Na indústria do cinema, o verão é sinónimo de blockbuster. Iniciada pelo fenómeno de Tubarão (1975) e dois anos depois fortalecida pelo sucesso de Star Wars (1977), esta época é vista como sendo a altura em que os estúdios lançam os seus filmes mais caros e bombásticos.

No entanto, à medida que os anos têm avançado, Hollywood tem vindo a começar a sua época de “verão” cada vez mais cedo. Até filmes lançados em maio começam a ser vistos como sendo parte dos “lançamentos de verão”. Após um ano de receitas de bilheteira astronómico, parece que 2016 foi o oposto. Mas será que o verão foi assim tão mau em termos de qualidade no cinema?

O marketing destas produções costuma custar tanto dinheiro quanto os próprio filmes. Sendo assim, um filme geralmente só começa a ser considerado rentável assim que começa a arrecadar mais do que o dobro do seu custo. O “5” desta semana do Espalha-Factos decidiu direcionar a sua atenção a lançamentos de Hollywood deste verão que, infelizmente, não tiveram a rentabilidade e atenção que mereciam.

Bons Rapazes

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Em tempos, Shane Black fora um dos guionistas mais bem pagos de Hollywood. O seu primeiro crédito de realizador surgiu com Kiss Kiss Bang Bang (2005), uma comédia negra que infelizmente não teve o sucesso que merecia. Esperava-se que o êxito de Homem de Ferro 3 (2013) mudasse a situação nos seus projetos seguintes. Infelizmente, o destino de Bons Rapazes foi semelhante ao de Bang Bang.

Com Russell Crowe e Ryan Gosling a interpretarem detetives que se decidem aliar, não se pode dizer que tenha havido falta de “estrelas” para atrair audiências. Também não houve a falta de cenas memoráveis ou de críticos para o recomendarem. O que o público perdeu foi um dos melhores filmes do género “buddy cop“, que pode seguir uma narrativa comum, mas brinca com espetativas e apresenta o tipo de comédia inesperada característico do estilo de escrita de Black.

Orçamento: $50 milhões.

Receitas de bilheteira: $57.3 milhões.

O Amigo Gigante

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Steven Spielberg pode em tempos ter sido o “rei da audiência”, e uma parceria com a Disney poderia parecer sinónimo de blockbuster. Mas, estranhamente, O Amigo Gigante tornou-se num dos maiores “flops” do realizador.

Com uma história simples inspirada pelo livro para crianças com o mesmo nome, Amigo Gigante continua a demonstrar a alta competência de Spielberg a trabalhar com atores. Ruby Barnhill estreia-se no cinema e com apenas 12 anos interage de forma excelente com a personagem de Mark Rylance, que aqui tem a oportunidade de desempenhar um papel através do processo de “captura de movimento”.

Certamente não é um filme perfeito. Os vilões são clichés e fáceis de esquecer, mas esta é uma obra que vive da interação entre os dois protagonistas e da magia trazida pelo realizador.

Orçamento: $140 milhões.

Receitas de bilheteira: $175.7 milhões.

Star Trek – Além do Universo

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Sem J. J. Abrams, o futuro cinemático de Star Trek tornou-se incerto. A decisão de o suceder com Justin Lin, realizador de quatro filmes de Velocidade Furiosa, também não deu muita esperança aos fãs da franquia.

Surpreendentemente, Star Trek – Além do Universo acabou por ser um filme que funcionou como sequência de Star Trek (2009) e Além da Escuridão: Star Trek (2013), ao mesmo tempo que teve um espírito mais fiel ao da série original dos anos 60.

Visualmente, pode não ser tão impressionante como os de Abrams, mas o guião do filme de Lin tem muito menos falhas, um melhor balanço das personagens secundárias e uma temática que fortalece os ideais da Federação dos Planetas Unidos deste universo. Até há um momento que será, sem dúvida, emocional para fãs de longa data com saudades do elenco da série original.

Star Trek – Além do Universo não foi um fracasso tão grande como os títulos anteriores desta lista, mas arrecadou menos dinheiro do que os seus dois predecessores na franquia, e a possibilidade de uma sequela poderá estar agora em causa.

Orçamento: $185 milhões.

Receitas de bilheteira: $338.1 milhões.

A Lenda do Dragão

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Têm sido feitos e anunciados vários remakes em “live-action” de clássicos da DisneyCinderela e O Livro Da Selva foram dois dos maiores sucessos desta corrente, tendo sido apreciados tanto pela crítica, como pelo público. No entanto, não se pode dizer que tenham adicionado muito de novo aos seus originais.

Neste contexto, A Lenda do Dragão é o primeiro “remake” a ser uma indiscutível melhoria. Inspirado por Meu Amigo o Dragão (1977), um musical que misturava atores reais com um dragão feito em animação 2D, Lenda tem pouco em comum para além do conceito geral de uma criança que se torna amiga de um dragão. Considerando que o original tinha vários problemas de narrativa e realização, esta nova versão pôde seguir uma abordagem diferente.

Ao contrário dos outros nomes desta lista, A Lenda do Dragão não é oficialmente considerado um fracasso, mas esta é uma obra que passou maioritariamente despercebida e que merece mais atenção do que a que ganhou. Juntamente com Amigo Gigante, esta é prova de filmes direcionados para crianças poderem ser imaginativos e de qualidade.

Orçamento: $65 milhões.

Receitas de bilheteira: $132.5 milhões.

The Neon Demon – O Demónio de Néon

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O Demónio de Néon é o filme mais recente de Nicolas Winding Refn, e apesar de ser de um realizador de culto, isso não o impediu de se tornar num fracasso de bilheteira. Elle Fanning (Super 8 e Maléfica) mais uma vez interpreta o papel de uma jovem “inocente”, mas Refn dá-lhe cenas que lhe possibilitam sair da sua zona de conforto, à medida que a própria história se vai tornando mais bizarra.

Esta é uma obra que continua a demonstrar o fascínio do realizador por excelentes visuais misturados com música eletrónica. Devido a ter sido uma produção de escala inferior à dos outros filmes mencionados nesta lista, é pouco provável que a carreira do realizador fique em risco devido ao fracasso do projeto.

Orçamento: $7 milhões.

Receitas de bilheteira: $3.3 milhões.