O sonho de verão minhoto arrancou oficialmente ontem à noite, apesar de nos dias anteriores o festival já ter subido à vila. We Trust com Coura All Stars, Best Youth, Minor Victories e Unknown Mortal Orchestra foram os mestres de cerimónias do festival que dura até domingo.

Numa época em que os festivais não urbanos centrados no universo pop, rock ou eletrónica mais alternativa cada vez mais escasseiam, o Paredes de Coura, seguindo a linha que traçou há 23 edições, apresenta este ano mais um cartaz perfeito para conhecer nomes emergentes ou abraçar bandas que ficam gravadas na história da música, como o caso dos LCD Soundsystem (que tocam esta noite).

Ontem o anfiteatro de Coura – palco Vodafone, principal patrocinador do festival, bem composto para primeira noite – recebeu os primeiros nomes do certame que além das quatro noites nas margens do Taboão, começa a festa bem cedo. Na verdade, desde sábado passado que a vila recebe nomes do panorama nacional português contribuindo para um dos aspetos mais peculiares deste festival: a relação das suas gentes com os festivaleiros.

5 Ambiente

Foi precisamente nessa linha de laços que We Trust subiram ao palco com os Coura All Stars, uma orquestra de coros, sopros e cordas que juntamente com a banda de André Tentugal nutriu temas como a conhecidíssima Time (Better Not Stop).

Ainda em português, seguiram-se-lhes os Best Youth numa atuação que foi juntando cada vez mais gente que procurava o calor humano na fresca noite que se punha à beira rio. De salientar a bonita cover de Never Tear Us Apart, dos INXS, das melhores canções que se ouviriam ontem à noite no recinto.

7 Best Youth

Para algo completamente diferente, subiram ao palco os Minor Victories, o supergrupo composto por Stuart Braithwaite (Mogwai), Justin Lockey (Editors) o irmão James e Rachel Goswell, dos Slowdrive . Desta mistura surge uma equação bem elaborada que ora corre demoradamente como o rio ora rebenta como as pequenas cascatas que aqui e ali encontramos no Taboão.

Com o disco homónimo como pano de fundo, o arranque deu-se ao som de Give Up the Ghost tema que também abre o disco editado este ano. A confluência dos sons onde estão presentes as influências de cada um dos músicos vai-se fazendo ouvir e sem grandes sobressaltos Breaking My Light, uma das melhores do disco saca alguma efusividade da plateia.

Higher Hopes com o seu quê de orquestral e Out To Sea, já a terminar provocam uma tempestade sonora em palco que não tem o maior reflexo na plateia (jovem, muito jovem) que, apesar de atenta, parece estar ali à espera dos senhores que se seguem. A nós fica-nos o desejo de ver estes temas tocados num espaço mais pequeno (como poderia ser o Palco Vodafone.FM, que só hoje arranca).

E foram os Unknown Mortal Orchestra a ganhar a primeira grande ovação da noite. Com temas mais conhecidos pelo público, que os cantarolou quase sempre, a banda de Multi-Love ofereceu um concerto bastante experimental, sobretudo nas vozes de Ruban Nielson, ou na bateria de Amber Baker mesmo aquando dos êxitos How Can You Luv Me, So Good at Being in Trouble ou Multi-Love.

Depois de uma passagem pelos braços da plateia e da apresentação dos elementos da banda, a despedida de um concerto que nem chegou a uma hora certa deu-se ao som de Can’t Keep Checking My Phone, celebrada em uníssono e interpretada de forma fabulosa. Melhor ao vivo que em disco, achamos.

Para terminar a noite em grande (ou em maior) os portugueses Orelha Negra, na sua arte própria de estar em palco e fazer música que é dos mundos todos, inundaram de boas vibrações o anfiteatro de Paredes de Coura. Entre samples, baixo e bateria os sons groove ecoaram e chegaram à vila e o público fez barulho para os Orelha Negra. Entre o (já) clássico A Cura, os novos A Sombra e Parte de Mim fizeram sucesso.

O Vodafone Paredes de Coura recebe hoje a estreia dos Whitney, o regresso dos LCD Soundsystem e festeja os dez anos da Enchufada com Branko e Rastronaut.