A Mêda recebe o segundo dia do Festival Mêda + e fá-lo da melhor forma que sabe: com um sol abrasador. Um convite óbvio da cidade para dar um mergulho na piscina. O convite do Mêda + é indubitavelmente diferente. Com um cartaz que faz jus à boa música que se produz em território nacional, o Mêda + contou com as atuações de Granada, The Lemon Lovers e Salto (a dobrar), no dia 29. 

Durante a tarde, o Mêda + faz questão de manter os festivaleiros ocupados. Há atividades para todos os gostos e para todos os estados de espírito. O Parque Municipal está preparado para receber os mais aventureiros com uma subida íngreme numa parede para escalada ou uma descida rápida de slide.

Para quem pretende aproveitar o cartaz do festival, o Palco CTT recebe S. Pedro e Birds Are Indie. Ambos com uma sonoridade tranquila, que convida a sentar na relva e a entrar em perfeita comunhão com a música e o espaço circundante. As Piscinas Municipais são sempre uma opção, para aqueles que querem combater o calor.

Os concertos da 2.ª noite do Mêda +

À noite, todos os caminhos apontam para o mesmo local: o Recinto de Santa Cruz.

Granada fazem as hostes da casa. “Somos os Granada, vimos do Porto e somos uma banda de merda”. É assim que Davide Lobão apresenta o trio que pisa o palco. Com um estilo já bem definido, Granada revela a sua identidade na voz imperativa, na bateria agressiva, na guitarra e, sobretudo, na atitude robusta de Davide, Gualter e Hélder.Mêda + 2016, Granada

Apesar de serem uma banda recente, não mostram qualquer tipo de pudor na postura que assumem e na música que apresentam. Num rock corpulento, musculado e vigoroso que instiga o fervilhar de emoções no público, o mosh foi uma expressão corporal que (surpreendentemente) não se manifestou.

Já o headbang é forte, mas insuficiente. “Vocês são muito calmos.”, queixa-se Lobão. É no intervalo entre músicas que o público pede “É para partir esta merda, bota”. Granada obedece. Davide Lobão liberta-se da guitarra e a atuação implode o recinto. Mas todos sabemos que o teriam feito, mesmo sem o pedido.

TLL

Numa sonoridade incontestavelmente distinta, sobem ao palco The Lemon Lovers. É logo após a primeira música, que a banda se apresenta “Nós somos os The Lemon Lovers e a próxima é acerca de um miúdo que gostava de ir morar para Marte”. Segue-se o tema From Mars, With Love.

Todo o set apresentado é uma dança entre os álbuns Loud, Sexy & Rude e Watching the Dancers, com um evidente (e já esperado) enfoque neste último. Com um público ainda tímido, João Pedro Silva pede “Para a frente, cara***”.

E o recinto, agora mais composto, acede ao pedido. Se em Granada o público acompanhava o concerto com alguns movimentos, em The Lemon Lovers a postura foi diferente. O recinto permanecia calmo, compenetrado, talvez a descobrir a música e a apreciá-la. Este estado hipnótico cessa, quando surge um pedido “Vou precisar da vossa ajuda”. E nem é preciso dizer mais nada. O público aplaude ritmadamente quase de imediato e a festa que se faz em cima do palco, finalmente alcança os que assistem. Os The Lemon Lovers, em formato duo com João Pedro Silva e Rolando Babo, voltam ao palco para o encore que é composto por apenas uma música, Seed.

É com Uma de Cada Vez e Mar Inteiro que os cabeças de cartaz deste segundo dia do Mêda + iniciam o concerto. O ritmo e a energia de Salto propiciam desde o primeiro segundo uns belos e criativos passos de dança, que se revelam na frontline e se vão alastrando pelo resto do recinto.

Salto

Selva e Lagostas foram mais duas das músicas de Passeio das Virtudes que deliciaram o público. Após alguns temas, a sonoridade eletrónica começa a fincar pé e a evidenciar-se. Há dança, mas não é só no público. Afinal, quem melhor para sentir a música do que aqueles que lhe dão vida?

Sempre que enveredam por um tema mais eletrónico ou com um instrumental mais poderoso, é quando a sua personalidade em palco se evidencia e o feedback do público se intensifica. É num som claramente mais eletrónico que Salto conseguem cativar todos os que assistem ao concerto, contagiando-os com a sua energia estonteante em palco.

À semelhança daquilo que aconteceu na noite anterior, é durante os cabeças de cartaz que se reúne a maior quantidade de festivaleiros no recinto. Can’t you see me fecha o concerto, levando ao público o tipo de sonoridade que o faz vibrar. A despedida é embebida em espírito patriótico, durante a qual se recorda a vitória de Portugal e louva-se o golo de Éder.

DJ-set

Os Salto dão lugar aos… Salto. Só que agora em DJ set e com apenas dois elementos: Guilherme Tomé Ribeiro e Luís Montenegro. Embora com um início atribulado, que contou com problemas técnicos, o duo animou o after-party do segundo dia.

O 3.º e último dia do Mêda+ vai contar com Orelha Negra, Her Name Was Fire, Bed Legs, Duquesa, Luís Severo e Mauro Barros.

Fotografias: Mónica Azevedo