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Foto: divulgação

A Lua de Joana: a face nua e crua da ‘lua’ de Maria Teresa Maia Gonzalez

O famoso livro A Lua de Joana de Maria Teresa Maia Gonzalez inspirou Ricardo Barceló a adaptar a história para teatro e o Espalha-Factos não quis faltar ao espetáculo que esteve em cena de 29 de setembro a 9 de outubro, no Teatro Turim, em Lisboa.

Foram poucos os dias que esteve em cena, no entanto não quisemos perder a oportunidade de nos deslocarmos até ao teatro para assistir à interpretação das jovens atrizes Joana Rodrigues, Beatriz Benvido e Melissa Logrado.

A Umbigo – Companhia de Teatro pegou neste que é um dos livros mais conhecidos da autora portuguesa, e procurou adaptar a sua história que aborda o delicado tema da toxicodependência.

Com o objetivo de desconstruir a personagem principal e a trama de A Lua de Joana, Ricardo Barceló procurou apresentar uma outra perspetiva do envolvimento de Joana no mundo da droga e, assim, proporcionar-nos não só um vislumbre do que de facto acontece durante o percurso, mas também dos processos emocionais, psicológicos, motivacionais e comportamentais que surgem pelo caminho.

Joana, ao contrário do livro, e quem o leu percebe as diferenças, surge transformada… Uma Joana «sem filtros», como nos explicou o próprio dramaturgo e encenador.

Uma Joana «sem filtros»

Ao longo da peça fomos confrontados com três diferentes Joanas. Uma que é quase sempre, do início ao fim, Joana, e as outras duas que saltitam de personagem em personagem.

Por outro lado, as três atrizes interpretam também vertentes distintas da personalidade de Joana que, apesar de presentes no livro e nas cartas que ela escreveu a Marta à medida que vai vivendo o seu dia a dia, não são tão óbvias como aquelas que assistimos enquanto parte da plateia.

As várias componentes da personalidade e vida de Joana, em confronto umas com as outras, permitiram-nos acompanhar o desenrolar da narrativa e compreender o caminho da sua amiga Marta e o seu próprio destino trágico.

A desconstrução e interpretação da obra literária

Marta morre de overdose depois de entrar no mundo das drogas. Joana, a sua melhor amiga, desde aí nunca mais foi a mesma. O seu único apoio é a sua avó que, mais tarde, morre também. Diogo, irmão de Marta e a paixão de Joana, sofre com o desfecho que teve a curta vida de sua irmã e acaba também ele por se tornar toxicodependente. Joana começa a namorar com Diogo e acaba por se envolver no mesmo meio.

Por esta ser uma história sobre problemáticas juvenis e suas consequências, este é só por si um tema delicado. Ainda mais quando Joana, a personagem principal, chega mesmo a entrar numa grave depressão por tudo à sua volta estar a desabar aos poucos.

À conversa com Ricardo Barceló, este contou-nos que foi Joana Rodrigues e Beatriz Benvido que lhe apresentaram esta ideia há cerca de um ano atrás e, desde aí, que têm então trabalhado no projeto, que teve tanto de aliciante como de exigente, mas cujo resultado final cumpriu os seus objetivos e nos deixou sempre com o olhar fixo no palco.

Apesar do formato original e diferente desta peça, a atuação das três atrizes permitiu-nos desde logo perceber o conceito proposto pelo encenador, sem nunca por um segundo nos deixar baralhados ou confusos com a personagem ou a cena em causa.

Para os fãs do livro ou para aqueles que nunca leram esta obra de Maria Teresa Maia Gonzalez, esta é uma interpretação diferente da história original que nos revela uma Joana bem mais liberta e com os sentimentos à flor da pele. Uma peça que, se voltar a cena, seja no palco do Teatro Turim ou noutros palcos do país, não deves perder.

Vertente educativa

A obra original, destinada ela própria a adolescentes, tem claro o seu lado educativo por ser uma forma de alertar os jovens para esta problemática que muitas vezes, sem estarem à espera, lhes pode bater à porta. Esta produção da Umbigo – Companhia de Teatro é também ela, e ainda mais já que mostra uma vertente mais dura e simples, a peça ideal para introduzir o tema nas escolas. Como tal, a companhia mostrou-se disponível para sessões escolares, podendo ser contactada para o email [email protected] ou pelos telefones 968 705 721/916 617 601.

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