Galgo (12)
Luís Pereira

Indie Music Fest: Venha quem vier, é a música que nos une

O segundo dia do Indie Music Fest amanheceu bem mais quente e com promessas de um dia ainda mais diversificado e memorável do que o primeiro. Com o dobro das bandas em cartaz em relação ao primeiro dia, 2 de setembro foi dia de Basset Hounds, Alek Rein, Galgo, Riding Pânico e dos promissores PAUS. É na sombra do Palco Antena 3 que Desligado, típico one man show, começa o seu set alternativo, introspetivo e, de alguma forma, relaxante. Com uma guitarra eléctrica, pedais e provavelmente magia, Desligado (cujo nome civil se desconhece) faz uma proposta irrecusável: “A minha proposta é desligarmo-nos de tudo aquilo a que nos ligamos e aproveitarmos as árvores, a sombra e a música”.

Assim foi o nosso momento de transe, que nos fez descansar o dia de loucos que se seguiria. Chibazqui fazem as honras do ritmo e da dança no Palco Cisma, com um certo pop rock e muito boa energia, que arranca o público das cinco da tarde do sossego das tendas. Mais tarde, migramos de volta para o Palco Antena 3 para testar O Bom, o Mau e o Azevedo, um dos nomes desconhecidos do nosso cartaz.

O Bom O Mau E O Azevedo (1)

É rock instrumental não muito pesado e perfeito para um pé de dança ao fim da tarde, porque há toda uma vibe groovy no ar que simplesmente não se pode ignorar, como comprovaram os nossos indies.

Depois de uma introdução um pouco mais agressiva – mas bem recebida – dos About Size no Palco Cisma, coube aos Basset Hounds a missão de inaugurar o palco principal do Indie Music Fest. O espaço cheio já antes de começar o concerto faz notar que são ansiados pelo público, resta saber se pela qualidade da música ou pela popularidade do nome.

Os Basset Hounds começam ainda um pouco dormentes, competentes no que tocam mas sem qualquer interação com o público, que só começa depois de um suporte de microfone partido e de alguma agitação. “É um gosto enorme estar aqui a tocar para vocês. O espaço é lindíssimo e vocês também!”, dizem.

Basset Hounds (1)

Como membro do público na maioria dos concertos, devo dizer que aprecio sempre um elogio coletivo. Bossa, o single mais recente da banda, é a canção mais conhecida e aquela que o grupo considera eficaz para um engate, ainda que só tenha provocado um círculo da amizade de dança.

Segue-se Arabica, uma das últimas canções desta actuação, em que decorre todo um comboinho de pessoas pelo espaço inteiro. Estão felizes. O palco Indie Music Fest prepara-se para receber Alek Rein, nome heterónimo de Alexandre Rendeiro. Num registo mais leve, perdido algures entre o folk e o rock mas ainda assim suficientemente diferente do que temos ouvido no festival, a banda conquistou a plateia curiosa. Não despoleta mosh pits, mas arranca passos de dança; são de poucas palavras, mas de muita (e boa) música.

Galgo (17)

Os Galgo ganharam a noite – nem sequer me sinto mal de ter dado o spoiler desta maneira – com o melhor concerto do Indie Music Fest de sempre e que vai ser dificílimo de superar. A música sabe a rock alternativo, mas o estilo dos Galgo é demasiado particular para poder ser descrito assim. Se por um lado estamos a saltar e abanar a cabeça desenfreadamente, logo a seguir estamos a dançar uma batida irresistível de forma possivelmente duvidosa. Os frequentes crowdsurfings, a quase cedência das grades e a loucura na dança da plateia faz-nos duvidar se o fumo é só um efeito, ou se os Galgo fizeram o Bosque do Choupal arder.

É hora de Riding Pânico no palco principal, a banda cuja percentagem de membros de PAUS é 50%, com Fábio Jevelim e Makoto Yagyu. Quanto mais alta vai a noite, mais os indies apreciam uma boa dose de rock instrumental com uma boa batida, como é o caso dos Riding Pânico; como é quase o caso dos Granada, não fosse Davide Lobão o nosso cantador de histórias preferido, seja a solo ou acompanhado.

Os Granada contam com uma boa base de fãs no Indie Music Fest, que se recusam a deixar o Palco Cisma por muito que o palco principal se encha na espera por PAUS. Mitra é o álbum mais recente dos PAUS e aquele que começamos por ouvir no início do concerto. Esta é facilmente a atuação mais esperada do dia; não me lembro de ver o palco principal tão cheio desde a vez dos Linda Martini, na edição passada do Indie Music Fest.

Paus (9)

Hélio Morais dá as boas noites ao Indie, que responde com gritos e assobios (porque é difícil não parecermos groupies, de vez em quando) e admira a energia incansável dos PAUS, que nos presenteiam com Pela Boca, Mo People e Fumo. Já perdemos a conta às pessoas que surfaram pelo público quando Hélio nos faz aquela declaração de amor que tanto queríamos: “O ano passado estivemos cá com os Linda Martini. Vocês ajudaram-nos a dar um concerto do c****** e hoje vai ser igual!

E foi igual ou melhor. O segundo dia do Indie Music Fest termina com Ghost Hunt no Palco Antena 3 e UNO, Rompante e Pixel 82 no after da Cubo Records Showcase.

Fotografia: Luís Pereira

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