A startup ArtinVitro junta o útil ao agradável para aqueles que gostam de plantas mas não têm tempo para cuidar delas. As suas plantas que crescem dentro de frascos resultam de uma ideia que une duas áreas distinas: biotecnologia e arte.

A startup, sediada na incubadora de empresas da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), conseguiu arranjar uma forma de criar um produto inovador no qual uma planta pode crescer dentro de um frasco precisando apenas de luz natural para o efeito. Após a realização de uma campanha de crowdfunding que não só pretendeu ajudar no lançamento do projeto, mas também permitir a obtenção de materiais usados para o trabalho da ArtinVitro, nomeadamente os frascos conforme podes ver na imagem em baixo.

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Espalha-Factos deu um salto a Trás-os-Montes onde teve a oportunidade de conhecer um pouco do trabalho do projeto conduzido por Bruno Loureiro,  antigo estudante do curso de Genética e Biotecnologia da UTAD.

Espalha-Factos: Como surgiu a ideia para a ArtinVitro?

Bruno Loureiro: É uma pergunta à qual eu não tenho uma resposta simples, pois foi a conjugação de vários fatores. Como estava a fazer um trabalho em cultura in Vitro em plantas ornamentais, para possível produção, já tinha bastante sensibilidade para os gostos e necessidades do mercado sobre essa matéria.

Na pesquisa que estava a efetuar para o estágio ficaram informações, como a consumo crescente de plantas suculentas que não precisam de muitos cuidados. Ao olhar para o trabalho que estava a desenvolver comecei a vê-lo de outra forma, não como investigador mas vendo que após instaladas as plantas em meio de cultura eu só as tinha de monitorizar, logo não tinha mais “trabalho” com elas e assim surgiu a ideia.

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Mais por curiosidade criei os meus primeiros “protótipos” mostrei-os a várias pessoas entre as quais a professora Fernanda Leal e o Miguel e falei-lhes sobre a minha ideia, a professora foi a primeira a incentivar-me e o Miguel acabou por se tornar parte do projeto ajudando a evolui-lo até maio/junho altura em ele teve de se afastar do projeto.

EF: Podes-me falar um pouco dos produtos que têm ao dispor neste momento?

BL: Neste momento temos ao dispor 7 cultivares de Kalanchoe blossfeldiana (flor da fortuna), que são vendidas nos nossos recipientes-padrão (pequeno, médio e grande). Contudo, oferecemos ainda a possibilidade de cada cliente poder personalizar a sua planta com um recipiente que ache mais conveniente.

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Os produtos têm como principal objetivo a decoração. Porém, como são didáticos e atuais, dando a oportunidade de se ter uma “biosfera” que não necessita de manutenção a embelezar um espaço, seja em casa ou no local de trabalho.

EF: Como conseguem que as plantas cresçam com recurso apenas a luz natural? Qual é a substância que substitui a água para estas plantas?

BL: Os produtos são pequenos “planetas” com apenas um ser vivo, a planta. Esta está num equilíbrio quase perfeito com o meio envolvente, produzindo oxigénio (através do processo da fotossíntese) durante o dia e consumindo-o durante a noite.

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Quanto à água, esta está inicialmente no gel no qual a planta se encontra. A planta usa-a para os seus processos biológicos, tal como o faz uma planta em vaso, mas quando a planta liberta água esta condensa na parede do frasco, escorre para o gel, havendo, deste modo, a reutilização da água pela planta.

Esta forma constante de reutilização e os nutrientes existentes no meio permitem que a planta precise apenas de luz para produzir glicose e oxigénio e crescer.

EF: Que tipos de cuidados têm que ter os compradores para com as plantas? Quanto tempo em média estas podem sobreviver dentro dos frascos?

BL: Os cuidados a ter com as nossas plantas são diminutos. A primeira regra fundamental, é não abrir o frasco, pois este está estéril e a sua abertura provocaria a contaminação da planta. A segunda é evitar os choques térmicos, para evitar abrandar ou estagnar o desenvolvimento da planta. Esta necessita de estar num espaço iluminado, mas sem incidência direta do sol, para que não se provoque um efeito de estufa e se leve a um choque térmico.

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O tempo de permanência dentro de cada frasco depende do volume do recipiente e a quantidade de nutrientes existente em cada um deles. O tamanho mais pequeno assegura que a planta tenha nutrientes para cerca de 3 meses. O tamanho médio, suporta o crescimento da planta durante 8 meses e o tamanho grande permite ter a planta cerca de 15 meses. Há ainda a possibilidade de fazer produtos personalizados, onde o recipiente da planta e o tempo de permanência são adequados à preferência do comprador.

No final do tempo estipulado, há ainda a possibilidade de transplantar a planta do frasco para um vaso, seguindo assim a evolução e o crescimento da mesma, mas desta vez seguindo os cuidados gerais de todas as plantas.

EF: Como sentem que o produto tem sido recebido? Em Vila Real notam o sucesso do produto?

BL: O projeto tem sido bem-recebido, pois as pessoas gostam e ficam curiosas por verem uma planta num recipiente fechado. Normalmente perguntam se é mesmo verdadeira e algumas acabam por comprar o produto para comprovar se realmente a planta cresce. Algumas pessoas gostaram tanto da primeira experiência que voltaram a adquirir os nossos produtos.

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É muito gratificante ver que não só estamos a cativar os adultos como também as crianças, que fazem imensas perguntas sobre o produto. Temos até crianças que levaram a sua plantinha para a escola para mostrar aos colegas e amigos.

Apesar do produto ser direcionado para zonas mais cosmopolitas, a adesão tem sido boa, o que ajuda e dá otimismo para a entrada em novos mercados.

EF: O que sentes que distingue os produtos do ArtinVitro de outros produtos do género?

BL: Os produtos ArtinVitro além da componente estética, que já por si é uma forma diferente de ter uma planta, têm como principal vantagem permitir aos clientes terem uma planta, durante o número de meses estabelecidos, sem terem qualquer tipo de trabalho com as mesmas. É um produto que permite às pessoas que não têm muito tempo, jeito ou conhecimento ter uma planta, sem qualquer tipo de esforço.

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Como todos os frascos têm cor, torna-se num produto de decoração natural. A componente didática e educacional permite que esta seja uma planta de “família”, ou seja, pode ser uma forma de sensibilizarmos as crianças para a importância da natureza e todos os ecossistemas envolventes.  Por último, as pessoas para além da planta levam também uma componente mais cientifica, através da taxonomia da planta, e uma mais romântica, através da lenda da qual a planta faz parte.

EF: O ArtinVitro tem marcado presença em vários eventos? Podes-me referir alguns dos mais relevantes em que tenhas estado?

BL: Temos marcado presença em vários eventos, nomeadamente em mercados artesanais e conferencias, principalmente no norte do país, entre a zona de Vila Real, Braga e Porto.

EF: Quantas pessoas neste momento compõem a equipa da vossa startup?

BL: Neste momento apenas sou eu, Bruno Loureiro, a constituir a startup.

EF: Que projetos têm em mente para o futuro? Estão a pensar expandir para outros locais?

BL: Há imensos projetos em mente, tanto para curto prazo como para médio/longo prazo. A curto prazo posso já dizer que será lançada uma nova espécie, faltando apenas aumentar a quantidade de plantas em stock, para permitir a sua comercialização. A médio longo/prazo estão a ser testados alguns projetos, mas ainda precisam de ser amadurecidos.

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Neste momento estamos em lojas no Porto (43 Branco e Almada em Branco), Póvoa de Varzim (Nina coop store), Leiria (Art’s Catita), Coimbra (é mesmo isto!) e Vila Real, na UTAD, que é o nosso ponto de produção. Mas desejamos chegar ainda a Lisboa, Algarve, Madeira e Açores, estando neste momento à procura de lojas interessadas nesses mesmos locais.

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Fotografias pertencentes à ArtinVitro