MaresVivasDia3-33

MEO Marés Vivas 2016, 3.º dia: a noite das apostas seguras

O terceiro, e último, dia do MEO Marés Vivas foi marcado por reencontros. James e Rui Veloso regressaram à Praia Do Cabedelo, formando uma aposta sem risco. O público conhece-os e sabe o que eles são capazes de fazer: espetáculo!

O sol e as temperaturas altas – bem altas – adiaram a vinda dos festivaleiros para o recinto do Marés. Os principais prejudicados, como sempre, foram os artistas portugueses do Palco Santa Casa, que atuaram para quase meia dúzia de pessoas. Pena, pois TatankaDiana Martinez mereciam mais. O público preferiu a sombra sentada, para acumular energias para a noite que estava para vir. Papillon tiveram a tarefa mais complicada do palco secundário, tendo sido empurrados para as 22h, no meio de atuações no Palco MEO.

MaresVivasDia3-9

O Palco MEO abriu com Beth Orton. Quem? Exato. Beth é uma britânica com mais de 20 anos de carreira, vencedora de um BRIT Award e conhecida pela sua mistura entre a folk e a eletrónica. Apesar de ter um CV de fazer inveja, poucos conheciam a cantora e poucos tiveram a curiosidade para ir para a frente do palco. A música melancólica nem sempre pareceu a mais apropriada para o momento – afinal de contas estamos em pleno verão, num ambiente familiar e apetece-nos dançar e não ficar parados. Um concerto tecnicamente sem falhas, mas que não conseguiu ficar para história.

MaresVivasDia3-3

Às 21h, 15 minutos antes do previsto, entra Tom Odell para o Palco MEO. Rapidamente conseguimos tirar algumas conclusões: há muito mais público que em Beth Orton e este público fez o TPC – sabem todas as letras de cor. A música de Odell pede palcos grandes, pede palmas. O público responde e cria-se uma grande empatia. O concerto não teve momentos mortos, até porque a música não deixava – sempre balançada entre a calma do piano e a agressividade da percussão. O momento mais alto e emotivo aconteceu com o tema mais conhecido do britânico: Another Love. Toda a gente cantou, Tom, finalmente, levantou-se do piano e dirigiu-se ao público com uma bandeira de Portugal. Um momento para recordar.

Tom Odell

Há uns anos, Rui Veloso também tinha sido o escolhido para fechar o Marés. O que é que mudou para o concerto de ontem? Pouco, quase nada. Quem contrata o portuense sabe o que que é que vai ter: um concerto de best-off com um público a saber todas as letras de trás para a frente. Aposta mais segura não existe.

E foi mesmo isto que se passou. Toda a gente, até aqueles mais difíceis e durões, cantam as músicas de Rui Veloso. É impossível contrariar. Foi mais de 90 minutos a recordar as músicas do afamado Pai do Rock Português. O concerto acabou, como se suspeitava, com Paixão (Segundo Nicolau da Viola), o anel de rubi, a elevar, mais uma vez, o romantismo do Marés.

Rui Veloso

Lembram-se de eu ter falado que o nacionalismo no Marés andava em níveis assustadores? Esperem, há melhor/pior. O Palco MEO enche-se de luzes vermelhas e verdes. O relógio indica-nos que está na hora de entrarem os James, mas na verdade o que se começa a ouvir é o instrumental da A Portuguesa. Inevitavelmente o público começa a cantar o hino nacional, mas não foi só o público. Os James também intervieram e foi, a felicitar-nos pela conquista do Europeu, assim que entraram em palco.

JamesOs James são um caso de estudo: estão sempre a vir a Portugal e ainda assim o público não parece cansado de os ver. Parte da fórmula explica-se com a continuação de novos discos e originais e sempre bem orelhudos. A primeira parte do concerto teve como protagonista o último álbum, lançado já este ano, Girl at the end of the world. Quem estava à espera dos clássicos teve de esperar, mas eles chegaram. Laid, Sometimes, Star e Getting Away With It – esta última escolhida para finalizar o concerto já no encore. Ficou apenas a faltar Sit Down, mas quem viu o concerto não ficou defraudado. Está provado que os James são, pelo menos no Marés, uma aposta sempre segura.

O MEO Marés Vivas regressa em 2017, nos dias 13, 14 e 15 de julho.

Fotografia: Daniela Gandra

Zeen is a next generation WordPress theme. It’s powerful, beautifully designed and comes with everything you need to engage your visitors and increase conversions.

Mais Artigos
Louco Por Ela
‘Louco Por Ela’. Novo filme espanhol da Netflix aborda a bipolaridade