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Foto: Alain Scherer

Festival de Flamenco de Lisboa: os acordes de Javier Conde

O Festival de Flamenco de Lisboa voltou para inundar a capital com cante, baile e guitarra. Na quarta feira, dia 26, o Teatro da Trindade abriu as portas para esta nona edição do certame e coube a Javier Conde inaugurar o palco, com o espetáculo El Flamenco y su vibrante Mundo.

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Tem apenas 28 anos, mas para a organização do festival poderá vir a ser “um dos grandes pilares da guitarra e do flamenco da Extremadura no mundo”. Em conversa com o Espalha-Factos, o diretor do festival revelou-se filho de estremenhos e apaixonado pela Estremadura. Conhecedor da importância do flamenco, Fancisco Carvajal lamenta que nem sempre estes artistas sejam reconhecidos. “É por isso que sempre que posso os trago. Para sairem de Espanha e mostrarem que têm muita qualidade”, justifica.

Javier Conde começou a actuar com seis anos e conquistou vários primeiros prémios em Espanha. Tem colaborado com artistas como Andrés Batista, Manolo Sanlúcar, Enrique de Melchior e o cineasta Carlos Saura, e a nível internacional com John Paul Jones (Led Zeppelin) e Eliades Ochoa (Buena Vista Social Club).

No Festival de Flamenco de Lisboa, Javier Conde fez-se acompanhar pelo pai, José A. Conde, também guitarrista, pelo cantor El Levita e por Zaira Santos, no baile. Javier Conde protagonizou os quadros mais intimistas, os momentos mais fortes e impactantes foram conseguidos com o quarteto reunido. Foi a simbiose perfeita entre a voz, as guitarras e a garra da bailaora que deixaram o público em êxtase.

Javier Conde na guitarra, Zaira Santos e El Levita
Zaira Santos no baile, acompanhada por Javier Conde na guitarra e  El Levita no cante

Para Franscisco Carvajal a forma vibrante como o público reagiu ao espetáculo é fácil de perceber:

“O flamenco é como o jazz, depende da forma como cada um vive o momento. Mesmo que em Portugal o público possa não perceber totalmente a letra, quando os músicos estão bem preparados, artisticamente, são capazes de transmitir sensações que qualquer público do mundo entende! Quanto mais o português…

Coube ao Quarteto Javier Conde dar o pontapé de saída nesta edição do Festival de Flamenco de Lisboa, mas há mais para ver e ouvir. Uma das novidades deste ano é que o próprio diretor do festival apresenta uma criação. Dia 26 de novembro estreia-se o espetáculo Corpo Sonoro, levado a palco pela companhia Columna Flamenca, criada este ano em Lisboa, com artistas de várias nacionalidades.

Sobre este espetáculo, Francisco Carvajal adiantou que o ponto de partida foram as utopias: “todos temos sonhos, ilusões e queremos traduzi-los através do baile… Queremos fazer algo cheio de cor, alegria e lágrimas… Tal como a vida!

Um espetáculo de experimentação que junta textos do escritor Júlio Cortazar, poemas de Frederico Garcia Lorca e música de Lou Reed.

E porque o festival é para continuar, Francisco Carvajal levantou o véu de alguns objetivos para o futuro: continuar a alargar o público e levar os poetas e artistas espanhois às escolas.

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