A 39.ª edição do Portugal Fashion arrancou esta quarta-feira, em Lisboa, estreando o evento no Pavilhão de Portugal. O primeiro dia ficou marcado pelas coleções de Storytailors, Pedro Pedro, HIBU, Alexandra Moura e Alves/Gonçalves. Nos dias 13, 14 e 15, as passerelles mudam-se para o Porto onde decorre o resto do evento e das apresentações das coleções primavera-verão 2017.

João Branco e Luís Sanchez, a dupla que compõe os Storytailors, não fugiram à tradição de terem um espetáculo narrativo, quase que uma performance a ganhar vida naquele chão de madeira do Pavilhão de Portugal.

Duas modelos posicionadas do lado de fora das janelas de vidro que davam para a plateia iniciam o desfile, caminhando até um painel – que abriram – e de onde saíram os restantes modelos para a apresentação da coleção Black Hills.

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Convencionalidade é algo que não caracteriza os Storytailors, pelo contrário, a dupla opta sempre por quebrar as regras e mostrar o improvável.

Padrões fortes inspirados em textura de árvores (referência ao tema da coleção) em diversos tipos de tecido, do algodão ao neopreno, dos plissados aos volumes. Algumas peças eram adornadas com detalhes que se assemelhavam a motivos da natureza como raízes e flores. A coleção mostrou homens e mulheres a condizer, algo já habitual nos designers.

Aos Storytailors que, mais uma vez, abriram o Portugal Fashion seguiu-se Pedro Pedro. Se tivéssemos que escolher uma palavra para descrever o desfile do designer seria, sem dúvida, fluidez. Fluidez das formas, fluidez dos tecidos, fluidez da composição – mesmo as mais improváveis, como foi o caso dos vestidos desfiados por cima de outro coordenado.

Maria Clara para Pedro Pedro.

Maria Clara para Pedro Pedro.

A sobreposição de peças e, simultaneamente, a desconstrução das formas são os aspetos que mais saltaram à vista nesta coleção de mulher elegante, mas descontraída.As cores que começaram no rosa pálido e foram até ao amarelo davam vida aos coordenados leves de algodão ou até veludo. O remate final estava no calçado. As modelos envergavam sapatos estilo babucha em pêlo camel ou preto, demonstrando uma maior casualidade nos looks.

São ao todo 12 os desfiles no âmbito de Bloom, mas apenas o de HIBU decorreu em Lisboa. Bloom é uma plataforma aberta a jovens criadores cujo objetivo é trazer uma lufada de ar fresco às passerelles, dinamizando o circuito da moda portuguesa.

HIBU é uma marca que se lançou a partir desta plataforma e que se fez apresentar no primeiro dia de Portugal Fashion. Marta Gonçalves, a criadora, voltou a marcar o desfile pelo conceito que é já a visão da sua marca: o sexo é irrelevante para a conceção das peças. As criações eram muito semelhantes nos modelos masculinos e femininos, peças estruturadas, tecidos quase “em cru”, onde se destacavam as bainhas descosidas e os cintos como adorno.

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HIBU

Em quase todas as peças o destaque ao nome – HIBU. Fica presente na memória. As cores começaram no preto, azul-escuro (quase a parecer ganga) e terminaram com mais intensidade, no vermelho. Os modelos calçavam todos o mesmo, uma espécie de sapato coberto por uma meia, mais uma vez relevando a ideia de unissexo na moda.

O final do dia trouxe consigo Alexandra Moura e mais agitação na sala e entre os convidados. A designer manteve-se fiel ao estilo que apresentou em março na ModaLisboa e os tons pretos e os folhos estiveram presentes no desfile. Contudo, novas cores surgiram.

O azul ganga, muitas vezes rasgado e trabalhado para formar largas franjas enlaçadas trouxe um lado mais vibrante, contrariado pelas fluídas peças em tule lavanda, tecidos transparentes e padrões florais. A par destas cores, o verde-esmeralda também surgiu nas criações mais desportivas, sobretudo masculinas. Uma breve aparição do vermelho, a meio do desfile, para um macacão feminino merece também destaque, marcando mais uma vez a fluidez e o estilo sporty.

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O calçado acentuou em toda a coleção esse mesmo estilo: sapatilhas, pretas ou brancas, com salto em borracha, foram a escolha da designer. Alexandra Moura criou uma coleção simultaneamente urbana e chique, em que a irreverência das peças convive com o conforto.

A dupla Alves/Gonçalves encerrou o primeiro dia do Portugal Fashion com um desfile no feminino. Feminino pode de facto ser a palavra para descrever as criações da dupla, que se fez pautar pelas rendas, redes, seda ou chiffon.

Alves/Gonçalves

Alves/Gonçalves

O desfile começou com peças em tons de preto, desde as capas – num tecido a fazer lembrar o impermeável – a botas e saias. A transição para peças mais leves fez-se a partir do branco e do azul-escuro, ainda a manter o estilo inicial.

De seguida, tons azuis, brancos e rosas metalizados e padronizados marcam os coordenados, todos eles saias ou vestidos. O desfile encerra ainda de forma mais subtil, com as rendas, num vestido único usado pela já reconhecida modelo Maria Clara, que parece ter sido aliás a escolha predileta da dupla, envergando três das suas criações.

 

 

Texto: Serenela Moreira e Francisca Dias Real
Fotografia: João Marcelino