Depois de ter estreado no Festival Internacional de Cinema de Toronto e em alguns cinemas nos Estados Unidos, o documentário Before the Flood tem hoje a sua estreia mundial na televisão, através do canal National Geographic pelas 22h30. Amanhã às 21h00 é transmitido na RTP1.

Realizado por Fisher Stevens e produzido pelo ator Leonardo DiCaprio e pelo companheiro de outros géneros cinematográficos Martin Scorsese, Before the Flood chega hoje a Portugal e a mais 170 países e 45 línguas diferentes.

Além de ser conhecido pelo seu currículo – e pela sua demanda pela conquista do Oscar de Melhor Ator -, DiCaprio é também publicamente um defensor dedicado às causas ambientais desde a criação de uma fundação com o seu nome em 1998, através da qual apoia hoje mais de 65 organizações e, desde 2014, um representante das alterações climáticas pela ONU.

A fundação dedica-se a “preservar os últimos locais selvagens do planeta, a implementar soluções que restabeleçam o balanço de ecossistemas ameaçados e a procurar soluções a longo prazo para a saúde e bem-estar dos habitantes do planeta Terra”, pode ler-se no site.

Este documentário, o terceiro que o ator produz (depois de A 11.ª Hora, em 2007, e Viruga, em 2014), é por isso mais uma plataforma criada por si para tentar sensibilizar e alertar um público maior e, principalmente, líderes políticos para a necessidade emergente que é combater as alterações climáticas, tentando assim evitar repercussões ainda maiores do que as que são vistas no documentário.

Apesar do clima não ter sido tema em nenhum dos quatro debates presidenciais que opuseram democratas e republicanos, nos EUA, o filme conta com a participação de líderes mundiais como o Presidente Barack Obama, Bill Clinton, Ban-Ki Moon, Elon Musk e o Papa Francisco. Além de apoiar várias causas, DiCaprio é ainda bastante vocal no que toca à política, apoiando sempre candidatos que partilham as preocupações que ele mostra do documentário e aceitem as evidências científicas apresentadas por quem sabe.

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Por ser uma crise mundial, o ator, para demonstrar no filme o agravamento do meio ambiente e os danos irreparáveis que está a provocar em paisagens virgens, da Gronelândia à Indonésia, viajou pelos cinco continentes e observou em primeira pessoa muitas dessas mudanças que colocam em causa o equilíbrio do clima no planeta e aceleram a extinção de grande quantidade de espécies animais.

O realizador Fisher Stevens, criador de The Cove, documentário sobre o massacre de golfinhos que ganhou o Oscar em 2009, disse que o filme é como uma oportunidade para o público perceber toda “a verdade sobre todos os danos que já foram causados ao planeta e quanto tempo temos até encontrar soluções que evitem o colapso do ecossistema”. Declarações que fazem lembrar os tempos do alerta dado pelo documentário Uma Verdade Inconveniente, de Al Gore. Também por isso, esta produção talvez seja levada mais a sério pelos líderes mundiais do que a do vice-presidente foi.

“A não ser que o vejas ou experiencies, não sentirás nada, e nada será feito. Eu tentei fazer um filme em que as pessoas se sentissem como se estivessem a experienciar algumas das coisas e vissem a devastação que já provocámos”, diz o realizador.

O filme desenrolar-se-á a partir da perspetiva do ator e produtor norte-americano, mas espera-se que essa perspetiva seja partilhada com quem está a assistir ao documentário. Muito provavelmente, quem não quer acreditar em todas as evidências factuais das alterações climáticas não verá o filme. Por isso, quem o vir estará em pé de igualdade com o ator que, apesar de ser um conhecedor e embaixador das causas da natureza, observará como o público paisagens e testemunhos diferentes um pouco por todo o mundo.

Para além da televisão, a produção e a National Geographic anunciaram a semana passada que o filme ficaria disponível online e gratuitamente para quem o quisesse ver por aí. Podes vê-lo no YouTube do canal internacional.

http://www.youtube.com/watch?v=90CkXVF-Q8M