prémio nobel da literatura
Foto: Nobel Prize

Falta de consenso adia anúncio do Prémio Nobel da Literatura

Estava prevista para esta quinta-feira o anúncio do Prémio Nobel da Literatura, na mesma semana que os restantes galardões deste ano. Porém, a entrega deste foi adiada, no que muitos acreditam ser devido à falta de consenso do júri.

Esta semana a Fundação Nobel já divulgou três dos homenageados pela edição deste ano do prémio internacional, que todos os anos galardoa pessoas cuja obra possibilitou um avanço científico ou cultural na sua área.

Após serem conhecidos os Prémios Nobel da Medicina, Física e Química, quinta-feira teria sido altura de se conhecer o Prémio Nobel da Literatura deste ano – mas este foi adiado, possivelmente para dia 13 de outubro.

Duas possibilidades avançadas à TSF apontam para uma falta de consenso do júri, devido ao autor a premiar este ano ser “especialmente controverso“, ou para uma revisão sobre a origem ou sexo do vencedor – visto já correr a discussão sobre a preferência histórica por autores do sexo masculino provenientes de países ocidentais.

Em declarações segundo o Diário de Notícias, a secretária-permanente Sara Danius garante que o atraso não tem a ver com um impasse do júri, mas com o facto de as reuniões da Academia para a decisão do vencedor terem começado “excecionalmente tarde” este ano:

O atraso não tem a ver com uma divergência interna. (…) O comité apresentou as decisões, os membros tomaram posição e segue-se a votação na quarta reunião, onde a decisão é tomada. Esta é a regra, que não deverá ser alterada. A decisão final surge às 10.00 da segunda -feira da semana em que se realiza o anúncio.

Porém, a última reunião não se chegou a realizar e não há garantias que os membros do júri tenham disponibilidade de agenda para se reunirem na próxima segunda-feira, como seria de esperar.

A premiação de Svetlana Alexievich, em 2015, também esteve na origem de controvérsia. (Foto: Getty)
A premiação de Svetlana Alexievich, em 2015, também esteve envolta em controvérsia. (Foto: Getty)

Muitos apontam Danius como origem do impasse – recente membro da Academia, o júri pode não estar de acordo as suas orientações sobre o perfil do galardoado, como ocorreu o ano passado com a premiada Svetlana Alexievich, escritora de não-ficção, que muitos consideram como não sendo literatura. Danius defendeu a sua premiação, considerando a sua obra “um monumento ao valor e ao sofrimento do nosso tempo“, em comunicado oficial da Academia ao La Nacion.

Rumores deste cariz, aliados ao facto de que já há muitos anos que não se dava um adiantamento como este, levam a comunidade literária a acreditar que há mais por detrás deste acontecimento do que uma questão de agenda.

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