A Yellow Star Company marcou o seu regresso aos palcos no passado dia 27 de julho com a estreia de As Vedetas e o Espalha-Factos já assistiu ao espetáculo. A peça, adaptada de Lucien Lambert e encenada por Paulo Sousa Costa, estará em cena até 28 de agosto, prometendo um mês de gargalhadas.

“There is no business like show business”, é o mote desta história. Joana Alvarenga e Sofia Arruda dão corpo a Simone e Sylvie, duas amigas rivais que lutam para se fazer notar no mundo do espetáculo. Ambas atrizes de cinema, sonham ser as maiores estrelas do Passeio da Fama e mostram-se dispostas a tudo, inclusive colocar a sua amizade em risco, para cumprirem os seus sonhos.

Vedetas que querem fama

Sofia Arruda veste a pele de Sylvie, uma loira estrondosa que tem sempre a preocupação de manter uma imagem impecável e de desenvolver boas relações com os produtores, os realizadores, os argumentistas e até o amante da melhor amiga. Em conversa com o Espalha-Factos, Sofia Arruda diz-nos que “ela [Sylvie] tem 26 anos, mas tem um ar muito mais pesado, gosta de ter um ar de senhora, séria, bem-comportada, algo que, no fundo, não é”.

Simone, por sua vez, protagonizada por Joana Alvarenga, é uma morena que vive e sofre com o estigma de ficar sempre com os papéis de latina sensual, lutando desesperadamente para conseguir um papel principal. “A Simone e a Sylvie têm a ambição de ser estrelas, nós temos a ambição de termos trabalho, de podermos fazer aquilo de que gostamos, de termos casa cheia e termos sempre projetos na nossa área. Nós temos amor pela representação e é isto que queremos. Estas duas querem é ser famosas”, explica-nos Joana Alvarenga.

As Vedetas é uma hilariante e inteligente sátira ao difícil mundo da representação. Quando a cortina abre, o público é exposto ao que, normalmente, acontece atrás da cortina. Assistimos às aventuras e façanhas de Simone e Sylvie, enquanto as duas lutam, simultaneamente de mãos dadas e de costas voltadas, para que reparem nelas, sujeitando-se às mais indignas e, por vezes, imorais situações para que lhes dêem o valor que acreditam ter.

O retrato da realidade

Trata-se de uma disputa pelo protagonismo numa indústria em que ser figurante já é pouco provável. “Tocamos nos pontos mais duros, que acabam por espelhar uma realidade que existe, apesar de não ser geral, mas que, infelizmente, acontece, daí esta peça ser tão verdadeira e tão atual”, comenta Sofia Arruda. Ainda neste tópico, Joana Alvarenga acrescenta: “É a realidade não só da nossa profissão, mas de muitas. Nós tocamos nos pontos fulcrais, e não só a questão do trabalho, porque elas acabam por arranjar trabalho, simplesmente não é o que elas querem. Elas querem o protagonismo.”

O Espalha-Factos recomenda esta satírica comédia em que apenas duas atrizes são suficientes para deixar o público preso e ansioso por saber o que vai acontecer a seguir. A peça estará na sala 2 do Cinema São Jorge até ao dia 28 de agosto, de quinta-feira a sábado às 22h e aos domingos às 18h.