O terceiro, e último, dia do MEO Marés Vivas foi marcado por reencontros. James e Rui Veloso regressaram à Praia Do Cabedelo, formando uma aposta sem risco. O público conhece-os e sabe o que eles são capazes de fazer: espetáculo!

O sol e as temperaturas altas – bem altas – adiaram a vinda dos festivaleiros para o recinto do Marés. Os principais prejudicados, como sempre, foram os artistas portugueses do Palco Santa Casa, que atuaram para quase meia dúzia de pessoas. Pena, pois TatankaDiana Martinez mereciam mais. O público preferiu a sombra sentada, para acumular energias para a noite que estava para vir. Papillon tiveram a tarefa mais complicada do palco secundário, tendo sido empurrados para as 22h, no meio de atuações no Palco MEO.

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O Palco MEO abriu com Beth Orton. Quem? Exato. Beth é uma britânica com mais de 20 anos de carreira, vencedora de um BRIT Award e conhecida pela sua mistura entre a folk e a eletrónica. Apesar de ter um CV de fazer inveja, poucos conheciam a cantora e poucos tiveram a curiosidade para ir para a frente do palco. A música melancólica nem sempre pareceu a mais apropriada para o momento – afinal de contas estamos em pleno verão, num ambiente familiar e apetece-nos dançar e não ficar parados. Um concerto tecnicamente sem falhas, mas que não conseguiu ficar para história.

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Às 21h, 15 minutos antes do previsto, entra Tom Odell para o Palco MEO. Rapidamente conseguimos tirar algumas conclusões: há muito mais público que em Beth Orton e este público fez o TPC – sabem todas as letras de cor. A música de Odell pede palcos grandes, pede palmas. O público responde e cria-se uma grande empatia. O concerto não teve momentos mortos, até porque a música não deixava – sempre balançada entre a calma do piano e a agressividade da percussão. O momento mais alto e emotivo aconteceu com o tema mais conhecido do britânico: Another Love. Toda a gente cantou, Tom, finalmente, levantou-se do piano e dirigiu-se ao público com uma bandeira de Portugal. Um momento para recordar.

Tom Odell

Há uns anos, Rui Veloso também tinha sido o escolhido para fechar o Marés. O que é que mudou para o concerto de ontem? Pouco, quase nada. Quem contrata o portuense sabe o que que é que vai ter: um concerto de best-off com um público a saber todas as letras de trás para a frente. Aposta mais segura não existe.

E foi mesmo isto que se passou. Toda a gente, até aqueles mais difíceis e durões, cantam as músicas de Rui Veloso. É impossível contrariar. Foi mais de 90 minutos a recordar as músicas do afamado Pai do Rock Português. O concerto acabou, como se suspeitava, com Paixão (Segundo Nicolau da Viola), o anel de rubi, a elevar, mais uma vez, o romantismo do Marés.

Rui Veloso

Lembram-se de eu ter falado que o nacionalismo no Marés andava em níveis assustadores? Esperem, há melhor/pior. O Palco MEO enche-se de luzes vermelhas e verdes. O relógio indica-nos que está na hora de entrarem os James, mas na verdade o que se começa a ouvir é o instrumental da A Portuguesa. Inevitavelmente o público começa a cantar o hino nacional, mas não foi só o público. Os James também intervieram e foi, a felicitar-nos pela conquista do Europeu, assim que entraram em palco.

JamesOs James são um caso de estudo: estão sempre a vir a Portugal e ainda assim o público não parece cansado de os ver. Parte da fórmula explica-se com a continuação de novos discos e originais e sempre bem orelhudos. A primeira parte do concerto teve como protagonista o último álbum, lançado já este ano, Girl at the end of the world. Quem estava à espera dos clássicos teve de esperar, mas eles chegaram. Laid, Sometimes, Star e Getting Away With It – esta última escolhida para finalizar o concerto já no encore. Ficou apenas a faltar Sit Down, mas quem viu o concerto não ficou defraudado. Está provado que os James são, pelo menos no Marés, uma aposta sempre segura.

O MEO Marés Vivas regressa em 2017, nos dias 13, 14 e 15 de julho.

Fotografia: Daniela Gandra