Paris é uma das cidades mais famosas do mundo. A capital francesa é sinónimo de romance, história e grandiosidade. É difícil ficar indiferente a esta cidade onde, ao virar da esquina, está sempre algo fascinante a descobrir.

Quando já não é a primeira vez que se visita a cidade da luz, há que procurar novos lugares da cidade, para além da popular Torre Eiffel, do Arco do Triunfo e do Museu do Louvre. Assim, proponho este roteiro que permite viver Paris de uma forma um pouco diferente, mas igualmente fabulosa.

Começando a visita pela margem esquerda do Sena, sugiro um pequeno passeio pelo Jardin du Luxembourg. Este é o maior jardim de Paris e pertence ao Palácio do Luxemburgo. Flores, estátuas e fontes decoram o belo jardim, tornando-o perfeito para relaxar, sentar-se nos bancos e cadeiras a degustar uma refeição ao ar livre, a ler um livro, ou simplesmente a desfrutar o sol.

Saindo do jardim para a Rue de Médicis, podemos encontrar alguns cafés pâtisseries tipicamente parisienses. Seguindo em frente, pela Rue Soufflot, encontraremos o imponente Panthéon. Para os estudantes a entrada é grátis, portanto não custa mesmo nada aproveitar a oportunidade para contemplar a arquitetura deste edifício do século XVIII.

Ao sair do Panteão, há duas alternativas: mergulhar no coração do Quartier Latin e explorar as suas ruas, onde se pode encontrar de tudo um pouco, desde lojas a restaurantes e cafés; ou optar por descer a Boulevard Saint-Michel em direcção ao sena. Atravessando esta avenida podemos encontrar a capela da Sorbonne, o Musée de Cluny (Museu Nacional da Idade Média) e o Jardin Médiéval. 

Entretanto vamos precisar de recuperar energias com uma boa refeição. Estamos em Paris e a oferta é tudo menos escassa. Contudo, para uma experiência verdadeiramente parisiense, sugiro uma visita ao Café de Flore (172 Boulevard Saint-Germain, 75006 Paris, França – Metro: Mabillon e Saint Germain des Près).

Este é um dos mais antigos cafés de Paris. No século XX era frequentado por figuras importantes da época, como os escritores Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre e Albert Camus. A escassos metros, localiza-se Les Deux Magots, outro icónico café, que em tempos foi o favorito de artistas como Pablo Picasso e Ernest Hemingway. Devo alertar para os preços elevados das refeições – paga-se realmente bem pela experiência, mas vale a pena. Ainda hoje estes cafés se enchem de parisienses, incluindo os mais excêntricos, o que é sempre curioso de observar.

Regressando a Saint-Michel, sugiro uma visita à Shakespeare and Company, uma antiga livraria dedicada a livros de língua inglesa perto da margem do Sena (37 Rue de la Bûcherie, 75005 Paris, França). Apesar de não ser uma experiência muito francesa, é certamente um marco parisiense, pois era o local de encontro de importantes autores ingleses que viviam na cidade, como Ernest Hemingway e James Joyce. Atualmente, também os realizadores americanos têm mostrado interesse nesta pequena loja, figurando-a nos seus filmes, como é o caso de Antes do Pôr-do-Sol, de Richard Linklater e de Meia noite em Paris, de Woody Allen.

Aproximando-nos da Quai Saint-Michel, podemos aproveitar para deambular um pouco pelos diferentes Bouquinistes na margem do Sena, onde se podem encontrar livros em segunda mão. Esta é uma tradição que remota ao século XVI. De seguida basta atravessar a Petit Pont para chegarmos a um dos pontos mais famosos da cidade: a Catedral de Notre Dame. Para garantir a próxima viagem a Paris é obrigatório pisar a estrela que está no chão da praça, no exterior da catedral.

A melhor forma de ver Paris é, sem dúvida, a andar. Se ainda restarem energias, uma “curta” caminhada (de 2kms e uns quantos metros) pela margem esquerda do Sena irá levar-vos ao Musée D’Orsay (tal como uma rápida viagem de comboio).

Hoje, este edifício do final do séc. XIX alberga milhares de obras de arte. Curiosidade: quando foi construído era uma mera estação de comboios, conhecida por Gare de Orsay. Neste museu encontram-se algumas das pinturas mais famosas de meados do século XIX e princípios do século XX. Podemos ainda visitar a famosa sala do relógio, de onde se pode contemplar Paris de uma perspetiva bastante interessante.

Ser turista cansa e, portanto, ao final do dia, merecemos todos um miminho. Já que estamos em Paris temos de tirar o máximo proveito da nossa viagem. Por isso vamos de metro até ao Arco do Triunfo, tiramos a foto da praxe e seguimos para a avenida mais famosa de Paris: os Champs-Élysées.

Aqui, para além de imensas lojas onde podemos esgotar os saldos dos nossos cartões de crédito, podemos encontrar a icónica Ladurée. Os macarons são, sem dúvida, a imagem de marca da pastelaria de luxo. Porém, existem muitas outras opções, extraordinariamente eficazes na caça-ao-turista. Foi assim que acabei por provar a Tarte Passion Framboise. Será impossível esquecer esta pequena tarde, tanto a nível gastronómico como financeiro.

Se tentarem levar a cabo este “pequeno” roteiro espero que usufruam bem dele e que aproveitem Paris ao máximo. Podem odiar-me por não sentirem os pés, ou ficarem eternamente agradecidos pelas dicas (quero acreditar que há uma maior probabilidade de sucesso). Infelizmente (e felizmente), Paris não se reduz ao que expus anteriormente, e portanto ainda deixarei mais algumas sugestões que, como é óbvio, não precisam de ser esgotadas apenas num dia.

No outro extremo da avenida Champs-Élysées encontramos a Place de la Concorde. Esta é uma das principais praças de Paris, onde encontramos a célebre Roue de Paris (uma roda gigante) construída para as celebrações do milénio.

A praça liga-se, a este, com o Jardin des Tuileries. O agradável e bonito jardim acolhe o Musée de L’Orangerie. A sua visita é especialmente recomendada aos amantes do impressionismo, particularmente de Claude Monet. Os seus incríveis painéis Lês Nymphéas estão expostos em duas salas ovais, onde podemos aprecia-los em 360º.

Finalmente, Montmartre, uma das zonas mais bonitas de Paris. No topo de uma colina, a Basilique du Sacré-Coeur (Basílica do Sagrado Coração) oferece uma vista maravilhosa da cidade.

A não perder também, a Place du Tertre, que é a praça principal onde vários pintores trabalham e expõe os seus quadros. Quase que sentimos que voltámos atrás no tempo, vivendo uma época de artistas, marcada pelo boémio, a verdadeira magia parisiense. Ponham a vossa boina francesa e deambulem pelas ruas. Afinal de contas, somos turistas e já que estamos Paris, mais vale aproveitar e viver os clichés.

Fotografias © Maria Ana Campos & Mariana Filipe