Começa hoje o mês de julho e, por isso, chega também a altura de apresentar mais um Apsarases. Desta feita, e visto que estamos em pleno verão com os festivais aí à porta, nada melhor que falar de uma banda que marcará este ano a sua presença em Portugal e que, há poucos meses, apresentou um videoclip em que mais uma vez a dança tem um papel fundamental.

Falamos dos Chemical Brothers, dupla de música eletrónica do Reino Unido composta por Tom Rowlands e Ed Simons (cuja presença no NOS Alive deste ano está confirmada) e, neste caso, do videoclip de uma das músicas do mais recente trabalho da banda – Wide Open. Esta conta também com o contributo vocal do artista Beck. A dança aparece como elemento principal na composição do vídeo, tendo-o tornado um dos mais vistos logo após ser partilhado pela banda britânica.

É muito comum encontrar nos videoclips coreografias que apenas acompanham a batida da música e lhe conferem algum movimento. Pelo contrário, no clip desta célebre música, retirada do disco Born In The Echoes, editado em 2015, vê-se uma bailarina, uma coreografia criativa e magnificamente dançada, e uma grande produção que nos mostra um conceito diferente e invulgar.

A bailarina Sonoya Mizuno interpreta uma coreografia de Wayne McGregor, o mesmo coreógrafo de Lotus Flower, de Thom Yorke. Enquanto dança, ocupando todo o espaço envolvente com movimentos de dança contemporânea, Sonoya vai-se transformando.

Primeiro, a perna esquerda, depois o tronco e o braço esquerdo. E por aí fora, até que todo o seu esqueleto é substituído por uma estrutura impressa em 3D.

Dom&Nic, directores criativos deste projeto, explicaram que a ideia foi unir o mecânico e o orgânico, tendo ido buscar inspiração às estruturas celulares para criar o tão pormenorizado modelo 3D da bailarina.

A coreografia

Os movimentos de Sonoya acompanham a ‘história’ que Beck vai narrando. Através de uma abordagem leve, mas que transmite uma infelicidade até visível em todas as expressões da bailarina, ele conta-nos que sente a falta de alguém que lhe foi escapando e que o foi abandonando. E ouve-se: “I’m wide open” (“Estou bem aberto”), como quem diz: “Volta, estou à tua espera!”.

Quando o lado esquerdo do seu corpo fica completamente transformado, Sonoya levanta a camisola e olha para o seu coração que ainda bate, como em representação da vulnerabilidade lírica da canção. Em roupa interior, e completamente sozinha num armazém, a bailarina continua a dançar enquanto se ouve uma letra bonita, mas ao mesmo tempo melancólica.

Foto: vídeo

Sonoya no videoclip

Os movimentos são leves, muito calmos, apesar do ritmo mais ‘acelerado’ da música, mas também encadeados… Características de uma dança contemporânea, trazendo à música uma melodia quase surrealista, pós-humana.

Na perfomance, outro aspeto inegável, é a formação clássica da bailarina que deixa tudo mais bonito e elegante. Começa com pequenos movimentos, pés super esticados, coordenação perfeita e uma expressão facial que é a cereja no topo do bolo. Vai aumentando o seu ritmo até ao final, em que pára no mesmo local onde começou.

Com uma variante que nos deixa totalmente colados ao ecrã, foi utilizada uma variedade de técnicas de efeitos visuais, que se emparelham ao fluxo orgânico e movimento da bailarina profissional, produzindo assim este resultado final: uma produção e um trabalho de excelência que se encaixa na perfeição com o som ‘eletrizante’ da banda inglesa.

O vídeo foi realizado pela premiada dupla Dom&Nic, com a ajuda da agência criativa The Mill. No Youtube ultrapassa já os 13 milhões de visualizações e os 88 mil gostos.

Sonoya Mizuno, a bailarina clássica

Sonoya Mizuno nasceu na Ásia e frequentou a Royal Ballet School. Mais tarde, ingressou também pela carreira de modelo. Estreou-se em frente às câmaras, em 2015, com o thriller de ficção científica Ex Machina, de Alex Garland.