Uma tertúlia decorre na propriedade de Leal da Câmara. Estamos em 1923, poucos anos depois da implantação da República. Ainda se fala do regicídio, de nobres, de uma revolução que podia não ter acontecido. Há um grito. Sobressaltos. Alguém foi “brutalmente” assassinado. O criminoso está dentro daquela casa. Ninguém pode sair até tu conseguires descobrir que cometeu o homicídio. Estás pronto para descobrires quem é o assassino do Crime na Casa Museua partir de dia 7 de outubro?

O aviso é feito por uma voz na escuridão. “Algo de aterrador irá acontecer em breve”. Júlia Azevedo (Adriana Moniz) e Leal da Câmara (Michel Simeão) são os anfitriões da festa. O ambiente ainda é assombrado pela recente chegada da República a Portugal e do direito de voto das mulheres em Inglaterra. Amélia (Joana Sapinho) e Carlos Pelourinho (Jan Gomes) são convidados e um casal peculiar. Se ele é um monárquico declarado, ela convive com artistas da vanguarda.

Cândida Bastos (Rita Ruaz) é uma apaixonada pelo seu mestre, Leal da Câmara. Júlia não gosta desse sentimento. Manuel de Sá (Miguel Mateus), também convidado, é um apaixonado por Cândida. Por isso, conta-lhe algo de surpreendente: Diamantina dos Santos (Luísa Fidalgo), a empregada, esteve envolvida no regicídio ao rei D. Carlos.

Os ânimos começam a aquecer. E os indícios surgem. A empregada mete raticida no jardim. Júlia deixa cair um lenço com sangue. Amélia está sobressaltada diz que Cândida não é de confiança. Leal da Câmara não gosta da proximidade da sua discípula. Carlos tem um segredo que não pode ser revelado. Surge a notícia: Cândida foi assassinada por alguém naquela casa.

Nesta peça de teatro, és tu que descobres o assassino

É aqui que começa o jogo. Através do teatro e da entrada na cena, cada espectador tem de se colocar na história e descobrir quem matou Cândida. O percurso pela Casa Museu Leal da Câmara, na Calçada da Rinchoa, 67, em Sintra, tem cerca de 1h10. Esse é o tempo para através de indícios, jogos de sorte ou azar, perícia e observação e cenas secretas, se desvendar o mistério.

“Aqui o investigador é o público”, diz o encenador do Teatro Reflexo,  Michel Simeão. Depois de muitas sessões esgotadas com o teatro imersivo Casa Assombrada, em Queluz, volta a um projecto de 2008. O projecto Crime na Casa Museu surgiu há oito anos por convite da Câmara Municipal de Sintra.

Quem será o assassino? As pistas estão lá, basta explorá-las. Foto: Beatriz Ferreira

Quem será o assassino? As pistas estão lá, basta explorá-las. Foto: Beatriz Ferreira

Agatha Christie, Hitchcock ou o jogo Cluedo são inspirações, mas não se pegou a elas e até evita ler demasiado durante o processo criativo. Michel Simeão adianta que a linha da história “saiu da sua cabeça”. Nem a alusão a Leal da Câmara permaneceu impune à sua imaginação. “Apesar de ser uma personagem real e existirem traços, como a sua luta contra a monarquia,esta história nunca aconteceu”, afirma.

As sessões decorrem nas sextas e sábados, em dois turnos, cada um com 25 pessoas, às 21h00 e às 23h00. O custo do bilhete é de 15 euros. Até ao momento, as sessões já se encontram esgotadas em outubro e novembro, mas podes tentar a tua sorte neste jogo a partir deste e-mail: [email protected] .