O dia 7 de julho de 2016 marcou a celebração do primeiro dia da 10.ª edição do festival NOS Alive e contou com nomes de peso como o lendário Robert Plant, Pixies e The Chemical Brothers.

Na abertura do Palco NOS, pelas 18h, os britânicos de Manchester The 1975 tentaram divertir uma plateia ainda pouco numerosa e maioritariamente composta por uma fanbase jovem.

O alinhamento apresentado oscilou entre o homónimo registo de estreia e o I like it when you sleep, for you are so beautiful yet so unaware of it, com UGH!, Somebody Else e If I Believe in You.

O frontman Matthew Healy interagiu constantemente com o público, fazendo-o pular, elogiou o cartaz do festival, anteviu os concertos de Pixies e de The Chemical Brothers, e chegou, inclusivamente, a prometer um futuro regresso a Portugal. No meio de um mar de gente que se foi avolumando, foi possível avistar um grupo de pessoas a ostentar a bandeira do País de Gales. Se foi uma tentativa de curar a ressaca do jogo com a nossa Seleção, a verdade é que a banda sonora não conseguiu prestar-lhes auxílio.

Os Biffy Clyro, nome da praxe nos principais festivais em terra de Sua Majestade, iniciaram a sua atuação de forma pujante e agressiva com Wolves of Winter, aproveitando a ocasião para promoverem o sucessor de Opposites,  Ellipsis, lançado no próximo dia 8 de julho.

Biffy Clryro

Com agradecimentos intermináveis, o trio escocês revisitou parte da sua discografia, dando continuidade ao espectáculo com Living Is A Problem Because Everything Dies e Biblical.  Seguiram-se temas como Friends and Enemies, que estará presente no futuro álbum, Born in a Horse, Victory Over the Sun  e Bubbles.

O vocalista Simon Neil dirigiu palavras carinhosas ao público (“You make us feel really special”) e confirmou a vontade de tocar durante toda a noite no NOS Alive. Terminando com o single Stingin’ Belle, sentenciaram que os Biffy Clyro serão sempre os Biffy Clyro.

Velhos são os trapos!

Num dos mais aguardados nomes da noite, Robert Plant fez-se acompanhar dos competentes The Sensational Space Shifters e não colocou de lado todo o seu trabalho enquanto membro dos icónicos Led Zeppelin.

Revisitando clássicos, The Lemon Song abriu o concerto e foi tocada irrepreensivelmente, tal como Black Dog. Rainbow, Turn It Up e Poor Howard foram as únicas canções tocadas do seu último álbum, Lullaby and the Ceaseless Roar. Continuando a aventura, depois de uns mistura de No Place to Go e Dazed and Confused, houve tempo para três covers dos temas Babe, I’m Gonna Leave You, Little Maggie e Fixin’ to Die. Na reta final do concerto, ouviram-se partes de I Just Want to Make Love to You e de  Whole Lotta Love, ficando Rock and Roll reservada para os últimos três minutos finais, já no encore. Concluindo, velhos são os trapos!

Pixies

Pouco comunicativos como o habitual, os Pixies tinham pela frente a difícil tarefa de igualar ou superar o nível de Robert Plant. Iniciando com Bone Machine, o longo espetáculo proporcionado pela banda continuou com uma cover dos Jesus and The Mary Chain,  Head On, Wave of Mutilation, Subbacultcha, Velouria e teve inclusive uma passagem pelo malogrado Indie Cindy. Inexplicavelmente adormecido, o público apenas se fez ouvir com Monkey Gone to Heaven e a energética Gouge Away. Os êxitos incontornáveis dos norte-americanos como Where is my Mind, Here Comes Your Man, Vamos e Debaser estiveram presentes na parte final de um belo concerto, ainda que com ligeiras nuances.

No palco Heineken, começavam a tocar os Junior Boys, dupla formada por Jeremy Greenspan e Matt Didemus, que apresentou Big Black Coat, o último disco que assinalou o regresso da banda aos discos, tendo sido editado em fevereiro do presente ano pela City Slang. As melodias e os ritmos dançáveis dos canadianos agitaram durante cerca de 45 minutos o público e guardaram Banana Ripple para fechar com chave de ouro.

O inflamável melhor concerto do dia

Chemical Brothers

Incendiários, tal como seria expectável, os The Chemical Brothers iniciaram precocemente o seu concerto e pontualmente, à 1h, tocaram Hey Boy Hey Girl, antecedendo Sometimes I Feel So Deserted e Do It Again, para o delírio da plateia. A viagem pela electrónica de excelência do duo composto por Tom Rowlands e Ed Simons continuou com Go, a deliciosa Swoon e Temptation, dos New Order, misturada com Star Guitar. Sobre um pano de fundo com maravilhosas projecções, ouviu-se ainda Setting Sun, Don’t Think, Galvanize e encerraram a sua atuação com Block Rockin’ Beats. Estava dado, indubitavelmente, o melhor concerto do dia.

Para os mais resistentes, a festa no recinto do NOS Alive continuou nos palcos Clubbing e Heineken, com espetáculos de Throes + The Shine e um dj set de 2manydjs, respetivamente.

Fotografias de Catarina Alves.