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Vinhos do Dão à prova na cidade do Porto

A sala de provas do Palácio da Bolsa, no Porto recebeu uma prova de vinhos da região do Dão, num evento intitulado Os Melhores Vinhos do Dão Engarrafados 2016, organizado pela ViniPortugal em conjunto com a Comissão Vitivinícola Regional do Dão.

Em prova estiveram oito dos melhores vinhos da região do Dão, que foram dados a experimentar entre os cerca de trinta participantes do evento. Várias categorias de vinho foram dadas a provar, desde os tintos e os brancos (cada um com características distintas) até um rosé e um espumante.

O espaço, apesar de pequeno, estava preparado para acolher vários apreciadores de vinho. Uns participantes eram mais conhecedores do que outros nesta matéria; no entanto, à medida que a prova ia decorrendo foram sendo trocadas várias impressões e experiências tanto sobre os vinhos do Dão, como de outras regiões e países.

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Espalha-Factos esteve à conversa com Luís Costa, anfitrião da prova, Wine Lover, jornalista, colunista e colaborador da revista Wine – A Essência do Vinho e subdiretor da RTP Internacional.

Espalha Factos: O que o levou a ter uma paixão grande pelo vinho?

Luís Costa: O facto de ter percebido desde o início que o vinho não era uma simples bebida, mas um bem cultural. E foi também a aprendizagem que fui fazendo ao longo dos anos. Comecei a beber e a interessar-me por vinho no final dos anos 80 e essa paixão desde então cresceu, da mesma forma como cresce o conhecimento sobre vinhos em toda a gente e em todo o mundo.

É bebendo, é conhecendo cada vez mais referências e regiões, indo aos locais, conhecendo os produtores, calcorreando as vinhas. E da mesma forma que cresce esse conhecimento do vinho, ao mesmo tempo cresce a paixão. É, portanto, um acumular de anos e anos em que novos vinhos levaram-me à descoberta de novos produtores, novas realidades vitivinícolas, e essa paixão foi consolidando ao longo dos anos.

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Para mim, hoje é impensável viver sem vinho, e tanto eu como muita gente, que temos esta relação quase que cultural com o vinho, somos quase colecionadores, embora a maior diferença seja que enquanto as coleções não podem ser usufruídas de uma forma imediata e o vinho pode. Podemos abrir as garrafas, beber o conteúdo e perceber que dentro da garrafa está muito mais que uma simples bebida, está uma história profunda que o vinho nos ensina a perceber melhor à medida que o bebemos e compreendemos.

EF: Pode descrever o que aconteceu hoje aqui no Palácio da Bolsa?

LC: Isto foi uma apresentação de alguns dos melhores vinhos engarrafados do Dão de 2016, não no sentido que são vinhos de 2016, mas que foi este ano que estes vinhos foram referidos num concurso realizado no âmbito da Comissão Vitivinícola Regional do Dão como os melhores vinhos engarrafados da região.

Hoje tivemos aqui uma amostra de oito vinhos que fazem parte dessa lista e que são exemplificativos daquilo que a região do Dão anda a fazer.

EF: Porquê a região do Dão?

LC: No meu caso porque é uma região na qual eu tenho uma relação pessoal muito especial e muito próxima. Sendo eu um amante de vinhos e gostando de vinhos de outras regiões, não tenho aquela visão que gosto mais dos vinhos do Douro, do Alentejo, do Dão ou da Bairrada. Gosto igualmente de muitos vinhos de diferentes regiões do país. A região dos vinhos verdes é extraordinária para a produção de brancos.

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O que me levou a estar aqui hoje foi o convite do meu amigo Arlindo Cunha, Presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Dão, e o facto de ser a única região em que sou confrade. Portanto há aqui uma relação de proximidade minha com o Dão, o que me levou a aceitar o convite para apresentar estes vinhos na sessão que tivemos hoje da ViniPortugal.

EF: O que sente que distingue os vinhos da região do Dão de outras regiões?

LC: Eu diria que a elegância talvez seja o fator mais distintivo da região do Dão. É uma região que tem condições e vinhos que provam isso. Tem condições de produzir os mais elegantes vinhos portugueses.

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A elegância e a sofisticação dos vinhos do Dão, quer nos brancos (com destaque para aqueles que têm a casta em cruzado como dominante), quer nos tintos (evidentemente a Touriga Nacional, por exemplo), são vinhos que primam pela elegância e pela sofisticação. E penso que se há região do país com competência para fazer vinhos elegantes e sofisticados, essa região é o Dão.

EF: Pode falar um pouco dos vinhos que deu a provar hoje?

LC: São vinhos muito diferentes desde logo no tipo. Provámos brancos, um rosé e tintos, e dentro de cada tipo de vinho há também muitas diferenças. Uma delas é, por exemplo, ao nível do trabalho de adega. Uns fermentaram só em inox, outros fermentaram e estagiaram em madeira, outros fermentaram em inox e estagiaram em madeira… Desde logo há aí uma diferença entre os vinhos.

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Também há diferenças determinadas por colheita. Um vinho de 2011 não é um vinho de 2015. São vinhos de perfis diferentes porque a ideia hoje foi também mostrar que o Dão também consegue produzir diversidade e, portanto, trouxe vinhos que são exemplo disso: diferentes nas suas características.

Tivemos brancos mais frescos e jovens; tivemos brancos mais volumosos, mais densos, mais gastronómicos; tivemos um vinho rosé que tanto funciona bem a solo como com algumas comidas; e tivemos três tintos de grande dimensão mas com características um bocadinho diferentes. Uns mais extraídos, outros menos, uns mais frutados, outros mais balsâmicos.

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Foi basicamente uma panóplia de vinhos que corresponde também a diferentes perfis que o Dão é capaz de proporcionar.

EF: Como considera que o evento correu aqui hoje?

LC: Compete a quem participou nele avaliar. Da minha parte, como fui o protagonista da sessão, e perante a reação das pessoas, penso que correu bastante bem.

EF: Sente que atualmente os portugueses começam a apreciar e a ganhar mais conhecimento acerca dos vinhos?

LC: Como disse há pouco, o conhecimento do vinho aumentou, o consumo democratizou-se e a exigência do consumidor é maior. Felizmente, também a qualidade dos vinhos tem crescido com o passar dos anos, e hoje Portugal produz vinhos de grande qualidade, quer dos brancos, quer dos tintos, e afirma-se claramente como um dos países que figura na lista dos dez melhores produtores de vinho à escala mundial.

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