RTP: Luís Marinho acusa, Daniel Deusdado desvaloriza

O diretor de programas da RTP1 escusou-se a fazer grandes comentários à entrevista de Luís Marinho ao jornal i. À margem da apresentação das novidades da estação pública para a nova temporada, Daniel Deusdado desvalorizou o assunto e defendeu-se das críticas do antigo diretor-geral de conteúdos da RTP, que abandonou a empresa na semana passada.

A grelha é tão importante para nós que o resto é minoritário. Só posso dizer, no meu caso em particular, que mais transparência e escrutínio é impossível“, respondeu o responsável pela RTP1 ao Espalha-Factos.

Em entrevista ao jornal i, Luís Marinho considerou “eticamente reprovável” o convite a Nuno Artur Silva e a Daniel Deusdado para as funções que ocupam na RTP. No caso do diretor de programas da RTP1 está em causa a ligação da sua mulher, Arminda Deusdado, à Farol de Ideias, produtora da qual Daniel Deusdado foi diretor-geral e sócio até ter assumido o seu cargo na estação pública.

O ex-administrador da RTP defendeu que a situação de Nuno Artur Silva e de Daniel Deusdado devia ser avaliada do ponto de vista legal, e que “teria caído o Carmo e a Trindade” se o mesmo acontecesse em administrações anteriores. “Isto tem de ser explicado e o Conselho Geral já se devia ter pronunciado há que séculos sobre esta questão“, defendeu Luís Marinho.

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Luís Marinho saiu da RTP e não poupa críticas à gestão da empresa.

“Às vezes temos de sacrificar um pouco a audiência para cumprir o orçamento”

A estratégia de programação da RTP também foi duramente criticada por Luís Marinho, que traçou um retrato negro das audiências da estação pública. “Tirando um ou outro dia em que há futebol, a RTP está abaixo dos 10% de audiência, ou seja, está a atingir o nível mínimo”, alertou Marinho.

Questionado sobre os baixos resultados da RTP1 nas últimas semanas, Daniel Deusdado desdramatizou. “Nós tivemos alguns dias em que fizemos 9 e tal [pontos de share]. A média do mês não foi abaixo dos 10%. Tivemos duas semanas a seguir aos Jogos Olímpicos em que, em alguns dias, fizemos 9 e tal“, explicou o diretor de programas ao Espalha-Factos.

Deusdado justificou a má performance do primeiro canal com a necessidade de cumprir as metas orçamentais num ano em que a RTP teve em antena o Euro 2016 e os Jogos Olímpicos. “Se olharem para a grelha, o que veem no horário das 22h e das 23h é programação com investimento menor“, salientou o responsável pela RTP1. “As pessoas ficam com a ideia de que nós conseguimos esticar o dinheiro para tudo. Não é possível, às vezes é preciso poupar numas alturas para investir noutras“, concluiu.

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