A palavra que melhor descreve o Bons Sons em Cem Soldos é viajar – sem ser preciso, sequer, abandonar a aldeia por um minuto que seja.

Assim o escreveu Fernando Pessoa, num poema com esse mesmo nome: “Viajar! Perder países / Ser outro constantemente, / Por a alma não ter raízes / De viver de ver somente!”. E finalizou assim: “Viajar assim é viagem. / Mas faço-o sem ter de meu / Mais que o sonho da passagem. / O resto é só terra e céu”. Os Lavoisier, que nada criaram, mas tão bem transformaram as palavras do poeta em melodia. Ah, foi maravilhoso!

Bons Sons é infidelidade

Falar do Bons Sons é falar de multiculturalismo , mas não só: também é falar de infidelidade. Calma, cem soldenses. Tenham calma. Quem me disse isso foram os Sensible Soccers e eu assinei logo por baixo. “Talvez o facto de este festival não se associar a nenhum estilo de música seja a sua maior valia. Só assim lhe permite ter um público tão abrangente”.

Que verdade. Entrar em Cem Soldos é ver gente de todos os estilos a querer ouvir música de todos os estilos. Os hippies, os hipsters, os metaleiros, os velhinhos, as crianças e até os animais. Ficam todos à porta: aqui ninguém tem rosto, nem ninguém tem idade; aqueles que têm uma vida também a abandonam. Durante quatro dias só se vive, só se sente e só se cheira Cem Soldos. Talvez por isso se diga a pulmões abertos que o Bons Sons é tão especial.

Por isso e por excomungar “o entretenimento em prol da cultura”, disse ao Espalha-Factos, Luís Sousa Ferreira, o diretor do Bons Sons. “Se posso viver a vida no limite, livre de qualquer alienação que o entretenimento provoca porque não hei-de fazê-lo?”, acrescenta.

Para ele, apesar do crescente aparecimento de outros festivais com o mote de apostar em música portuguesa, está tranquilo pela diferença no tratamento que o Bons Sons tem para com a cultura portuguesa.

“Viver a aldeia é apostar em Portugal e absorver o que se faz por cá”, explica. A parceria com a “Música Portuguesa a Gostar Dela Própria não era inevitável, mas importante para desde logo podermos mostrar um outro lado que muitas vezes nos escapa mas que o Tiago (Pereira) faz tão bem”. Quanto ao ambiente que se vive no resto do ano, o Bons Sons teve também um papel importantíssimo no “elevar de ambições por parte dos habitantes que se querer mostrar através da cultura”.

(c) Gonçalo Almeida

Palco MPAGDP

Falar de um festival escrito em português é falar de quem tanto trabalha para a preservar – à música. Tiago Pereira, desde 2011 a ouvir e gravar velhinhas (e não só) a cantarem por todo o país escolhe o não critério como principal critério para o seu canal – não será a liberdade o melhor dos critérios? – para arquivar todos os sons entoados em português por esse país fora.

Graças a ele o encontro geracional é inevitável no palco MPAGDP (A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria) e torna-se, também, uma das principais características do festival. Desde as Adufeiras do Paúl, ao Alentejo Cantado, passando pelos estreantes Tunos e por João Tempera e a sua sombra.

Em conversa com o EF, o realizador assume a “remoção de qualquer tipo de hierarquia e qualquer tipo de cabeça de cartaz” e realça a importância “de o festival estar a criar um público eclético que não vai ao Bons Sons apenas para passar tempo mas também para conhecer os artistas de perto”.

Outro dos fatores realçados por ele centrou-se na “alfabetização da memória musical. Desde as Adufeiras do Paúl aos Tunos“, o grande espetro da musicalidade  portuguesa – e não apenas a tradicional – está ali presente para que possa ser ouvida e sentida pelos mais de 30 mil festivaleiros que por ali passam.

Esta parceria que dura já há cinco anos, evidencia a confiança no projeto de Tiago Pereira que se dirige ao Bons Sons como sendo “o festival”. Pela cultura, por Portugal e acima de tudo pelas pessoas. Que bom é ter alguém que oiça, que dê voz e que trate por igual todas as pessoas – talvez seja isso que falta a este mundo: ouvir mais os outros.

Palco Garagem

De dentro da igreja para a garagem. Temos de tudo aqui em Cem Soldos. De sorrisos em sorrisos – uns ainda feitos de leite, outro já postiços – chegamos ao palco garagem para ouvir quem quiser tocar.

Sim, é verdade. Este é um festival em que até eu, se perder o juízo, posso entoar os meus dotes de tocador de flauta de bisel. Felizmente, não se deu o caso, mas deu-se outro bastante melhor: ouviram-se os Just Under (uma banda da terra) e ainda houve aparelho auditivo para se ouvir alguns elementos dos First Breath After Coma mostrarem do que são capazes. Mas o palco estava ali, muitas vezes livre, para quem o quisesse agarrar e ter uns minutos de fama.

Palco Tarde ao Sol

O sol atentava lá do alto todas as movimentações que se davam no seu palco favorito. E aqui tenho que parar dois minutos para respirar fundo e me relembrar do que por lá se cantou e tocou. O público, ora sentado à sombra, ora de pé ao sol, anestesiava-se com música para combater os trinta e tal graus celsius (quase quarenta) que se fizeram sentir durante os quatro dias. O palco Tarde ao Sol viu os Indignu – dedicarei-lhe mais umas palavras a seguir -, os Few Fingers, o extraordinário homem do bombo Tiago Pereira, os Tim Tim Por Tim Tum e o jazz dos Desbundixie.

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Onde as nuvens se cruzam, chovem pedras de fogo do céu. Que força! Que força tiveram as mãos de Afonso Dorido e companhia para entoarem e aclamarem aos céus pedindo ao Deus da Música um lugar para eles – que tanto merecem. Uma atuação em catarse, de arrepiar. Os rostos de quem assistia de perto a esta peça de arte estavam imóveis, sem qualquer tipo de pensamento que não o de aproveitar cada nota como se de uma dádiva se tratasse.  No fim ninguém quis trevas, ninguém quis nada a não ser inspirar bem fundo e tentar perceber o que ali se tinha passado. Que esse Mar do Norte esteja sempre connosco durante muitos anos, Indignu.

De todas as atuações que este palco conheceu a que melhor se relacionou com o público foi, sem dúvida, Tiago Pereira – o mestre do bombo. A música também é isto. Em frente à capela a atuar estava apenas um homem e um bombo e não foi por isso que deixou de ser dos melhores concertos que o Tarde ao Sol permitiu. Coordenou o público, entoou cânticos de Idanha e até um rapaz chamou ao palco para com ele dançar. Deu para tudo quanto o artista quis.

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O Sol teimava em não dar tréguas e nem o vento quente que se fez sentir nos últimos dias arejava o ar. O clima ribatejano é tramado mas os cem soldenses fintavam o calor como o Éder fintou o Koscielny na final do Euro – e foi também por ele que se entoava o tal cântico quando a cerveja começava a fermentar.

Entre concertos visitamos e revisitamos a aldeia. Dizem que quando nos apaixonamos por alguma coisa, parece sempre a primeira que a estamos a ver – e sim, talvez seja isso: paixão. Falar de Bons Sons é falar de sustentabilidade, é falar de velhinhos e velhinhas a dançarem na primeira fila em Da Chick, é falar em espaços dedicados às crianças, em espaços abertos para os animais, mas é falar também do Tixão. Tixão, Tixão, Tixão. Oh, meu Tixão (a bebida tradicional do Bons Sons).

Bendita sejas adega de S. Pedro. Falar do Tixão é também falar do espírito do festival. “Onde antes se pisavam as uvas e arrumavam os cereais agora vendem-se bebidas tradicionais aos cerca de 32 mil visitantes que o festival recebeu durante os quatro dias”, disse ao Espalha-Factos Alexandre Santos, cem soldense de gema, e membro da equipa de comunicação. Mas acrescentou: “todo o festival é construído maioritariamente pelos habitantes da aldeia o que eleva a nossa dedicação e paixão em dar o nosso melhor. É um orgulho ver Cem Soldos cheia de gente”.

Entre um Tixão e uma Charolina – outra bebida tradicional – encontrámos o Sr. Carlos todo apressado para “ir comer uma canja num instantinho a casa”. Afinal de contas, estar sem jantar até às duas da manhã não é tarefa fácil – menos para ele: “até me esqueço de jantar com a alegria em que ando nestes dias”.

E porque “a idade é só um número feito para atrapalhar” disse-nos que nos seus “60 e picos” já contava com “cinco operações ao coração” mas isso pouco interessava durante o Bons Sons. Por volta das três da manhã, cruzo-me novamente com ele a dançar com as “gaiatas mais novas” ao som de – imagine-se – Branko. Com direito a uma rodinha só para ele e tudo.

Palco Giacometti

Majestoso. A minha subjetiva atração por coretos atreve-se a dizer que será um dos palcos mais bonitos de todos os festivais portugueses. E é bem capaz. Se Míchel Giacometti ainda gravasse os sons de Portugal certamente que visitava o Bons Sons todos os anos. O palco que lhe roubou o nome recebeu artistas que lhe encheram as medidas. No primeiro dia as Pega Monstro e os Birds are Indie. 

As primeiras com o seu ténue rock institivo. E digo ténue porque nunca se sabe se resulta ou não e temo que neste caso pouco tenha resultado. Do novo álbum Alfarroba ficaram por cantar as músicas Branca e Não Consegues e apesar da irreverência demonstrada as irmãs Júlia e Maria ficaram um tanto ou nada aquém – talvez porque o tio B Fachada nos ande a elevar em demasia as expectativas.

Dos segundos, esperava-se um concerto calminho e amoroso: e assim o foi. Apesar da pouca audiência, já muitas pessoas aproveitaram a hora tardia para aconchegar o estômago pelas tasquinhas e restaurantes espalhados. Mas nem isso chegou para tirar o brilho à banda conimbricense.

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No segundo dia foram os Lavoisier e Grutera a entrar em cena e tantos uns como outros cumpriram. Os Lavoisier interpretaram músicas intemporais como Vejam Bem do Zeca Afonso ou o poema Viajar de Pessoa e o público sentado ia acenando com a cabeça em jeito de aprovação. Grutera dedilhou tão bem as notas na guitarra – quase ao jeito de Indignu – que facilmente prendeu a atenção de todos. Do álbum Sur Lie ouviram-se a Se não ficares, volta e Deixa-me chegar. 

Ao terceiro dia subiram ao coreto Dear Telephone e o seu indie pop para um público que aos poucos foi crescendo – o calor atraía os festivaleiros para as sombras e para os gelados que por lá se vendiam. Pouco passava das 19 horas quando Isaura conseguiu a proeza de encher todos os bocadinhos de espaço à volta do Giacometti – a organização teve inclusive de expulsar a preguiça do público e obrigá-lo a levantar tal era a enchente – para o concerto de encher as medidas. Do seu EP Serendipity não falhou uma: Useless, Lost, Dancefloor e You’re all my (heart). 

Para o último dia de festival que parecia ainda o primeiro deram voz ao palco as simpáticas Golden Slumbers e a espiritual Lula Pena. As irmãs Falcão deram, talvez, o melhor concerto da sua carreira – quem o disse foram os D’alva (aqui) e eu concordei logo (também disseram tudo o que o Bons Sons representava) com as suas canções ao bom jeito de um folk – mas bem cantado – e com a sua enérgica interação com o público. Destaque para a faixa Mourning Song

Palco Eira 

A luz do sol tendia a esconder-se e sobre o horizonte uma pintura ancestral ia aparecendo: era o pôr-do-sol e era também a igreja iluminada lá no alto. Íamos em correria até à “Êra” para comer uma (divinal, diga-se) sandes de porco preto e beber uma cerveja gelada para afastar o cansaço que as pernas queriam transparecer.

Ali, no palco mais espaçoso do festival, ouviram-se, durante os quatro dias, alguns dos nomes mais sonantes que passaram pela aldeia: Best Youth, Sensible Soccers, LODO, Da Chick, Keep Razor Sharp, White Haus e D’alva.

No dia 12, pelas 22 horas, subiam a palco a dupla sensual Catarina Salinas e Ed Rocha Gonçalves e o amor aconteceu – salvo seja – entre a multidão que ocupava os espaços da Eira. A banda viajou entre o seu mais recente álbum Highway Moon com os temas Mirrorball e Red Diamond a serem entoados em uníssono pela plateia. No entanto, a surpresa foi para a versão da música Never Tear Us Apart dos Inxs. 

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O concerto do primeiro dia ia para norte e para a banda Sensible Soccers. Ah! E que bem se esteve em Villa Soledade. Para além do prémio para provável concerto do festival levam ainda outro: o da simpatia. Na primeira aventura neste “festival diferente e que foge às grandes marcas”, o entusiasmo da banda era evidente e “a sua importância para a música portuguesa assim como para os restantes festivais” foi um dos fatores que sublinharam. “É uma boa montra para a música porque cobre todo o seu espetro”, acrescentaram.

Quanto ao concerto: os meus pés rompiam com as dores a todo o custo e continuavam a bater no solo até levantar pó. Os meus e o de toda a gente que dançou e, num gesto de entusiasmo, largou o braços ao ar a festejar a liberdade que aquela batida lhes impunha no corpo. Do Villa Soledade ouviu-se muita coisa, como era de esperar, mas foi na Shampom que mais pó se levantou na Eira.

A propósito: se os Sensible Soccers tivessem uma marca de shampoos inspirada em Cem Soldos teria o cheiro “a feno”. E quem lá esteve percebe bem o porquê. Se pensavam que a romaria tinha acabado por aqui, enganam-se. Tempo houve ainda para visitar o álbum e para mandar cá para fora a AFG. Talvez os 9 minutos mais bem passados em qualquer palco do festival.

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No dia seguinte, o palco mais alto do Bons Sons teve uma banda especial. Os Renato Sanches de Cem Soldos – eles preferem ser os João Mário, mas gosto de embirrar – elevaram o rock alternativo bem alto e os curiosos quiseram saber mais sobre eles.

Se nas grandes estreias os nervos são os piores inimigos, então os LODO pareciam fazer isto aos anos. Com claras referências de Linda Martini e PAUS fizeram tudo bem – até um cover de Carlos Paredes eles tinham.

O público, maioritariamente composto por amigos e família da banda de Cem Soldos cantou até não conseguir mais. E o Bons Sons deu-lhes “um empurrãozinho”. Há dez anos, quando o festival começou, o Bernardo tinha 10 anos e ajudava no “buffet a servir as pessoas”, o João tinha 12 anos e por não ser de Cem Soldos só “via a irmã mais velha” a ir ao festival, o Carlos tinha 19 e era voluntário no festival e o João – que partilha o talento com outra banda da terra, os Just Under – estava “na flor da idade a curtir do festival”, também com 19. Do concerto dos meninos bonitos de Cem Soldos realço a interpretação das músicas Gente e Fuga. Uma banda para trazer debaixo de olho.

Da Chick e Mike el Nite potenciaram um dos concertos mais agitados e animados durante os quatro ricos dias. E foi só. A tentativa forçada de comunicar com o público em inglês tornou-se num ponto negativo – já para não falar de uma troca de palavras mais acesa com a primeira fila, numa atitude pouco à la Bons Sons. As principais músicas como Do the Clap e Don’t Touch My Soul foram entoadas e dançadas pela maioria.

Keep Razor Sharp não surpreendeu mas cumpriu. O seu disco homónimo data de 2014 e grande parte do concerto foi retirado de lá. Já em White Haus, o cenário foi diferente e bem mais açucarado. André Vieira – membro dos Sensible Soccers – voltou a subir a palco Eira para lançar com o resto da banda uns intrumentais e sossegar a voz por um bocado. A interação com o público foi uma das mais valias do concerto.

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Sobre os repetentes D’Alva muito há a dizer. Desde Tame Impala, passando por Dina e acabando nos Linda Martini. Foi tudo tão bom que nos faltam palavras para descrever o show que Alex D’Alva Teixeira e companhia deram no palco. Um espetáculo dentro do espetáculo. Se o palco fosse um campo de futebol, o artista tinha sido o jogador com mais quilómetros nas pernas no fim do jogo. O concerto, para alegria de todos, acabou com a música Frescobol e até houve tempo para se cantarem os parabéns ao Bons Sons. Que irreverência, muito livres, leves e soltos.

Palco Lopes-Graça 

Do aol já nada restava e era a lua – quase, quase cheia – que escutava lá de cima os concertos do palco que homenageia um dos maiores maestros e compositores que o nosso país conheceu. Carminho, Deolinda, Jorge Palma, Kumpania Algazarra, Fandango, Danças ocultas + Orquestra das beiras, Sopa da Pedra e Cristina Branco foram os nomes que o pisaram.

Carminho com o seu fado que não é fado encheu o Lopes-Graça mas não encheu as nossas medidas. A lisboeta cantou vários temas dos seus três discos como Saia Rodada, Bom dia, Amor e As minhas penas. O público entretinha-se com o fado insonso e o concerto seguiu dentro do esperado.

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Os Deolinda tiveram uma atuação muito pouco consistente e precisaram de recorrer a uma Velha e um Dj para voltar a crescer no espetáculo. Nas músicas pouco conhecidas o silêncio que se fazia sentir perturbava a atuação da banda e quem assistia, fazendo-se valer de Fado Toninho, Seja Agora, Um contra o outro e Fon-Fon-Fon para fazer renascer o público.

Danças Ocultas acompanhada da Orquestra das Beiras deu um bonito espetáculo para um público sentado no relvado articial do Lopes-Graça, que ouviu umas valsas, uns tangos e uns fandangos bem conseguidos por parte da banda.

Em Kumpania Algazarra foi o delírio. Um espetáculo que correu vários estilos musicais de todo o mundo e que resultaram em muito suor e correria no palco com a multidão a aderir aos pedidos da banda. Sopa da Pedra e Cristina Branco venceu numa parte inicial pelo entusiasmo de conhecer melhor ambos os projetos, mas resultou em desilusão.

Jorge Palma provou estar aí para as curvas e afastou mais uma vez todo o preconceito que injustamente o cobre. Entrou de guitarra na mão e aos poucos acabou por crescer para o público, animando-o com o seu humor. Cantou de enfiada algumas das intemporais: veio a Frágil, Encosta-te a mim e Deixa-me rir; e a plateia respondia sempre com sinais de que queria mais umas musiquinhas.

Ao fim da noite, o vento incomodava e muitos recorreram a umas lãs mais quentes para o combater; outros preferiram a pinga. Os DJ subiam ao palco Aguardela e muitos, mesmo afastando-se da identidade do festival, conseguiram puxar o lado de dançarino de cada um.

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Quando a última música acabou ficou a saudade e a vontade de voltar todos os anos ao Festival – e atentem na letra maiúscula – de Portugal. Alguma coisa este país anda a fazer bem para que em Cem Soldos se viva, se comemore e se respire música portuguesa há dez anos. A década que traz às costas confere-lhe uma maturidade e uma maneira diferente de sentir e de mostrar a cultura portuguesa.

Como nos dizia o diretor do Bons Sons, em Cem Soldos, “as pessoas não vêm para cá para se entreter mas sim para viver, de facto, a aldeia”. E é o maior elogio que se pode fazer ao festival que nos faz sentir em casa, e nos faz sentir tão bem. A partir de hoje, parte de mim é cem soldence não só em agosto, mas durante todo o ano.

O Bons Sons em números 

50 concertos memoráveis
204 músicos que não esquecerão Cem Soldos
20 actuações espontâneas no Palco Garagem (do público)
32.000 visitantes envolvidos pelo espírito do BONS SONS
105 jornalistas e representantes dos meios de comunicação a acompanhar tudo em directo
400 voluntários de uma equipa que abnegadamente planeou, comunicou, produziu, montou, (vai desmontar) e resolveu todos os imprevistos do BONS SONS.

As fotografias foram tiradas por Gonçalo Almeida.