O Filho da Treta estreou no dia 14 de setembro no Auditório dos Oceanos, no Casino de Lisboa, e estará em cena até ao próximo dia 30 de outubro. O Espalha-Factos assistiu e vem levantar o véu da sequela dAs Conversas da Treta.
José Miguel Gomes e António Machado sobem ao palco como Zézé – já bem conhecido do público – e Júnior, o filho de Toni. Com a plateia bem preenchida, as luzes do auditório baixam, as do palco acendem, a melodia cómica faz-se ouvir e a peça começa.

Enquanto Júnior luta para tentar travar a sua bicicleta desmontável quase incontrolável, Zézé senta-se e adormece. O seu telemóvel toca, é do concurso das patacas. Júnior finge a chamada para o acordar e fá-lo acreditar que vai enriquecer com o concurso. Depois de discutirem a especial apetência de Zézé para dormir durante longos períodos de tempo, o filho de Toni arranja uma cadeira e senta-se ao seu lado. Num palco todo preto, dois focos de luz iluminam as cadeiras onde ambos se sentam.

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Foto: Divulgação

A memória de Toni a ligar as duas gerações

O diálogo passeia por temas bem conhecidos da plateia, como a guerra dos tuk tuk, táxis e uber, o desemprego, os colégios privados, as start-ups – ou “tarter-ups” para Zézé -, o veganismo, a comunidade LGBTQ, os refugiados, a emergência do gourmet, o tinder, a Guerra dos Tronos, Gustavo Santos, Ricardo Salgado e tantas outras pérolas da atualidade.

Os dois indivíduos representam duas gerações. É Toni, ou a sua memória, que os liga. Assiste-se a um debate descontraído e bem temperado com o humor expectável. Aliadas a um texto atual e cativante,  as prestações de José Pedro Gomes e António Machado foram irrepreensíveis. O melhor amigo e o filho de Toni, lado a lado, deixaram a treta acontecer, conquistando o público saudoso nos primeiros minutos.