“Uma obra-prima – mas com uma falha”. A pequena carta que o jovem, na altura com 16 anos, escreveu a Stan Lee, celebrando a edição de 1964 do Quarteto Fantástico da Marvel, já demonstrava a atenção ao detalhe e à narrativa que veio a caracterizar George Martin.

“Ho-hum! Outro mês, outro monte de clássicos, mas o que mais se pode esperar de vocês, rapazes?”. Começa assim a carta endereçada a Stan Lee e Jack Kirby, publicada no número 32 da revista, em 1964, e que surge agora na internet.

Elogiando a “arte sublime” de Kirby e a “narrativa radiante” de Lee, o jovem continua apontando um “plot hole” (falha no enredo):

“Na última vez que vimos o Red Ghost, no Quarteto Fantástico #13, ele estava preso na lua com três super-poderosos símios que o perseguiam com o raio paralisador do Sr. Fantástico. Neste número de repente trazem-no de volta, em total controlo dos seus símios e sem qualquer explicação do sucedido. É um erro já bastante comum no que de resto é uma obra-prima.”

Martin continua, mencionando o renascimento do vilão “Puppet Master” noutro número do Quarteto Fantástico. “Um cientista nem se consegue lembrar se um gajo está vivo ou morto mas consegue inventar na hora um raio-super-amplificado-radioactivo-alimentado-pelo-espaço”, referindo o facto do Sr. Fantástico não se ter apercebido do retorno do vilão.

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“Em conclusão, desejo-vos boa sorte nos próximos números, mas Stan, não desenterres mais nenhum supervilão. Da próxima vez diz-nos como a situação foi recriada. Ok?Ok”, termina Martin com palavras de encorajamento.

Após se ter tornado um autor reconhecido, George Martin afirmou à BBC que Stan Lee foi a sua maior influência literária, mais do que Shakespeare ou Tolkien. Numa outra entrevista, em 2011, o autor confirmou a importância e a influência de personagens como Iron Man, Hulk ou Spiderman, todas de Stan Lee.

As personagens Marvel estavam sempre em mudança, ao contrário das de DC [Comics] onde toda a gente gostava de toda a gente e os heróis se davam bem. O Stan Lee deu-me a conhecer um mundo completamente novo de caracterização e desenvolvimento de personagens da banda desenhada, conflito… Talvez até um toque de cinzento em algumas delas.”

A resposta de Lee à carta pode ser lida também na revista – “Wow! Nós estamos corados! Queres a verdade, Georgie? Nós ESQUECEMO-NOS completamente onde tínhamos deixado o Red Ghost e com a data limite de impressão mesmo em cima de nós, não tivemos tempo de procurar no último número!”.