Quando as portas abriram, às 16 horas, os termómetros marcavam uns assustadores 37 º. Mas isso não afastou uma grande parte dos festivaleiros, que já se reuniam em redor das bancas dos brindes.

Toda a gente sabe que “festival” começa a ser, cada vez mais, sinónimo de “coisas grátis” e quem já anda nisto há algum tempo sabe que os early birds têm mais hipóteses de ganhar. Mas saindo da zona dos brindes, via-se que as pessoas já se começavam a aproximar dos palcos, em busca do melhor lugar para ver as bandas preferidas. Ainda tinham muito que esperar, debaixo de um calor abrasador, visto que os concertos só começavam às 18 horas no palco Blitz e às 20 horas no palco RFM/SIC.

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O Warm-Up

Quando o relógio marcou as 18, foi altura de rumar até ao palco Blitz para ouvir os primeiros acordes do dia.

We Trust foram os escolhidos para abrir o terceiro dia de festival. Ainda que muita gente permanecesse sentada, os músicos do Porto não se deixaram abater e seguiram todo o concerto com energia.

Músicas como Feel it, Within We Thrive e até uma cover da Smooth Operator de Sade e da Happy de Pharell Williams. O público, composto essencialmente por curiosos, não se faz de rogado e respondeu quando André Tentúgal pediu para cantar alguns versos.

A tarefa ingrata de abrir um palco tornou-se mais fácil quando os primeiros acordes de Time (Better not Stop) começaram a tocar, já o concerto ia a mais de meio. Para último ficou a música que o líder da banda dedicou aos bombeiros portugueses, We are the ones.

Às 20:15, foi a vez dos Capitão Fausto mostrarem o que valem. Começaram com Corazón, com direito a um coro tremido por parte da audiência. A viagem pelos quase-clássicos da banda foi feita com direito a poucas palavras e a alguns goles de cerveja.

Tomás Wallenstein apenas sorria e deixava que a música fizesse a magia por si. Supernova, Santa Ana e as recentes Mil e Quinze e Amanhã ’tou melhor falaram por si. O público acompanhava e cantava em uníssono, extasiado. O concerto acabou com Semana em Semana e com uma audiência que pedia bis.

Keep Razors Sharp: “dar e receber amor”

Seguiu-se o supergrupo português, Keep Razors Sharp. Em conversa com o Espalha-FactosRai admitiu que começa a haver um orgulho em ser português. “Até há pouco tempo não esgotavas um festival só com bandas portuguesas. Mais do que uma prova da nossa qualidade, é bonito. E temos diversidade em termos de género. Uns cantam em português e outros em inglês, mas no fim somos todos portugueses”, afirma.

Sobre um possível novo álbum, Bibi levanta o pano: “Neste momento estamos a compor canções novas e queremos ter novidades brevemente. Mas as coisas só saem cá para foram quando estivermos contentes com elas. Não temos mais coisas novas porque temos tido dois anos incríveis a tocar em todo o lado. O main purpose quando fazes uma banda é andar a comer alcatrão”, acrescenta, rindo. Sobre o concerto da noite, disseram apenas que queriam dar e receber amor, criar química com o público. Mas a tarefa revelou-se um pouco complicada.

Os fãs de Capitão Fausto dispersaram quase automaticamente depois do concerto e deixaram a plateia de Keep Razors Sharp num estado desolador. Será que sabiam quem estava a tocar? Ao longo do concerto o público apareceu, mas continuou morno.

Com diligência, os Keep Razors Sharp apresentaram as músicas do álbum homónimo. Destaque para The Lioness e I See Your Face.A meio do concerto Rai, dos The Poppers, dedicou uma música aos “que estão sentados” no fundo do recinto. Mas, satisfeitos, acabaram o concerto com um “sejam felizes”.

X-Wife: responsabilidade acrescida

X-Wife começaram a tocar às 22h, mas antes foi altura de dar um saltinho ao palco RFM/SIC. Nelson Freitas arrastava multidões e a audiência do palco principal nada tinha a ver com a do palco secundário. As pessoas dançavam e a saltavam com um Nelson Freitas simpático e que distribuía sorrisos. Deu tempo para ouvir alguns êxitos como Bo tem Mel e Miúda Linda.

Depois foi altura para ver os veteranos X-Wife a atuar. Tal como disseram ao Espalha-Factos, em entrevista antes do concerto, quinze anos de carreira trazem uma responsabilidade diferente. “Depois de quatro álbuns e de tantos anos juntos, agora interessa-nos apenas fazer coisas que que consideramos boas. Queremos fazer música que nos mostre enquanto banda e que mostre a nossa evolução”, avalia Rui Maia.

João Vieira mostra-se entusiasmado em relação ao concerto: “X Wife é uma banda que funciona bem à noite. É para dançar e acho que a parte das luzes é fundamental no concerto, mesmo parecendo que não”, admite. Apresentaram-se tal como já nos têm vindo a habituar, com batidas punk com um pé no psicadélico. Como não podia deixar de ser, tocaram o último single Movin’ Up. Depois do clímax, o encore muito pedido com That’s right.

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No palco principal já começavam Os Azeitonas. A energia fluía e o público deixava-se contagiar. A banda contou com convidados especiais, como os The Black Mamba, que também aturam no festival, e visitaram todos os singles mais conhecidos, com destaque para Ray-dee-oh.

O final da noite (bem amena e convidativa, por sinal) foi deixado a cargo de dois gigantes do rock português. Rui Veloso e (o agora) DJ Zé Pedro encerraram uma noite com direito a todos os clássicos.

Desde dia 11 já passaram pelo festival nomes como C4 Pedro, David Fonseca, Deolinda, O Rappa, Valete, The Gift, Áurea, Jorge Palma, Sérgio Godinho e Diogo Piçarra.

Imagens: Inês Chaíça/ Espalha-Factos