A peça As árvores morrem de pé, de Alejandro Casona, numa encenação de Filipe La Féria, subiu pela primeira vez ao palco do Teatro Politeama, em Lisboa, no passado dia 11 de agosto.

Em 1966, as Noites de Teatro emitidas pela RTP, mostraram As árvores morrem de pé e quem as viu recorda-se da última grande interpretação da atriz portuguesa Palmira Bastos, na altura já com 90 anos. «Morta por dentro, mas de pé como as árvores» é a frase que ainda ecoa em todos os assistiram a este clássico do teatro português.

Cinquenta anos depois, a peça, de uma grande carga histórica, volta a cena pela mão de quem a viu e por ela se maravilhou Filipe La Féria. Para ele, este é o recordar uma das peças de teatro que marcaram para sempre as noites do pequeno ecrã e os seus espectadores.

Árvores com elenco de peso

O elenco é de peso. Manuela Maria vai alternar o papel com Eunice Muñoz, que, por motivos de saúde, só estreará a peça em setembro.

Ruy de Carvalho alterna o desempenho com João d’Ávila, sendo o restante elenco constituído por Carlos Paulo, Maria João Abreu, Hugo Rendas, Ricardo Castro, Paula Fonseca, Rosa Areia, João Duarte Costa, Patrícia Resende, e as crianças João Sá Coelho, Pedro Goulão e Francisco Magalhães.

Tudo começa numa organização que pretende tornar as pessoas mais felizes com poesia e criatividade. Um velho senhor dirige-se a essa organização e explica que o seu neto tornou-se um perigoso delinquente, mas que pretende esconder a verdade à sua mulher.

Ao longo de vários anos enganou-a e, escrevendo-lhe cartas fictícias, criou uma imagem muito diferente do neto. Para a avó, ele é um famoso arquiteto que vive no estrangeiro.

Um dia, o verdadeiro neto envia um telegrama anunciando a sua chegada. Porém, o navio em que viajava sofre um naufrágio e todos os passageiros morrem. O velho senhor propõe então à organização que coloque em sua casa um casal fingindo ser o neto e a sua mulher para tornar real a ilusão da avó.

Foto: Divulgação

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Este é um texto mítico do reportório do século XX que experimenta e contraria os padrões clássicos do Teatro.

Escrita pelo espanhol Alejandro Casona e estreada pela primeira em 1949, no Teatro Ateneo de Buenos Aires, onde o dramaturgo estava exilado, a peça subiu no dia 11 ao palco do Teatro Politeama, em Lisboa, onde ficará até dia 27 de novembro.

Podes vê-la de quinta-feira a sábado, às 21h30, e sábado e domingo, às 17h00. Os bilhetes estão à venda nos locais habituais e variam entre os 10 euros e os 30 euros.

Gravada no Teatro Avenida, em 1966, com público presente, e depois emitida na RTP, esta foi a última peça com que Palmira Bastos apareceu nos ecrãs de televisão, considerada uma das suas melhores atuações de sempre. Agora no Politeama, é Eunice Muñoz, Manuela Maria, Ruy de Carvalho e João d’Ávila que fazem jus ao título da peça, pois os grandes senhores do teatro ainda continuam de pé!