Pedro Coutinho Louro é o autor e encenador de Os Nossos Pecados. A comédia, que é sobretudo uma crítica social e política, desfiada pelos mais recentes sucessores de Deus e do Diabo, estreia dia nove de setembro, no Teatro Turim. O Espalha-Factos falou com o encenador que garante que adora fazer rir e que rir faz bem.

Espalha-Factos: Estás com um novo espetáculo, Os Nossos Pecados. É da tua autoria. Como se procedeu o processo criativo do espetáculo? Em que te inspiraste para o escrever?

Pedro Coutinho Louro: Os Nossos Pecados nasceu de uma vontade de apontar o dedo a alguns problemas da sociedade. De uma forma descontraída, falamos de vários temas. Política, religião, desporto, entre outros. O Texto baseia-se em “Deus” e “Diabo”, que eram duas personagens que eu sempre quis desmistificar e na atualidade dos portugueses. Gosto de escrever sobre a atualidade porque penso que o público se identifica mais.

EF: O que é que te deu mais prazer – escrever ou encenar?

PCL: Ainda não começaram os ensaios. Essa é uma pergunta que só te posso responder depois. Mas, à partida, a encenação é mais gratificante, porque é um processo de criação em equipa.

“Eu sou uma pessoa que adora rir. Faz bem rir.” – Pedro Coutinho Louro

EF: Além de humorista e, neste caso, autor e encenador, quem é Pedro Coutinho Louro?

PCL: Profissionalmente, o Pedro Coutinho Louro é actor. Com muito para aprender, seguramente. Em certa altura da minha vida, tive vontade de sair da minha zona de conforto, até porque sou apologista que devemos ser versáteis. Foi então que comecei a fazer stand-up comedy. Ainda faço, mas a minha casa é o Teatro. O Pedro é uma pessoa que adora estar em família e é amigo do seu amigo. Gosta de viajar, ir à praia, ouvir música, cozinhar. Uma pessoa que gosta de aproveitar as coisas simples da vida.

EF: Quando eras miúdo, gostavas mais de rir ou de fazer rir?

PCL: Boa pergunta. Eu sou uma pessoa que adora rir. Faz bem rir. Adoro ir ao Teatro e ver uma boa comédia. Ou mesmo um filme. Ainda assim, a sensação de estar em palco e fazer rir o público é algo indescritível.

EF: Qual é a tua formação académica? Está ligada ao teatro e ao stand-up?

PCL: Comecei a ter aulas de Teatro muito cedo. Tive a felicidade, sem saber o que queria ainda, de ter aulas no 3.º e 4.º ano. Quando acabei a escola, tive formação para Actores na Fame Fábrica de Artistas. Não fiz faculdade, mas nunca digas nunca. Embora não esteja nos meus planos futuros. Recentemente, fiz um workshop de escrita para audiovisual com o Luís Filipe Borges na Palavras Ditas. Em relação ao stand-up nunca tive uma formação própria.

EF: Quando é que percebeste que o teu lugar é no palco?

PCL: Embora tenha começado no Teatro muito cedo, estive um tempo afastado do meio, devido à escola e a outras atividades, nomeadamente o basquetebol. Quando voltei, profissionalmente, em 2012 com a peça A Noite de José Saramago, foi quando percebi que era isto que realmente queria fazer.

EF: Lembras-te do 1.º espetáculo a que assististe?

PCL: O primeiro de todos foi um espectáculo infantil. Era muito novo, já não me lembro do nome. Mas eram três atores, que estavam dentro de umas caixas enormes.

EF: Demorou muito até seres tu a pisar um palco?

PCL: Foi no final do 4.º ano. Era um espetáculo para os familiares dos alunos. Acho que desse grupo fui o único que seguiu Teatro. Tenho vagas lembranças, mas sei que tive poucas falas.

EF: Do teu 1.º espetáculo? Lembras-te se estavas nervoso?

PCL: De stand-up? Nervoso era pouco. As primeiras vezes foi num bar de um amigo, só para conhecidos. Mais tarde, comecei no Cinema City em Alvalade. Entretanto, já atuei em vários sítios, mas o mais marcante foi o Teatro Villaret.

“Acho que o Teatro não é tratado como merece.” – Pedro Coutinho Louro

EF: O que é que achas do panorama nacional quer do teatro quer do stand-up comedy?

PCL: Acho que o Teatro não é tratado como merece. Temos excelentes teatros, brilhantes atores que mereciam mais, muito mais. Na comédia Os Artistas e Elas, que estive a fazer o ano passado, falou-se um pouco sobre isso também. Temos que dar valor ao que é nosso. Quanto ao stand-up, teve uma ascensão enorme na altura do Levanta-te e Ri, onde apareceram comediantes muito bons. Nos últimos anos tornou-se moda, todos queriam fazer, apareceram alguns bons, mas na maior parte muito fracos. O meu favorito é sem dúvida o Bruno Nogueira. Como “one man show”, o mestre Herman José.

EF: Quem é que são os teus maiores exemplos no Teatro?

PCL: O José Pedro Gomes, que é um génio. Gosto muito do Fernando Luís, Joaquim de Almeida, Paulo Pires, Margarida Carpinteiro, entre outros. Sem nunca esquecer, os saudosos Camilo de Oliveira, António Feio e Nicolau Breyner.

EF: Agora, estás a fazer workshops de teatro para crianças, não é? Como é a experiência?

PCL: Vamos começar dia oito de outubro no Teatro Turim! Eu e o meu comparsa Luis de Portugal II vamos estar a lecionar. Para os jovens, dos seis aos 14 anos, que querem ter um primeiro contacto com o Teatro. Eu adoro crianças e adoro Teatro, por isso vai ser de certeza uma experiência inesquecível.

EF: Televisão. Já fizeste, gostas de fazer?

PCL: Fiz pouco. O Bolinha Vermelha,  talk show que apresentei no canal MVM. Foi sem dúvida uma das coisas que mais gozo me deu fazer a nível profissional. Entrevistar gente interessante, ter conversas giras, é muito bom. Gostava de voltar a fazer uma coisa do género, mas também tenho muita curiosidade para fazer uma personagem num elenco fixo de uma novela ou série.

EF: Mas ouvi dizer que teremos a oportunidade de te ver na caixinha mágica em breve…

PCL: Um artista tem sempre projetos! O Teatro e a Televisão são duas coisas a que nunca fecho portas.

Os Nossos Pecados estará em palco nos dias nove e 10, às 21h30, e 11 de setembro, às 16h, no Teatro Turim. No elenco, o próprio autor e encenador, Pedro Coutinho Louro, Luís de Portugal II, Catarina Mago, Mariana Portocarrera e Irís do Carmo.