Espalha-Factos fez um top 10 das mortes mais dolorosas da saga Harry Potter. Sendo uma tarefa difícil reduzir a 10 as 158 mortes confirmadas ao longo dos sete livros (mais difícil ainda seria para um fã da Guerra dos Tronos), nenhuma destas mortes foi indiferente aos fãs da saga que se apelidam de potterheads.

De entre todas as experiências incríveis que advêm de se ser um 90’s kid, é impossível esquecer que esta geração, entre muitas outras coisas, é a geração Harry Potter. O feiticeiro de óculos redondos e uma cicatriz em forma de raio foi um dos grandes modelos desta geração, que cresceu ao mesmo tempo que ele e o acompanhou desde o armário debaixo das escadas até à estação de King’s Cross, onde nos despedimos “19 anos depois”.

O fenómeno mundial que foi a saga de J.K. Rowling foi, e é ainda hoje, um sucesso de vendas com recordes inquebráveis. Foi a saga que incutiu em tantas crianças o gosto pela leitura, a saga que se fundou em valores morais sólidos de união e entreajuda (já surgiram estudos cuja tese era de que os fãs de Harry Potter se tornavam pessoas mais tolerantes e altruístas do que quem nunca viu os filmes ou leu os livros).

Mas nem tudo é magia, e apresentamos-te o Top 10 das mortes mais dolorosas de toda a saga

10 | Colin Creevy

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Foto: Pottermore

Esta personagem surgiu no segundo livro da saga como um fã quase insuportável de Harry e, no geral, uma personagem considerada irritante na sua ingenuidade e imaturidade. Estas suas características desaparecem por completo no último volume da saga, em que, após ter sido expulso da escola por ser filho de Muggles (pessoas não-mágicas), regressa para a batalha final de Hogwarts, da qual é expulso mais uma vez por ser menor de idade. É neste momento que a verdadeira razão para ter sido colocado nos corajosos Gryffindor é revelada, quando Creevy ignora as ordens e se esgueira novamente para a batalha, na qual é morto.

Embora os pormenores da sua morte nunca cheguem a ser divulgados (quem o matou e como), não é possível ficar indiferente à injustiça do momento. O entusiasmo e fascínio que deram lugar a lealdade e coragem no seu derradeiro momento levam a que Colin Creevy ocupe o 10.º lugar do top. Além disso, quem poderá culpá-lo por ser fã de Harry Potter?

9 | Cedric Diggory

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Foto: Pottermore

Apesar de ser suposto ser um rival de Harry devido ao Torneio dos Três Feiticeiros, Cedric Diggory foi, até ao fim, um dos poucos amigos com que Harry pôde contar no seu quarto ano em Hogwarts. Mostrando ser um verdadeiro Hufflepuff, Cedric foi sempre honesto, leal e altruísta. Apesar disto, foi brutalmente assassinado pela simples razão de estar “a mais”. Poderíamos considerar isto quase irónico, tendo em conta que, ao longo do quarto volume da saga, Harry sofreu às mãos dos colegas que consideraram que ele estava a mais em comparação com o popular Cedric.

No final, mais do que uma morte dolorosa, o assassinato de Diggory foi uma morte chave. Não apenas por ter representado a crueldade brutal de Voldemort, mas porque foi a primeira morte verdadeiramente séria da saga, aquela que marcou o momento em que os livros/filmes se tornaram mais sombrios.

Foi com a morte de Cedric Diggory que Harry Potter deixou de ser uma saga infantil (de tal forma que, a partir do Cálice de Fogo, os próprios filmes se tornaram significativamente mais escuros). Não dispensando, no entanto, a parte emocional que esta morte basilar acarreta, torna-se impossível não procurar um lenço perante a reação desolada de Amos Diggory, o pai de Cedric, ao abraçar o corpo sem vida do filho.

8 | James e Lily Potter

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Foto: Bustle

Estaremos a fugir um pouco às regras ao incluir duas personagens na oitava posição, mas a verdade é que é impossível separar James e Lily, e isso inclui o momento das suas mortes. Escusado será explicar a razão destas mortes terem sido dolorosas. Embora a saga já tenha começado após o assassinato dos pais de Harry, os leitores nunca deixaram de o lamentar.

Os motivos são quase todos óbvios, embora alguns escapem a quem não leu os livros. Devido à escolha dos atores dos filmes, muitos fãs da saga tendem a esquecer-se deste facto, mas a verdade é que James e Lily tinham apenas 21 anos quando foram assassinados por Lord Voldemort. Aliando isto ao facto de terem deixado órfão o feiticeiro por quem nos apaixonámos e terem sido as primeiras de tantas pessoas importantes de quem ele teve de se despedir, é natural que, ainda hoje, os potterheads lamentem estas mortes. No entanto, sabemos que, sem elas, a história que prendeu uma geração não poderia ser a mesma.

7 | Hedwig

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Foto: Pottermore

Não existe um fã de Harry Potter que não gostasse da coruja de estimação de Harry. Hedwig acompanhou-o desde o seu primeiro dia como feiticeiro e foi, muitas vezes, a única amiga que teve, como nos verões em que ficou preso e isolado em casa dos seus tios. Da mesma forma que as mortes dos cães nos filmes nos parecem sempre as mais injustas e insuportáveis, também a morte de Hedwig deixa este vazio doloroso nos fãs.

Para além de ser a perda de mais um amigo de Harry, ela representa o fim da sua infância, a destruição do último elemento que o liga às suas melhores memórias. A sua morte no último livro da saga decorreu na chamada Batalha dos Sete Potters, embora de formas diferentes no livro e no filme. Enquanto que, no filme, ficamos com a ideia de que ela morreu a proteger Harry e Hagrid de um feitiço, no livro ela acaba por ser atingida por este mesmo feitiço que não era, na realidade, dirigido a ela. Numa rara ocasião, preferimos a versão do filme.

6 | Severus Snape

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Foto: Pinterest

Esta será, provavelmente, a morte mais controversa de toda a saga. Embora seja impossível negar a carga emocional que este momento acarreta, não poderemos esquecer tudo o que aconteceu anteriormente ao mesmo. Os fãs estão igualmente divididos. Alguns adoram-no, outros odeiam-no. Snape poderá ser considerada a personagem mais complexa e, possivelmente, mais real de toda a história.

J.K Rowling chegou a descrevê-lo como sendo “totalmente cinzento”. Não era bom nem mau. Nas palavras da autora, não poderíamos chamar-lhe um santo, pois ele era vingativo e foi um dos maiores bullies que Harry enfrentou nos seus anos em Hogwarts. Ele perseguiu-o e insultou-o desde os 11 anos, devido ao amor infrutífero pela sua mãe e à sua semelhança com o pai. No entanto, também foi Snape quem acabou por salvar o mundo da feitiçaria, ou, pelo menos, impedir que fosse destruído. O seu papel de agente duplo foi crucial para permitir que, no final, Voldemort fosse vencido.

Rowling afirmou que Snape morreu numa tentativa de reduzir a sua culpa. Admitiu também que, se não fosse por Lily, Snape nunca se teria importado com Harry e ter-se-ia mantido discípulo de Voldemort. Nas palavras da autora, “Snape was a bully who loved the goodness he sensed in Lily without being able to emulate her. That was his tragedy”. Severus Snape será sempre uma personagem controversa e ambígua. No entanto, não poderemos negar que tudo o que ele fez, de bom e de mau, fê-lo por amor. Também não poderemos negar que a sua morte, e em particular o momento em que Harry observa as suas memórias, deixam qualquer fã em lágrimas. Sempre.

5 | Dumbledore

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Foto: Buzzfeed

A morte de um líder. Para Harry, a perda da última das suas escassas figuras parentais. O que torna esta morte tão triste, em primeiro lugar, é não sabermos imediatamente o motivo dela. Durante a espera pelo último livro/filme, todos acreditámos que Snape matara Dumbledore a sangue-frio, mesmo depois de ele lhe suplicar que não o fizesse. Apenas mais tarde descobrimos que aquele fora o último ato de generosidade do diretor, que fizera tudo para evitar que um dos seus alunos, Draco Malfoy, tivesse de o matar. A bondade do seu plano só acrescenta pesar à sua perda.

Dumbledore foi o misterioso mas sábio mestre de Harry. Desde a sua chegada a Hogwarts, o diretor tentou, a todo o custo, protegê-lo de todos os problemas que viriam a surgir, ao mesmo tempo que o aconselhava sobre a melhor forma de os enfrentar. A importância desta personagem só é ainda mais sublinhada no momento da morte de Harry, no qual, na estação de King’s Cross que representa a passagem de um mundo para o outro, é Dumbledore quem surge para o acompanhar e aconselhar uma última vez.

Tal como tantos heróis de tantas histórias, Harry perde o seu mestre e tem de terminar a sua tarefa sozinho. Percebemos o porquê de isto acontecer, embora isso não nos ajude a ultrapassar esta morte tão significativa. Ainda mais triste se torna este acontecimento devido ao momento em que todos os professores, alunos e funcionários de Hogwarts erguem as suas varinhas em frente ao corpo inerte de Dumbledore, em sua honra (mais uma vez, somos obrigados a reconhecer certas qualidades do filme em relação ao livro).

4 | Remus Lupin

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Foto: Pottermore

O que mais nos custa na morte de Lupin não foi tanto a morte em si, mas o quão injusta ela é considerando a vida desta personagem. Remus Lupin será, provavelmente, a personagem que merece mais pena em toda a saga. Como forma de vingança do seu pai, Lupin foi atacado com apenas 5 anos pelo lobisomem Fenrir Greyback. O resultado deste ataque foi que também ele se tornou um lobisomem.

Eventualmente, os seus três melhores amigos (James, Sirius e Peter) descobriram o seu segredo e procederam ilegalmente para se poderem tornar animagi (ou seja, para se poderem transformar em animais), pois os lobisomens só representavam um perigo para os humanos. A generosidade dos seus três amigos foi o suficientemente para tornar a sua condição mais suportável e deixar de se magoar a si próprio.

Apenas quatro anos depois de sair de Hogwarts, Remus Lupin perdeu todos os que o salvaram de si próprio. James e Lily foram assassinados por culpa de Peter, mas Sirius acabou por ser acusado e preso durante 12 anos. Quando, finalmente, saiu da prisão e pôde juntar-se a Lupin de novo, foi assassinado em frente a ele. Nos dois anos de vida que lhe restaram depois de perder o último dos seus melhores amigos, Lupin conseguiu retomar a sua vida. Casou-se com Tonks e tiveram um filho, Ted. No entanto, na Batalha de Hogwarts, ambos morreram, deixando Ted órfão, e dando um final injusto à personagem mais injustiçada da saga.

3 | Fred Weasley

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Foto: Fanpop

Não será necessário alongarmo-nos demasiado em explicações do porquê de Fred ocupar o terceiro lugar das mortes mais tristes desta saga. Fred e George foram, desde o início, as personagens mais divertidas e descontraídas da história. Por mais difíceis que fossem as situações em que se encontravam, os gémeos Weasley procuravam sempre a forma mais cómica de saírem delas, e o facto de Fred ter morrido a rir é a derradeira prova disso mesmo. Era uma equipa que nunca achámos que fosse possível separar.

Existia uma enorme especulação e quase previsão da morte de um membro da família Weasley. Desde o rapto de Ginny por parte de Tom Riddle no segundo volume da saga, passando pelo ataque de Arthur Weasley por Nagini ou pelo de Bill por Fenrir Greyback, e culminando mesmo na perda de uma orelha de George, tudo parece quase um presságio da morte de um dos membros. É no último volume da saga, durante a Batalha de Hogwarts, que Fred é morto na sequência de uma explosão. Esta foi, sem dúvida, uma das mortes mais pesarosas para os fãs. Se havia personagens que achávamos que estavam seguras, eram os divertidos gémeos Weasley.

J.K. Rowling já planeara esta morte muito antes do lançamento do último livro, e afirmou, inclusive, que sempre soubera que seria Fred e não George. Afirmou também, num pedido de desculpas por esta personagem, que foi a que mais lhe custou matar. Os fãs afirmam que a morte de Fred poderá servir como exemplo para mostrar que há certas mortes que é impossível ultrapassar-se e que isso não tem qualquer mal. E talvez a melhor forma de lidar com esta perda será pensar que, na consequência da perda de Fred, a família Weasley recuperou Percy (embora isto não se veja no filme).

2 | Sirius Black

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Foto: Pinterest

Sirius Black foi o mais próximo que Harry alguma vez teve de um pai. Embora, no início, também ele acreditasse que fosse Sirius o responsável pela morte dos seus pais, acabamos por assistir à evolução desta personagem através dos olhos de Harry, que passa de ter medo dele para o considerar o pai que nunca teve. A sua morte é particularmente difícil devido a isto, pois, provavelmente, foi a morte mais difícil para o próprio Harry.

Depois da morte de Cedric, este é o momento em que Harry realmente se apercebe das consequências do regresso de Voldemort. O que torna este momento ainda mais cruel é o facto de ter sido executado por um familiar de Sirius: a sua prima, Bellatrix Lestrange. Sirius é uma das personagens mais idolatradas de toda a história. O seu passado remete para uma escolha que o próprio fez de rejeitar os ideais elitistas e racistas da sua família, ao ponto de ser expulso da mesma, em prol de se tornar uma pessoa melhor.

Participou na Primeira Guerra dos Feiticeiros para defender aquilo em que acreditava, acabando preso durante 12 anos por um crime que não cometeu, mas que, mesmo assim, lutou até ao fim para proteger a família que escolheu. No final, tudo o que fez, foi para proteger o seu afilhado, Harry.

A ligação entre eles os dois torna-se ainda mais óbvia no momento da morte de Sirius, tanto no livro, em que o jovem Harry se recusa a acreditar no que aconteceu e acredita que o padrinho vai reaparecer por detrás da cortina onde caiu e desapareceu, como no filme, em que os gritos do ator Daniel Raddcliffe foram de tal forma agoniantes que tiveram de ser silenciados. Em qualquer um dos casos, ninguém consegue ficar indiferente ao sofrimento de Harry perante esta perda, em especial após um ano em que ele estivera em conflito consigo próprio, acreditando que se estava a tornar mau devido à sua ligação com Voldemort, crença esta que foi apaziguada pelo padrinho que, derradeiramente, perdeu.

1 | Dobby

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Foto: Pottermore

Dobby, o elfo doméstico que ajudou Harry desde o seu segundo ano, foi a perda que mais lágrimas trouxe aos fãs. Esta criatura mágica pertencia a uma raça de escravos das famílias de feiticeiros mais ricas. A sua tarefa era obedecer aos seus mestres, que, neste caso, era a família Malfoy. No entanto, este elfo em particular sempre se destacou por, mais do que fazer aquilo que lhe competia, fazia aquilo em que acreditava.

Apesar da família para a qual trabalhava desprezar Harry, Dobby protegeu-o por achar que isso era o que estava correto (embora a sua maneira de o proteger tenha, inicialmente, deixado muito a desejar). Foi Harry quem o libertou da escravidão, e por isto Dobby nunca deixou de lhe ser leal. Foi a sua lealdade a Harry que culminou no seu assassinato por um membro da família para a qual trabalhara anos antes. Segundo J.K. Rowling, a morte de Dobby foi injusta da mesma forma que a de Cedric Diggory, que morreu apenas por estar no sítio errado à hora errada.

Dobby foi uma das personagens mais vulneráveis e inocentes de toda a história. Não era um feiticeiro que estivesse envolvido naquela guerra, apenas alguém que fez tudo com a melhor das intenções, agindo sempre consoante os seus ideais e os sentimentos que nutria pelos seus amigos. A própria reação de Harry perante a morte de Dobby é como pôr sal numa ferida. Em primeiro lugar, o seu desespero por ajuda e, depois, o seu trabalho de cavar uma sepultura sem recorrer a magia para dar um final digno a Dobby. “Cada gota de suor e cada bolha tinha o sabor de uma homenagem ao elfo que lhes salvara as vidas”. Foi assim que nos despedimos, em lágrimas, de Dobby, cujas últimas palavras foram “Harry Potter”, em honra do mestre que escolheu e que serviu até ao seu último suspiro.

As mortes dolorosas de uma geração

Todas estas 10 mortes são choradas pelos fãs da saga que apaixonou uma geração. Talvez uma forma de as aceitar mais facilmente será ter em conta que J.K. Rowling planeou (quase) todas as mortes logo no início da história, e por mais que os fãs tivessem apelado à sua misericórdia, o plano estava traçado há muito tempo. De qualquer forma, podemos contar com o pedido de desculpas da autora, que prometeu que, todos os anos, no aniversário da Batalha de Hogwarts, a 2 de maio, irá pedir desculpa e justificar uma das mortes no seu Twitter.