O episódio desta semana de Supergirl veio com um lado político e algumas adições ao elenco. Lynda Carter, a Wonder Woman dos anos 70, visita National City.

Com Superman (Tyler Hoechlin) de regresso a Metropolis e, para já, longe dos nossos ecrãs, Supergirl foi buscar nova inspiração à situação política atual, especialmente nos EUA, e voltou a reforçar o elenco.

Num episódio que provou, mais uma vez, que Supergirl continua em boas mãos na CW, a maior novidade foi, claro, a presença de Lynda Carter, que nos anos 70 interpretou Wonder Woman (Mulher-Maravilha, em português), na série de televisão homónima.

A Presidente e os Aliens

A Presidente dos Estados Unidos, Olivia Marsdin, está de visita a National City e provavelmente não há ninguém mais entusiasmado do que Kara Danvers (Melissa Benoist). A Presidente irá assinar um tratado que garante amnistia a aliens que visitem o planeta, o que dá o mote para o crescendo das tensões entre as personagens.

E mesmo dentro da comunidade alienígena há pontos de vista diferentes. Kara, eterna optimista (abençoado seja o seu coração), não vê, ao início, qualquer problema. J’onn (David Harewood), no entanto, não acredita na viabilidade do tratado – tendo já sofrido discriminação, não por ser um alien, mas pela cor da sua pele, não acha que a mistura entre aliens e humanos vá resultar muito bem.

A questão da discriminação e do preconceito contra tudo o que é diferente evoca um certo paralelismo com as eleições presidenciais dos Estados Unidos. Desde logo, porque somos apresentados a uma mulher Presidente, mas principalmente através das comparações entre os problemas enfrentados pelas minorias no nosso mundo e pelos aliens no mundo ficcional. 

O ponto é: Supergirl parece-me, assim, mais inclinada a fazer algum comentário social do que as restantes séries de super-heróis da CW. Talvez ainda seja preciso aprender a fazê-lo com mais alguma nuance, mas o esforço é de apreciar. Para além de que o conflito em torno deste tratado de amnistia é muito mais interessante do que o que nos foi mostrado até agora acerca da organização Cadmus.

É um território narrativo mais típico de franchises como os X-Men. Na verdade, a Presidente é mesmo atacada por uma alien, Scorcher (Nadine Crocker). Seguindo a tradição (será que vou ter que reclamar de um fraco vilão todas as semanas?), Scorcher não é nada de especial.

Mas sempre levanta algumas questões interessantes. Será que este tratado é uma forma de obrigar os aliens a registarem-se? Com a revelação de que a Presidente é mais do que aparenta, talvez Scorcher não esteja assim tão errada.

Supergirl dá as boas-vindas a Mon-El (ou não)

O episódio anterior acabou com o misterioso alien que se despenhou no início da temporada a acordar e a atacar Kara. Descobrimos mais tarde que o seu nome é Mon-El (Chris Wood) e que a sua origem não é Krypton, mas sim um planeta próximo, Daxam.

Segundo Kara, os dois planetas eram inimigos, o que imediatamente leva a nossa super-heroína a não pensar muito no assunto e culpar Mon-El pelos ataques à Presidente Marsdin.

Supergirl confronta o outro alien e atira-o para um cela no DEO. Na verdade, Mon-El está só a tentar mandar um sinal de emergência para o seu planeta de origem. Infelizmente, tal como Krypton, Daxam já não existe.

Supergirl continua a não deixar que Kara seja perfeita – e graças a Deus, porque tal não iria gerar qualquer conflito. É bom vê-la continuar a crescer. Desta vez, tem que ultrapassar o seu próprio preconceito. Mas, depois de um discurso de Marsdin e de um confronto com Scorcher, Kara liberta Mon-El e pede desculpas.

Os problemas jornalísticos de Kara e a falta de direcção de James

Só eu é que acho que a relação entre Kara e Mon-El vai dar em mais do que amizade? Talvez um romance fosse demasiado óbvio, mas, pelo menos, explicaria o porquê da série ter despachado James (Mehcad Brookse a sua relação com Kara tão depressa como o fez. Por falar em James, este continua sem muito que fazer.

Por outro lado, e embora a saída de Calista Flockhart ainda doa, a passagem de Kara a repórter da CatCo até ajuda a coordenar melhor a divisão entre as duas vidas da Supergirl. Porque agora o trabalho de jornalista irá, muitas vezes, encontrar-se com os problemas que enfrenta enquanto salva a cidade

Neste caso, é enviada para entrevistar Lena Luthor (Katie McGrath), que lhe apresenta os detectores de aliens que tem estado a desenvolver. Kara não consegue separar o seu trabalho como reportér e as suas opiniões muito pessoais sobre o assunto e o que escreve é, na verdade, uma crítica. Snapper Carr (Ian Gomez), o novo mentor de Kara, não fica satisfeito, mas continua a tentar empurrar a jovem na direção certa, assumindo o papel de mentor.

Por fim, uma nota sobre a estreia da detective Maggie Sawyer (Floriana Lima). Durante o Verão, lembro-me de ler um spoiler sobre uma personagem da CW que iria sair do armário. As apostas estão agora todas em Alex Danvers (Chyler Leigh), certo? Maggie e Alex trabalharam bem juntas, tiveram bastante química e já sabemos que Maggie faz parte parte da comunidade LGBT. 

Em conclusão, este foi um episódio bastante bom que soube colmatar a ausência do Superman. Acho que dava nota positiva só por aquela fala de Lynda Carter sobre o seu outro avião a jato, numa clara referência ao jato invisível da Wonder Woman. Mas precisamos que estes vilões da semana ofereçam mais.

Nota: 8/10