Com a derradeira batalha de Culloden Moor a meros dias de distância, Outlander continua a atar as pontas soltas da temporada: Jack Randall e Mary Hawkins estão de regresso enquanto Jamie faz uma última tentativa para impedir o futuro.

Este penúltimo episódio da segunda temporada de Outlander foi um pouco estranho. Foi um episódio mais lento, com várias histórias sem muita ligação entre si. No entanto, algumas das cenas resultaram muitíssimo bem e o tom do episódio é acertadamente desesperante. Especial destaque para as batalhas verbais entre Claire (Caitriona Balfe) e o Capitão Jack “Black” Randall (Tobias Menzies) , que voltou a dar o ar da sua graça (ou, melhor dizendo, o ar da sua desgraça).

O exército escocês está cada vez mais fraco, esfomeado e sem moral. Pior ainda, Culloden Moor espreita no horizonte, literalmente a poucas milhas de distância. E segundo Claire, os livros de história datam a batalha para dali a uns dias.

O inevitável do que espera os escoceses esteve presente a temporada inteira, mas mais do que nunca neste episódio. A própria Claire parece não ter mais ideias: “All that work. All that plotting. How the bloody hell did we end up here?”, pergunta, com visível cansaço.

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Por seu lado, Jamie (Sam Heughan) tenta apelar ao bom senso de Charles (Andrew Gower), num último Hail Mary (que dá o título ao episódio). Desesperado por mudar o futuro, pede para esperar por reforços franceses antes de atacar. No entanto, o príncipe prova mais uma vez que, se há uma coisa que Charles Stuart não tem, é bom senso.

Jamie, ao comando de metade do exército, espera no local marcado para atacar quando recebe a notícia de que a outra metade dos homens, comandados por Charles, se perderam na noite e acabaram por voltar atrás. O resultado: a batalha vai mesmo ocorrer em Culloden Moor.

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A primeira das caras conhecidas que regressam este episódio é o irmão de Dougal (Graham McTavish), Colum Mackenzie (Gary Lewis), gravemente doente. Nem Dougal nem Colum alguma vez foram das minhas personagens preferidas e talvez seja por isso que tive dificuldade em prestar atenção a tudo o que os dois irmãos estavam a dizer, mesmo tendo em conta a boa atuação de Graham McTavish.

Basicamente, antes de morrer, Colum nomeia o filho como herdeiro, mas precisa de uma espécie de regente. Dougal voluntaria-se, mas o irmão escolhe Jamie para a tarefa, sabendo que Jamie não irá sacrificar os seus homens à toa. O que me deixou a pensar que talvez Jamie consiga ainda arranjar um plano para escapar à batalha que se aproxima.

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Entretanto, Claire encontra Mary Hawkins (Rosie Day) em Inverness e oferece-se para ajudar Alex (Laurence Dobiesz), cada vez mais doente. E Alex tem outra visita: o irmão, “Black” Jack Randall que parece, afinal, ter um coração.

Quando Claire afirma não haver cura para Alex, Jack pede a sua ajuda para, pelo menos, lhe aliviar a dor em troco de informações sobre o exército inglês. Alex não tem muito tempo de vida e pede ao irmão que case com Mary, para que esta (e o bebé que espera) não fiquem sem nada após a sua morte.

Claire, sabendo que também Jack está destinado a morrer dali a poucos dias, convence-o a satisfazer a vontade do irmão. Mas não antes de uma intensa conversa entre Jack e Claire, que volta a trazer ao de cima a maldade do capitão inglês e em que o desprezo mútuo é notável.

Como sempre, Tobias Menzies deve ser aplaudido na sua interpretação de Black Jack. Por um lado, quando o vemos reagir ao sofrimento do irmão Alex, consegue fazer o espetador crer que exista alguma humanidade no vilão. Por outro, na cena seguinte já relembra o quão odiável Jack verdadeiramente é. As suas cenas são as melhores do episódio, especialmente quando as partilha com Caitriona Balfe, sempre arrebatadora – quer Claire esteja desmoralizada ou com as garras de fora.

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Por fim, um dos pontos fracos deve-se novamente ao pouco destaque dado a Jamie e Claire enquanto casal, com apenas duas cenas a sós – que, sem surpresa, foram ótimas. Sabendo que Claire volta ao século XX sozinha no próximo episódio, quanto mais pudesse ver deste dois juntos antes da separação, melhor. Fica a esperança que a season finale compense e que o adeus de Jamie e Claire (pelo menos por algum tempo) seja tão emocional como deve ser.

Nota: 7