Pentatonix, o grupo de cinco vocalistas à capela que cativou o mundo, trouxe a Portugal a Pentatonix World Tour e passaram pelo Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Us The Duo foram responsáveis pelo aquecimento e foram bem sucedidos. “Estão preparados para ver o melhor grupo à capela do mundo?“, perguntaram e o Coliseu fez ouvir o entusiasmo.

O duo é formado por Carissa e Michael Alvarado. O casal que ganhou fama com os vídeos partilhados no Vine mostrou uma boa química no palco: ele no teclado, ela na voz. Na noite em que o país parou para assistir à partida da seleção portuguesa de futebol contra a Croácia, agradeceram a presença do público: “Vocês podiam estar todos a ver o jogo, mas estão aqui connosco” e afirmaram: “Também estamos a torcer por Portugal.

Confessaram os seus gostos musicais variados e listaram vários artistas que lhes servem de inspiração. Til The Morning Comes foi uma ode a Johnny Cash e terminaram a abertura com um medley que incluiu Adele, Nick Jonas, Taylor Swift e Bruno Mars.

Pentatonix iniciaram o espetáculo com Cracked, canção do seu primeiro disco de composições próprias, e o concerto teve um alinhamento harmonioso de originais e covers. Ao introduzirem Can’t Sleep Love, o primeiro single do disco Pentatonix, pediram: “Se souberem a letra, cantem também” e o público cantou. Acompanhou com a mesma alegria as músicas novas como fez com os grandes êxitos, fosse num arranjo em homenagem a Michael Jackson ou na versão de No, de Meghan Trainor.

Recordaram a passagem pelo mesmo palco, em 2015, com a digressão On My Way Home e afirmaram: “O ano passado foi um dos melhores concertos.Kevin Olusola é o beatboxer que dá ritmo ao grupo e em conjunto com Avi Kaplan, responsável pelos graves, receberam os aplausos mais calorosos nas poucas ocasiões em que cantaram. “Vocês são o melhor público“, admirou Olusola.

O último single, If I Ever Fall in Love, é uma adaptação do sucesso de Shai e conta com participação de Jason Derulo. No palco do Coliseu não esteve Derulo mas regressaram Us The Duo para acompanhar e soaram equilibrados com o quinteto. “Vocês são tão selvagens e incríveis“, notou o tenor Mitch Grassi e disse Lisboa ser uma das suas cidades favoritas. “Não apenas por ser uma cidade linda, mas porque as pessoas são muito bonitas“, confessou e aproveitou a oportunidade para capturar a multidão. A fotografia foi posteriormente partilhada na página do Twitter do grupo, onde voltaram a mostrar amor pela capital.

Foram de assinalar dois interlúdios onde o grupo aproveitou para demonstrar versatilidade. O primeiro foi aquele em que Olusola tocou no violoncelo a Suite No. 1 de Bach, depois acompanhada de beatboxing. O segundo momento foi quando o grupo cantou Christus factus est, do compositor austríaco Anton Bruckner. Os cânticos criaram uma atmosfera religiosa e a voz grave de Kaplan fez estremecer o Coliseu. A transição de Christus para Aha! mostrou a fluidez espetacular com que Pentatonix constroem os seus arranjos.

Se Olusola e Kaplan são os instrumentos do grupo, as vozes que lhe dão corpo são as de Scott Hoying e Mitch Grassi. Os youtubers responsáveis pelo canal Superfruit tiveram várias oportunidades de ostentar os seus talentos vocais. Hoying fê-lo em Radioactive, dos Imagine Dragons, e Grassi aproveitou Aha! para demonstrar os seus agudos. Kirstin Maldonado, a única voz feminina do grupo, exibiu uma voz mais fraca e mostrou-se tímida em comparação com a dos colegas. Mas em Water, a vocalista , que recentemente anunciou o seu noivado, brilhou com a sua voz etérea. “Timid heart, hide my scars / Make me stronger / I can’t take this any longer / I need you like water“, cantou naquela que é das melhores composições do disco e uma balada com uma sonoridade muito própria.

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Depois do famoso medley de Daft Punk, o público pediu mais. O grupo regressou para o encore e pediu silêncio absoluto. A audiência efusiva anuiu. Sem microfones, o quinteto embalou o público lisboeta com Light In The Hallway. Pentatonix despediram-se do Coliseu com Sing“Sing it out as hard as you can”, pediram e o público fê-lo. À saída da sala, todos continuaram a cantar.