O Principezinho, da Byfurcação – Associação Cultural, encontrou o palco perfeito, nos jardins do Museu Nacional de História Natural e da Ciência. Uma peça adaptada para crianças a partir do clássico de Antoine de Sant-Exupéry.

De pintor a aviador: o Saara e um livro para crianças

Le Petit Prince foi publicado, pela primeira vez, em abril de 1943. Escrito (e desenhado) por um escritor, ilustrador e aviador francês, acredita-se que tenha sido inspirado nas experiências de aviação do autor no deserto do Saara. É uma das obras literárias mais traduzidas no mundo inteiro, tendo sido publicado em mais de 220 idiomas e dialetos. Em Portugal integra o conjunto de obras sugeridas para leitura na disciplina de Língua Portuguesa no 2.º ciclo do Ensino Básico.

Sant-Exupéry conta como na infância queria ser pintor, mas acabou por se dedicar a uma carreira na aviação. Os adultos não percebiam os seus desenhos. Olhavam para uma jibóia que engolira um elefante e percecionavam um chapéu de traços desajeitados. Mais tarde, o aviador sofreu um acidente que o levou ao deserto do Saara. Esse incidente é descrito, pela primeira vez, no seu livro de memórias, Terre des Hommes, em 1939.

O Principezinho nos jardins do MUHNAC

Antes do espetáculo começar, um miúdo quis arrancar um flyer da peça que estava, até aí, sossegadamente colado a um quadro branco perto da bilheteira. A mãe disse-lhe que não podia ser e entregou-lhe um exatamente igual. Mas talvez aquele, novinho em folha, sem fita-cola no verso, não fosse tão especial. Ou as cores não lhe parecessem tão intensas. A verdade é que “quando nos deixamos cativar corremos o risco de chorar um bocadinho”. Por isso, como seria de esperar as lágrimas começaram a rolar pelo rosto, das suas pequenas janelas até às bochechas coradas.

Já sentadas num pequeno jardim, as crianças começaram a ficar mais irrequietas e os seus olhos fixaram com curiosidade o cenário. Uma roseira de papel, um avião vermelho e a superfície de um planeta com três vulcões e uma flor vaidosa. Três atores e mais de seis personagens. Um príncipe de caracóis longos e dourados. Habitantes estranhos, de planetas surreais. Figurinos de se lhe tirar o chapéu no que toca à originalidade. Palmas, palmas, palmas, diria um certo senhor.

A raposa, demasiado cor-de-rosa, insere uma canção infantil e divertida no meio do texto. Desafinada, mas com energia, encanta os mais novos. E, no fim da peça, pede que cantem todos juntos o refrão. Mas, voltemos atrás,  a onde tudo começa.

No deserto do Saara o autor conheceu (provavelmente em sonhos ou entre a desorientação) um pequeno príncipe, oriundo do asteróide B-612, que lhe pediu para desenhar uma ovelha. A partir desse momento, conversam sobre as crianças e os crescidos, sobre o amor e a amizade, a perda e a solidão. Os adultos querem ganhar dinheiro, exercer poder e ser admirados. Mas de que lhes serve, pergunta-se o pequeno príncipe? De que serve o dinheiro, o poder e a admiração se não tivermos uma rosa que amamos e que nos ama de volta?

Uma peça que, embora dirigida aos mais novos, é capaz de tocar os mais velhos. Não pelo cenário nem pelos figurinos, mas por não fugir a um texto intemporal e intergeracional. Em cena nos dias 3, 4, 10, 11, 17, 18, 24 e 25 de setembro. Sábados das 16h às 17h e domingos das 11:30 ao 12:30, no Museu Nacional de História Natural e da Ciência.