Fazer uma perspectiva da dança contemporânea. Esta é a proposta da Quinzena de Dança de Almada. Jovens que estão a aparecer. Coreógrafos já consagrados que estão a criar novas linguagens. Serão estas duas das formas de dar a conhecer a arte da dança em Almada, de 29 de Outubro a 22 de Outubro.

Pela 24.ª vez, Almada é palco de dança contemporânea. Os desafios vão mudando, crescendo, mas Ana Macara, directora artística da quinzena, gostava que este ano o público da cidade viesse ainda mais ao festival. Estratégia? “Conseguir agarrar as pessoas na rua e move-las para o teatro.”

Entre o exterior e o teatro, os novos criadores e os já experientes, espetáculos mais artísticos ou outros mais comerciais, fazemos um percurso pela programação com a ajuda da directora artística.

A Estreia da Companhia de Dança de Almada

“A Companhia de Dança de Almada já tem um público muito fiel”, afirma. Fiel é também um espetáculo da companhia na Quinzena de Dança. Coreografado por São Castro, The Art of Losing tem como ponto de partida um poema da norte-americana Elizabeth Bishop. A memória, a perda e corpos que se movem serão dançados nos dia 29 e 30 de Setembro, no Teatro Joaquim Benite, pelas 21h30. “Vai de certeza ser muito marcante na carreira da companhia”, aposta Ana Macara.

Novos criadores

Produzir um espetáculo de dança não é fácil e a Quinzena de Dança de Almada cria condições para que novos criadores o possam fazer. “Esperamos que seja mesmo uma rampa de lançamento para alguns jovens”, aponta Ana Macara. A directora artística destaca a peça L’Veltro, de Bruno Duarte e Elson Ferreira.

“Acreditamos que são jovens que têm capacidades para desenvolver o seu trabalho”, salienta a directora artística. Os criadores serão também intérpretes de uma peça que tem como mote Inferno, de Dante. O espetáculo acontece no Cine-Teatro Academia Almadense, no dia 4 de outubro, seguido de uma conversa com o público.

Foto: Divulgação

Bruno Duarte e Elson Ferreira estreiam L´Veltro. Foto: Divulgação

De mais jovens se faz a Quinzena de Dança e Ana Macara destaca também Ponto Zero, de Carolina Cantinho e Margarida Cantinho. Assim como And now you´re really in the total animal soup of time, de Catarina Morla. Ambos os espetáculo estarão presentes no terceiro dia da Plataforma Internacional, 21 de outubro, no Teatro Municipal Joaquim Benite, às 21h30.

Plataforma Internacional- Peças para todos os gostos

Foram 300 as propostas à Plataforma Internacional da Quinzena de Dança. Foram escolhidas cerca de 15. Dividida em três dias e quatro sessões, junta peças da Alemanha, da Hungria, do Brasil ou de Portugal. E para quem quiser experimentar ver dança contemporânea, este é um bom plano.

Ana Macara destaca algumas das peças incontornáveis. No dia 20 de outubro, Charon, da alemã Julia Maria Choch vai estar no Teatro Joaquim Benite. Para quem gostar de figurinos que se transformam em cenário pode assistir a Tachyon, da húngara Rita Gobi, no dia 21 de outubro. Mas se a qualidade técnica for o que o atrair, pode assistir a Principiar, de Anacã Cia. de Dança, no dia 22.

Rita Gobi traz a Almada uma peça que joga com os figurinos. Foto: Divulgação

Rita Gobi traz a Almada uma peça que joga com os figurinos. Foto: Divulgação

Um espetáculo para quem goste de apreciar a técnica

A Compagnie 47.49 François Veyrunesm volta a Almada um ano depois. Um dos espetáculos será Tendre Achille, no Auditório Fernando Lopes.Graça, às 21h30, no dia 7 de Outubro. Para Ana Macara este é um espetáculo para quem já entenda de dança e goste de a analisar.

A companhia francesa volta a Almada para dançar Tendre Achille. Foto: Divulgação

A companhia francesa volta a Almada para dançar Tendre Achille. Foto: Divulgação

Locais fora do teatro

Também é esta companhia que levará um espetáculo à Casa da Cerca.“Este é um espaçomuito apelativo, em que podemos apreciar a vista para Lisboa, assim como ver a dança contemporânea de um francês que está completamente atual na maneira como se perspectiva na dança”, recomenda Ana Macara. Follow-up on Tendre Achille – Au plus près du monde é apresentado às 17h, no dia 8 de outubro.

Mas não acaba aqui. O segundo dia da Plataforma Internacional, 21 de outubro, também se faz na rua, mais propriamente na Praça da Liberdade, em Almada. “As pessoas passam e tomam contacto com algo que de outra forma não iriam ver ao teatro”, indica a directora artística. As apresentações estão a cargo da Escola da Companhia de Dança de Almada e de Miguel Tornero& Miguel Ángel Punzano.

A Praça da Liberdade recebe um dueto. Foto: Divulgação

A Praça da Liberdade recebe um dueto. Foto: Divulgação

Reviver o Ballet Gulbenkian

Memórias da dança contemporânea também estão na Quinzena de Dança. Quem se lembra de Elisa Ferreira a dançar no Ballet Gulbenkian? Para quem quiser recordar ou ver pela primeira vez, a bailarina dançará um solo no dia 8 de outubro, às 21h30, no Auditório Fernando Lopes-Graça. A ela junta-se a francesa Lidia Martinez e a italiana Francesca Selva. “A dança é muito efémera, ou vemos agora, ou pode ser tarde de mais.” É o conselho de Ana Macara.

Experimentar e aprender

“A nossa táctica passa muito pela proximidade do público com a criação de dança”, indica Ana Macara. Como tal, há aulas e workshops para amadores e profissionais. Miguel Santos, bailarino da Companhia de Dança de Almada, dá uma aula aberta para jovens e adultos com ou sem formação em dança. No dia 18 de outubro é a vez de Kavitha Krishnan leccionar Workshop de Bharatanatyam – Tradições dos bailarinos do templo, para jovens entre os 10 e os 14 anos, com formação em dança. No dia seguinte, os destinatários serão jovens e adultos também com formação em dança.

Miguel Santos dará uma aula aberta para jovens e adultos. Foto: Divulgação

Miguel Santos dará uma aula aberta para jovens e adultos. Foto: Divulgação

Enzo Celli, do Vivo Ballet, dará um workshop de dança contemporânea para profissionais e estudantes avançados em dança. Tendo como foco o mesmo público, Julia Maria Koch lecciona um workshop sobre técnica de dissociação. Por fim, Edy Wilsonde Rossi, da Companhia de Dança Anacã, dá um workshop de dança jazz.

Videodança gratuita

Como forma de chegar a mais gente, a mostra de videodança continua a ser gratuita. Este ano, será comentada pela coreógrafa brasileira Andrea Snizek e Ana Macara no dia 5 de outubro na Livraria Ler Devagar, Lisboa, às 18h30, e no Cine -teatro Academia Almadense, no dia 13 de Outubro, às 15h00. São seis sessões distribuídas pela Fnac Colombo (1 de outubro), Fnac Amada (4 de outubro), Livraria Ler Devagar, Cine-teatro Academia Almadense, Fnac Vasco da Gama (13 de outubro) e Fnac Chiado (14 de outubro). Há trabalhos da Alemanha, Áustria, Brasil, China, Estados Unidos, Indonésia ou Itália.

Nem sempre a dança contemporânea chega ao grande público e a Quinzena de Dança de Almada é uma forma de o fazer. “A arte contemporânea não é uma forma de comunicação de forma imediata e que toda a gente tenha de compreender logo à partida”, explica Ana Macara. O objectivo é para que cada vez mais o público compreenda e venha ter com esta arte e consiga fruir com o que vê e descobre.