Terminou o Vodafone Paredes de Coura e a última noite ficou marcada pelos concertos de Capitão Fausto, The Tallest Man On Earth e Portugal. The Man.

Em Coura, com ou sem paredes, somos de todas as cores, de todas as nações. Por isso nesta última noite da 24.ª edição do festival tivemos portugueses, norte-americanos com Portugal no nome, suecos, russos e escoceses e… Uma multiplicidade de sons e de gentes que fazem deste pequeno festival o paraíso dos festivais.

O fim de tarde deu-se com Capitão Fausto Têm Os Dias Contados e sabemos que a malta lisboeta está aí para ficar. Afinal foram os responsáveis pela maior afluência ao anfiteatro natural em horário pré-jantar e quem abandonou os mergulhos no rio não se deu por arrependido.

19 Capitão Fausto

Donos de uma estética e lírica perfeitas para consolar os desejos do público courense  mais pueril, as letras de temas como Morro na Praia, Tem de Ser ou Mil e Quinze foram entoados e sentidos a cada acorde. Os Capitão Fausto – também eles festivaleiros de Paredes de Coura – mostraram assim, uma vez mais, que são uma das bandas portuguesas mais relevantes da atualidade.

No palco Vodafone.Fm, os russos Motorama apresentavam-se ao Alto Minho depois de na mesma tarde terem participado nas afamadas Vodafone Music Sessions, no Santuário de Nossa Senhora da Pena. Com um som intimista e até mesmo sombrio o pós-rock devedor de uns Joy Division encheu o palco com as toadas de Poverty, último disco editado.

24 Motorama

Com uma mão cheia de EPs “home made” e a peculiaridade do vocalista Vladislav Parshin (quem não viu ali Ian Curtis?) os Motorama são a verdadeira banda independente e mesmo não tendo proporcionado grande movimento – em palco ou fora dele – ofereceram um bom concerto.

Este mesmo palco ainda receberia mais sons tépidos com os texanos Cigarettes After Sex, que não conseguiu encher a alma a um público que estando no último dia do festival queria dar tudo. No entanto, são uma banda a ter em consideração para audições mais cuidadas e que reforçam o papel do Vodafone Paredes de Coura como espaço para o conhecimento de novos grupos.

A energia que faltou no palco secundário foi, no entanto, produzida em doses alargadas por The Tallest Man On Earth (e até Quim Barreiros assistiu ao concerto!) que ainda não há muito tempo esgotou a Aula Magna em Lisboa. O sueco (que na verdade não é assim tão alto) teve o condão de com a sua competente banda ou sem ela – na verdade muitas vezes sozinho em palco com a sua guitarra – derreter a imensa plateia que o acolheu nas margens do Coura.

25 The Tallest Man on Earth

Kristian Matsson despe a sua alma cantando coisas da sua vida em temas como Fields of Our Home, Slow Dance, Darkness of the Dream ou Dark Bird Is Home, tema-título do último registo de originais lançado o ano passado. Pelo meio há uma intensidade e entrega únicas, por parte dele e por parte do público, juras de amor permanente, a importância de Portugal para o cantor e até o tema Sagres escrito numa passagem por Portugal e uma felicidade geral que, uma vez mais, comprova que o espaço deste festival é de facto inigualável.

De seguida outro “Man” ocupou o Palco Vodafone. Desta vez o Man de Portugal, e pese embora a curiosidade consta que escolha do nome da banda foi totalmente aleatória.

Há várias influências musicais no som de Portugal. The Man o que faz com que as suas músicas soem por vezes um atabalhoado de referências mas o seu cunho é mesmo esse: “fazer à nossa maneira”. É aliás esse espírito que faz com que o homem que à partida seria o frontman da banda – Zach Carothers, dono de um falsetto absolutamente fabuloso – passe o testemunho ao guitarrista John Gourley e não abra a boca a não ser para cantar.

É precisamente Gourley, que dá as segundas vozes, que não se cansa de elogiar Paredes de Coura, o festival e o nosso país. Sublinha como é incrível o sítio e as pessoas, relembrando a passagem pelo Taboão em 2009, dia em que tocaram com Peaches e Nine Inch Nails. Diz mesmo “obrigado literalmente por tudo”, invocando certamente o nome que acabaram por escolher para dar à sua banda.

Desfiando tema atrás de tema – e que arranque com Hip Hop Kids e Atomic Man – a banda do Alasca centra-se no último disco editado, Evil Friends, e há crowdsurf que se inicia da colina até quase às grades e equilibristas que se põem aos ombros de pessoas que estão aos ombros. Don’t Look Back In Anger dos Oasis sai subitamente de Everything You See e toda a plateia a entoa (pois claro) e demonstra que quer se tenha 16 anos ou 61 afinal todos ouvimos a mesma canção.

Modern Jesus e Creep In a T-Shirt surgem como canções-celebração e as projeções vídeo entusiasmam-nos os sentidos. Para o fim uma cover do rapper Ghostface Killah e Purple Yellow Red and Blue terminada com poderosos riffs pões fim a um dos melhores concertos da edição. Nós é que agradecemos por tudo.

Os escoceses Chvrches subiram ainda ao palco principal para encerrarem a edição de 2016 do Vodafone Paredes de Coura. Com um som potentíssimo que se ouviu vila adentro por aqueles que foram abandonando o recinto, regressaram dois anos depois para apresentar os novos temas de Every Open Eye.

Lauren Mayberry pode ter sido a única mulher a fazer vibrar o palco principal de Coura este ano (infelizmente, a doçura da voz de Rachel Goswell não pode para aqui contar) mas o som sintetizado dos Chvrches não nos entra no goto. Deste lado, a cover de Paramore não ajudou a que se encontre o caminho para boas relações com a banda.

A 25.ª edição do Vodafone Paredes de Coura tem já datas marcadas e podem também assentar nas vossas agendas: 16 a 19 de agosto de 2017.