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‘Dance, Space, Design’: A dança indiana foi acolhida num festival de dança contemporânea

A fusão da dança clássica indiana com a dança contemporânea chegou a Almada com workshops na Escola da Companhia de Dança. Pode-se dizer que a aprendizagem culminou com um espetáculo em que muitos dos alunos estiveram presentes. Dance, Space, Design: //Between The Lines// é uma peça tranquila e multicultural. 

“Esta dança está dentro do espaço”. Esta afirmação pertence a Kavitha Krishnan, uma das fundadores da companhia. Ouvir, viver e partilhar são três dos pressupostos da Maya Dance Theatre, da Singapura. Iniciada em 2007, faz uma mistura entre a dança asiática e a estética contemporânea.

O aviso está feito do que aí vem. Iríamos ver uma peça dividida em quatro excertos. O mistério é lançado logo no primeiro dos quatro momentos. Um dos intérpretes e co-fundador da companhia, Juraimy Abu Kakar, está sob uma luz intensa. Olha de cabeça para baixo para o público. Juntam-se os restantes membros da Maya Dance Theatre (Eva Tey, Lavanya Dave, Subastian Tan e Shahrin Johry). De calças abaloadas e coletes, questiona-se o papel do corpo e mais intensamente da mulher, chama-se The Quest. A fusão entre dança indiana e a contemporânea é visível pela passagem dos movimentos em pé para o chão.

Foto: Facebook Maya Dance Theatre
Foto: Facebook Maya Dance Theatre

Se The Quest questionava o papel da mulher, o segundo excerto aborda a história da mulher mais afectiva de todas as pessoas: a mãe. Apresentada como storytellig, há a busca de cinco poderes como o fogo, a terra, o vento, a água ou o trovão. Os filhos desta mãe foram para a guerra e a mulher quer reavê-los através dos poderes. Apesar de contar uma história, os movimentos são os menos desprendidos da estética clássica. Com fatos acetinados bordô, as mãos e os agachamentos indica-nos um ritmo indiano.

São as mãos que guiam o olhar na dança indiana

Também o terceiro excerto o faz. Aliás, são as mãos o caminho do olhar e permitem a ligação com o público. Gravidade é o nome da peça e isso é visível nos corpos dos intérpretes, que dançam como se estivessem suspensos. Até as cores e composição dos figurinos são mais leves e todos os movimentos dos quatro bailarinos parecem estar conectados. Aliás, um dos pressupostos da companhia é também trabalhar a saúde mental.

Do mental para o físico, ou transportando os dois, chegamos ao último excerto, que é o que contém mais dança contemporânea, quer em figurinos, quer em movimentos. Primeiro, é preciso salientar que há uma questão nesta peça: o estereótipo corporal. Alguém começa a cochichar. Outras pessoas juntam-se ao burburinho. Há um derradeiro grito que silencia tudo.

A dança começa. Três mulheres movem-se em círculo, como se a ação do dia-a-dia fosse um ciclo. Um homem observa essas mulheres. Quer moldá-las face ao que é a moda, como se fossem manequins de plástico: um sorriso, um ok com a mão e uma mulher igual às outras e como se pensa o que é esteticamente aceitável. A junção da dança indiana com a contemporânea foi uma boa forma de abordar o tema. Independentemente dos corpos, dos estilos e do espaço geográfico, podemos fazer fusões improváveis e criar um próprio ritmo e… corpo.

Foto: Facebook Maya Dance Theatre
Foto: Facebook Maya Dance Theatre

 Dance, Space, Design: //Between The Lines// foi um momento agradável. A explicação entre as peças de Kavitha Krishnan foi enriquecedora. Se não foi um espetáculo soberbo, foi visualmente atraente, os olhares, o sorrio e movimentos dos intérpretes proporcionaram um relaxamento ao público e que se adequou ao espaço do Cine-Teatro Almadense.

A Quinzena de Dança continua…

A partir desta quinta-feira começa a Plataforma Coreográfica Internacional e que permanece em Almada até dia 22 de outubro. Vão ser quatro os momentos em que várias intérpretes portugueses e internacionais mostram o seu trabalho. Um dos momentos será na sexta-feira, às 17h00, na Praça da Liberdade, com um dueto espanhol e uma interpretação da Escola da Companhia de Dança.

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