Dragonfly in Amber divide-se entre os últimos momentos de Claire no século XVIII e o seu regresso à Escócia em 1968, na companhia da filha, Brianna. Num episódio alargado, com 90 minutos de duração, Outlander acaba a segunda temporada numa nota muito positiva.

Em 1746

O dia chegou. Consumido pelo próprio ego, o príncipe Charles Stuart (Andrew Gower) faz orelhas moucas aos pedidos de Jamie (Sam Heughan). Charles está decidido a lançar o seu exército fora de forma contra os ingleses numa última batalha. Claire (Caitriona Balfe) tem uma última ideia: envenenar o príncipe antes que a batalha comece.

Infelizmente, Dougal (Graham McTavish) descobre Jamie e Claire a planear este assassinato e, tomado por um fervor patriota, ataca Jamie, punhal em riste. Juntos, os protagonistas conseguem derrotar o velho soldado, apunhalando-o no peito.

Jamie, há muito preparado para o pior, apressa-se a passar a propriedade da família, Lallybroch, para o nome do sobrinho. Depois de garantir a segurança de Fergus (e depois de eu verter uma lágrima quando tanto Jamie como Claire o trataram por filho), Jamie confia em Murtagh (Duncan Lacroix) a missão de guiar os homens do seu clã até casa. O próprio Jamie, no entanto, está determinado a participar na luta e Murtagh promete voltar para morrer ao seu lado (e eu verti mais uma lágrima).

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Por fim, é tempo do adeus de Jamie e Claire. Jamie quer levar Claire até às pedras de Craig na Dun e fazê-la voltar ao futuro. Claire começa por resistir à ideia, insistindo que quer ficar ao lado do marido, o grande amor da sua vida, mas acaba por aceder ao pedido, quando Jamie lhe diz que sabe que ela está grávida novamente.

Embora as cenas no século XVIII tenham ficado a perder com a divisão do episódio entre passado e futuro (já que foram bastante curtas), acabaram por funcionar. Sou bem capaz de apostar que iremos ver mais de Culloden Moor no início da próxima temporada – incluindo a própria batalha. Aliás, é bom que assim aconteça, porque passamos demasiado tempo a falar como Culloden para agora não vermos o que lá acontece.

A cena final entre os dois protagonistas é lindíssima e cheia de emoção. Caitriona Balfe e Sam Heughan estiveram no seu melhor (Heughan, especialmente, no melhor que esteve pelo menos desde o meio da temporada) e a química palpável entre ambos esteve sempre presente.

Esta cena foi capaz de me arrancar bastantes lágrimas e reafirmou aquilo que disse ao longo dos últimos episódios: o coração de Outlander é, realmente, a relação entre Jamie e Claire. Por fim, destaque para um pormenor: Jamie a dançar com Claire, não a largando até ela tocar nas pedras e literalmente desaparecer, foi só muito bonito.

Em 1968

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Vinte anos depois de voltar do passado, e com Frank já falecido, Claire regressa à Escócia, na companhia na filha Brianna (Sophie Skelton), cujos cabelos ruivos deixam adivinhar quem é o seu verdadeiro pai. O motivo da visita é a morte do Reverendo Wakefield, e Claire e Brianna acabam por passar uns dias com o filho deste, Roger (Richard Rankin).

Estar de volta à Escócia imediatamente acorda uma série de emoções em Claire, especialmente saudades de Jamie. Caitriona Balfe invoca tudo isso na sua interpretação, oferecendo ainda a Claire um ar de quem não pertence ali, de alguém cujo coração está noutro lado.

A cenas em que Claire visita Lallybroch funciona muito bem – e a cena em que Claire fala para a suposta campa de Jamie em Culloden só não é melhor porque a peruca horrível de Claire é ridiculamente distrativa – por favor, alguém conserte isso para a próxima temporada.

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Enquanto Claire se perde em recordações, Brianna explora as vistas, tendo Roger como guia. Posso já dizer que acho estes dois super queridos. Brianna, especialmente, revela-se desde já uma personagem com um potencial incrível, numa atuação de Sophie Skelton que cresce ao longo do episódio. Parece-me certo, pelo destaque que lhes é dado, que ambos irão ter muita importância em futuras temporadas.

Quando visitam Fort William, Brianna pergunta se Roger sabe alguma coisa do que se passou entre Claire e Frank há vinte anos atrás. Brianna mostra-se determinada a encontrar a verdade e os dois decidem pesquisar nos diários do Reverendo.

Os dois encontram um velho jornal, com a notícia de que Claire teria sido raptada misteriosamente e Brianna não demora muito a perceber que tal aconteceu na altura que em foi concebida. Ou seja, Frank não pode ser o seu pai biológico.

Em casa, Brianna confronta a mãe, acusando-a de trair Frank e de voltar agora à Escócia para estar com o amante. Claire, perplexa, tenta explicar-se e contar à filha sobre Jamie – mas a verdade é que o seu conto de viagens no tempo é difícil de engolir.

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No entanto, Brianna acaba por ter provas deste conto de fadas. Depois de a conhecerem numa universidade, Brianna e Roger (tal como Claire) observam Gillies Duncan (Lotte Verbeek, uma cara conhecida da primeira temporada) a atravessar as pedras de Craig na Dun.

Assim, Roger e Brianna revelam a Claire o que descobriram entretanto: Jamie está vivo, tendo sobrevivido à batalha. Ao saber disto, a decisão é óbvia para Claire: voltar ao passado e reunir-se com Jamie. E, embora, esta última cena tenha sido um pouquinho melodramática demais (o “I have to go back!” de Claire foi reminescente de Jack em Lost), este é um bom mote para a próxima temporada – já confirmada pelo canal Starz.

Embora admita que (ainda) não li os livros em que está adaptação é baseada, já me foi dito que o próximo é bastante bom e, daquilo que sei, podemos esperar grandes histórias. Espero que assim seja, para que Outlander continue o bom trabalho desenvolvido nesta segunda temporada – no geral, muito satisfatória e consistente.

Nota: 9/10