O segundo dia do MEO Marés Vivas contou com concertos emotivos, mexidos, românticos e até um bocadinho lamechas. Mas algo que nunca mudou foi a atitude do público. que encheu o recinto e que esteve sempre pronto a cantar, independentemente de quem estivesse no palco.

Já era de conhecimento público que o dia 15 de julho do MEO Marés Vivas estava esgotado, mas só se sente realmente quando se chega ao recinto e se vê o mar de gente presente. A deslocação entre palcos é difícil – as filas para os stands publicitários são tão grandes que ocupam o caminho todo. Volta a velha questão: o Marés vai continuar aqui? Como disse ontem, o Marés cresceu e é preciso melhorar as condições para albergar tantas pessoas.

MaresVivasDia2-11

Um dos poucos beneficiados com a enchente do Marés é o Palco Santa Casa. Plus Ultra e Jibóia puderam contar com mais público que os colegas do dia anterior. Ambos os grupos apresentaram um som alternativo – a rasgar completamente com a restante oferta do festival. Competentes acima de tudo, os jovens grupos portugueses conseguiram conquistaram mais uma série de fãs.

Jibóia

Às 19h15, todas as atenções viram-se para o Palco MEO. É Jimmy P., o primeiro português a subir ao palco principal em 2016, e trouxe consigo Hip-Hop com um toque de RnB e Reggae. Jimmy estava a abrir o palco, mas a atitude em palco indicava que ele era um cabeça de cartaz, controlando o público a seu bel-prazer. Começava a longa noite do Coro da Praia do Cabedelo, incansáveis e com a letra bem decorada.

Jimmy P.

O público já estava on fire, mas ouviram-se muitos gritos de euroforia quando Jimmy anunciou o seu convidado: Diogo Piçarra. Os dois cantaram o tema Entre Estrelas sempre com um eco de mais de 25 mil pessoas. Nota bem positiva para Jimmy que mostrou estar pronto para receber públicos maiores.

Dengaz, o segundo artista a subir ao Palco MEO, continuou com os ritmos de Hip-Hop. A missão foi logo revelada no início do concerto: “Bora fazer barulho!”. O público respondeu efusivamente e com a coreografia bem estudada, hands up, hands down, o Hip-Hop está definitivamente no Marés.

Dengaz

O concerto passou pelos maiores êxitos de Dengaz e, adivinhem, sempre com o público a acompanhar bem alto. Após um medley/cover dos melhores êxitos do ano, surgiu um convidado surpresa: António Zambujo. Os dois interpretaram o tema Nada Errado, que pode ser encontrado no álbum Para Sempre de Dengaz. Foi com Dizer que Não que o concerto encerrou, não sem antes ser cantado,mais uma vez, o hino nacional e o “Campeões, Nós Somos Campeões”.

Às 22h recebemos um indivíduo de chapéu e de guitarra na mão. James Bay começa o seu concerto sem qualquer tipo de cerimónias. Ele veio para conquistar tudo e todos – e conseguiu. O público, ou melhor o Coro da Praia do Cabedelo, começou a cantar e só parou no final do concerto.

James Bay

As lanternas dos telemóveis dos festivaleiros, em conjunto com a canção Let it Go, provocaram um dos momentos mais memoráveis do MEO Marés Vivas. Scars tornou o grande Palco MEO numa pequena sala intimista, apenas Bay, uma guitarra e pessoas a assistirem a música ser feita.

A temperatura já era elevada, mas o calor do público era ainda maior, o que levou James Bay a tirar o casaco e a revelar uma t-shirt do Futebol Clube do Porto. A reação foi bem audível e deu mote à música final do concerto, Hold Back The River. James Bay tirou bilhete para o top dos melhores concertos do festival, pena o horário apertado que não possibilitou um merecido encore. De tirar o chapéu, sr. Bay.

James Bay

Vindos de Dublin, Irlanda, os Kodaline trouxeram a sua pop romântica e afável até ao MEO Marés Vivas. Sempre num tom a fugir para a folk, a musica dos Kodaline pede palmas e boa disposição e foi mesmo isso que teve por parte do público gaiense. Incansáveis, nunca pararam de cantar e de apoiar a banda – os irlandeses aproveitaram a ressaca do Euro com um constante apelo a Portugal, o que permitiu que o público nunca acalmasse. Temas como The One e All I Want – esta última foi escolhida para finalizar o concerto – protagonizaram os momentos mais românticos e cujos resultados veremos daqui a nove meses.

Kodaline

No MEO Marés Vivas o after-party é um during-party. Lost Frequencies subiu a palco à 1h da manhã e transformou o recinto do festival numa enorme pista de dança. Em modo de dj-set, o gigante – sim, ele é mesmo muito alto – belga ajudou o público a fazer uma viagem pelos vários géneros da música de dança.

Para manter as mais de 25 mil pessoas consigo, Felix de Laet – como indica o seu bilhete de identidade – começou por trazer músicas mais conhecidas. O público ficou na frente de palco? Claro, missão bem sucedida e que comece a viagem. Deep house, house, dance e até uma remistura da música do Rei Leão! A festa estava bem animada e mais ficou quando o belga tocou o seu original Reality que foi cantado por todos. Foi o final perfeito para uma noite de boa música.

Lost Frequencies

A vida são dois dias, mas o Marés três. A festa continua hoje com James, Rui Veloso e Tom Odell.

Fotografia: Daniela Gandra