava lotado. Resultado? Milhares de pessoas ( cerca de 3 mil, nas palavras de Cosgrave) a acompanhar o evento do lado de fora, numa noite gélida de novembro onde nem o calor humano ajudou. O cenário montou-se em frente a um ecrã gigante cujo eco de todo o envolvente apenas permitia perceber algumas palavras isoladamente.

Aqui e ali ouviam-se palavras de desagrado: “Quer dizer que tenho de ficar na rua, ao frio?”, perguntava um participante português, informado por membros da organização de que estava na fila errada – o bilhete que tinha somente lhe permitia a entrada por uma outra porta. Mas também essa já estava fechada.

Nas redes sociais, o descontentamento fez-se ouvir:

Apesar do caos desta primeira noite, houve quem tivesse aproveitado para fazer networking – e adicionar contactos na aplicação do evento através dos códigos QR. Esse espírito nem mesmo o frio consegue quebrar.

A Web Summit vai ser organizada em Lisboa durante pelo menos mais três anos, com possibilidade de prolongar essa estadia na capital portuguesa.

 

Texto: Gonçalo Medeiros Borges e Beatriz Ferreira

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