O dia 28 de Julho marcou o início de mais uma edição do Festival Mêda +, na quente cidade da Mêda. The Tumble Reeds e Tio Rex, no palco CTT, proporcionaram uma tarde agradável e um ambiente idílico. À noite, o tom foi diferente. O indie rock de Flying Cages, as atuações explosivas dos regressados Oioai e PAUS e o set de DJ A Boy Named Sue conseguiram arrancar alguns passos de dança (alguns suaves, outros nem tanto) ao público.

A inauguração oficial do Palco CTT

Os The Tumble Reeds inauguram oficialmente o palco CTT. Representados por duas figuras femininas, os The Tumble Reeds proporcionam um concerto acústico (pela ausência da bateria e do contrabaixo) aos poucos que se atreveram a sair da piscina.

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Num ambiente calmo, intimista e de grande cumplicidade, as vozes melódicas preenchem o Parque. A música “folk, country, blues” adequa-se ao ambiente que se pretendia criar no Palco CTT. Uma excelente interação com o público vai conquistando quem observa o concerto sentado na relva. Biker in the Rain e Grown Woman são duas das músicas que tornaram esta tarde soalheira mais harmoniosa.

E, de repente, a voz de Tio Rex impõe-se, com epicentro no palco, mas com impacto em todo o Parque. À voz, junta-se a guitarra. Tita acompanha, no teclado, Tio Rex nesta viagem pelo calor da Mêda.

É numa postura tranquila que Miguel Reis abre a porta do seu projeto e faz uma visita guiada pelo set que apresenta: cada música é introduzida e apresentada pelo próprio, que desvenda e esclarece a simbologia de cada tema. Quanto aos temas apresentados, Tio Rex confessa que esteve em dúvida até ao último momento e, por isso, o set é uma mistura de todos os quatro anos de existência do projeto.

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Porém, não poderíamos não dar ênfase às músicas JOE e O Gigante, do EP 5 Monstros, You’re My Machine And So Much More e O Que o Tempo Destrói, do álbum Ensaio Sobre a Harmonia, à interpretação do tema Maria Faia e ainda a uma música que “ainda vai estar num disco, um dia”.

O parque vai albergando cada vez mais pessoas, que Miguel Reis recebe carinhosamente com a sua voz incomparável. É inegável o envolvimento do público em cada música, repleta de filosofias, teorias e desabafos. Nesta luta aberta entre os mil insetos da Mêda (por metro quadrado) e Tio Rex, vence Tio Rex. Vence a voz inconfundível, vence a harmonia com a guitarra, vence a atmosfera idílica do concerto.

O regresso da festa ao recinto de Santa Cruz

Um ano passou e a música voltou a fazer-se ouvir no recinto de Santa Cruz.

Flying Cages são os primeiros a pisar o palco principal do Mêda + e que bem que o fazem. O concerto começa para um recinto vazio. As músicas M.D.C., Kaliko e Nothing but a Hill são as músicas escolhidas para abrir o concerto. O indie rock de Flying Cages não passa despercebido e cativa o público, que começa a ser em maior quantidade.

Há espaço para todo o tipo de públicos: desde o mais confiante, com passos de dança arrojados, até ao mais tímido, cujas demonstrações passam por tapear o chão de forma ritmada e por pequenos movimentos de anca. Continua o desenrolar de temas do álbum Lalochezia, com picos de intensidade nas músicas Logic Fall, Come On Up e Delirium. É na voz de Zé Maria Costa que os Flying Cages se despedem do Mêda +. “Onde há cerveja e música, um gajo safa-se sempre.” O público concorda.

Eis que surge a vez de Oioai tomarem o palco de assalto. Jardim das Estátuas abre o concerto, mas os temas que se seguem não se deixam ficar. A mais recente Que se Foda aparece de rajada e incendeia o público.

Após um hiato (demasiado longo para todos aqueles que querem ver a música portuguesa bem e de boa saúde), os Oioai voltam e não esquecem os temas mais antigos. O Ponto Fraco, Vem Em Segredo, A Seta e Trinta Pés foram escolhas certeiras para um throwback bonito. Com uma presença em palco efusiva e expansiva, a música de Oioai alcançou todos os presentes: desde os fãs mais intensos até aos que estavam a conhecer a banda pela primeira vez.

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Sim, os Oioai têm novas aquisições, mas a sonoridade é a mesma e o prazer de estar em palco também. Este regresso contou com um público rarefeito, mas dedicado e expressivo. E, claro, não faltou o tradicional e obrigatório headbang. Para satisfação de muitos, houve encore.

Primeiro, uma música nova, depois a tão conhecida (e bela!) Deves Estar A Chegar, que o público cantou com carinho. Para terminar o primeiro concerto de regresso, os Oioai presentearam os festivaleiros com um final explosivo, apoiado num instrumental poderoso.

A estrutura que ocupa o lugar central, bem com as duas baterias fundidas não deixam margem para dúvida. Hélio Morais, Joaquim Albergaria, Makoto Yagyu e João Pereira ocupam os seus lugares e o concerto mais esperado da noite começa. As baterias impõe (ainda mais) a sua hegemonia e começa Língua Franca.

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Mas é com Mudo e Surdo e Pela Boca que o público se rende à energia de Paus. Numa postura já habitual, Joaquim Albergaria fala com o público, num tom provocador que agrada aos muitos que já enchem o recinto. Sim, porque PAUS conseguiram o feito inédito (de toda a noite) de preencher o recinto, que até então esteve sempre a meio gás.

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Era Matá-lo e Bandeira Branca são reconhecidas e apreciadas pelo público, que vive intensamente o concerto. PAUS resulta não só pela força da bateria, mas pela postura dos membros, que deixam a alma em cada palco que pisam, em cada música que tocam. Hélio Morais é o mais aclamado pelo público, mas a irreverência de Joaquim Albergaria faz-lhe frente. Mó People e Pelo Pulso encerram o concerto, que parece insuficiente para os muitos que queriam e pediam por mais.

Depois de PAUS, é DJ A Boy Named Sue que toma as rédeas do recinto de Santa Cruz. Rodeado de vinis, Tiago André está encarregue do after-party. O público era pouco, mas (e como diz o ditado) “só faz falta quem cá está”. E assim foi. Poderiam ser poucos, mas os que estavam dançavam e aproveitavam a música proveniente do palco.

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A receção ao campista aconteceu na noite anterior (27), com a presença da Orquestra Sinfónica dos centros de formação musical da Mêda, Trancoso, Aguiar e Moimenta da Beira. Assim, o palco criado a pensar nas famílias, encheu-se de famílias.

Numa noite tranquila, onde se fazia sentir uma brisa agradável, foi possível ouvir temas como Stairway to Heaven, de Led Zeppelin, Shine on You Crazy Diamond, de Pink Floyd, e Another One Bites the Dust, de Queen. O final era quase obrigatório, não fosse o Mêda + um festival de música portuguesa. A Orquestra termina então a atuação com À Minha Maneira, de Xutos e Pontapés.

O Mêda + traz à cidade da Mêda mais dois dias de música portuguesa. Os dois palcos vão ainda receber Birds Are Indie, Granada, The Lemon Lovers, Salto, Her Name Was Fire, Orelha Negra, entre outros.

Fotografias: Mónica Azevedo