Depois do episódio da semana passada, toda a gente acreditou que seria difícil superar a elevada fasquia. Mas o último episódio desta sexta temporada de Game of Thrones provou exatamente o contrário. The Winds of Winter estreou no canal HBO no dia 26 de junho. Em Portugal, a série Guerra dos Tronos é exibida no SyFy.

Em Winterfell

A situação no Norte não começa de maneira favorável. Davos (Liam Cunningham) confronta Melisandre (Carice van Houten) acerca do seu envolvimento na morte de Shireen Baratheon e a feiticeira admite a sua culpa, o que faz com que Jon (Kit Harington) a expulse de Winterfell, ameaçando-a de morte caso algum dia ela regresse ao Norte. Tendo em conta que Melisandre foi responsável pela sua ressurreição, Jon não teve um “obrigado” propriamente bonito. Só espero que isto seja uma boa oportunidade para a personagem florescer ao invés de simplesmente prestar serviços a terceiros, como tem feito até agora.

Mas nem tudo são más notícias. Os lordes do Norte e os Wildlings estão reunidos para planear o combate contra os White Walkers que se avizinham. Graças a um discurso inspirador de Lyanna Mormont (Bella Ramsey), todos declaram Jon como o verdadeiro Rei do Norte. Eu até ficaria feliz por Jon mas só consegui reparar, mais uma vez, no gigante talento de Bella Ramsey e em como Lyanna é uma pequena amostra de que as mulheres da série estão cada vez mais destemidas.Game of Thrones

Para lá da muralha

Bran (Isaac Hempstead Wright) e Meera (Ellie Kendrick) despedem-se do tio Benjen Stark (Matteo Elezi)e o jovem dá-nos a sua última visão da temporada e a mais importante até agora. Visitamos novamente um jovem Ned Stark, na Tower of Joy, visitando a sua irmã, Lyanna, que acabou de dar à luz e está às portas da morte.

Ned cumpre a promessa de cuidar do filho de Lyanna, o qual é, nada mais na menos, Jon Snow. Já toda a gente desconfiava que Jon era fruto do amor entre Lyanna e Rheager Targaeryn, tornando-o filho do fogo e do gelo e, no fundo, o segredo de toda a história. Esta visão veio confirmar parte dessa teoria e eu não poderia estar mais satisfeito!

GOT610_100315_HS__DSC3581[1]_FULL

Em Twins

Walder Frey (David Bradley) celebra com os Lannisters a conquista de Riverrun mas a sua alegria não dura muito. Mais tarde, quando Frey está a ter uma refeição sozinho, surge uma empregada que lhe serve uma tarte composta pelos restos dos seus filhos. A rapariga retira a máscara e revela ser Arya (Maisie Williams), que corta a cabeça de Frey sem piedade.

Arya aparece durante dois minutos e quase que rouba o episódio inteiro. A nossa jovem Stark está finalmente a cumprir a sua missão, eliminando nomes da sua lista de inimigos. Tendo em conta que uns quantos Lannisters constam igualmente na lista, mal posso esperar para ver o que a protagonista tem guardado na manga para a próxima temporada.Game of Thrones

Em King’s Landing

Para quem já viu o episódio, é impossível negar que as cenas em King’s Landing foram as mais marcantes do episódio – talvez até de toda a série. A multidão reúne-se no Septo de Baelor e dá-se início ao julgamento de Loras (Finn Jones), no qual ele confessa todos os seus pecados – incluindo a sua homossexualidade -, dizendo que deixará para trás o nome e a família Tyrell, juntando-se agora à Fé dos Sete.

Preferia ter visto um Loras revoltado e morrendo com honra, mas isto pouco importa para o que se avizinha. Cersei (Lena Headey) prende Tommen (Dean-Charles Chapman) no seu quarto e decide não ir ao seu próprio julgamento. Ao invés disso, a protagonista apodera-se de uma gigante quantidade de fogo selvagem plantado por baixo do Septo.

Enquanto isso, Pycelle (Julian Glover) é atraído para as catacumbas e morto à facada pelos seus “pequenos pássaros”. Força infantil ao rubro nesta série, não haja dúvida. Também Lancel (Eugene Simon) é esfaqueado nas masmorras e assiste à explosão do fogo, que destrói todo o Septo, bem como as pessoas lá presentes, incluindo Loras, o High Sparrow (Jonathan Pryce) e Margaery (Natalie Dormer).

Cersei decide manter Unella (Hannah Waddingham) prisioneira e torturá-la, à medida que se afasta com a famosa palavra “Shame!“. Tommen, devastado pelo acontecimento e percebendo que foi tudo culpa da sua mãe, suicida-se, atirando-se da janela do castelo. Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) regressa mesmo a tempo de assistir à coroação de Cersei, agora nomeada a primeira Rainha dos Sete Reinos.Game of Thrones

Repito o que disse ao início: depois da Batalha dos Bastardos no episódio passado, esperava agora um final mais calmo, mas os criadores da série conseguiram efetivamente criar um episódio altamente glorioso, que não precisou de mil cavalos e outras tantas espadas para deixar uma marca.

Cersei tem vindo a plantar a sua vingança ao longo da temporada e fomos todos ingénuos ao achar que esta viria mais tarde do que cedo. São muitos os que dizem que a protagonista utiliza a violência excessivamente, aproximando-se dos rituais do famoso Mad King – há quem lhe chame já a Mad Queen. Ainda assim, isto foi um momento genial e realmente fiel à sua personagem. Cersei destrói toda e qualquer pessoa que se meta no seu caminho e, desta vez, decidiu limpá-los a todos em grande.

Claro que tudo isto vem com um preço. Custa-me especialmente a morte de Margaery, pois sinto que a personagem ainda guardava um grande plano que não chegou a cumprir. Margaery foi vítima do que os homens queriam e nunca chegou a jogar o jogo por si só. Ainda assim, se tenho de me despedir dela para poder ver Cersei no trono de ferro, então que o seja.

Em Meereen

Daenerys (Emilia Clarke) informa Daario (Michiel Huisman) de que este ficará em Meereen, governando a cidade. Isto significa que talvez seja a última vez que vemos Daario na série, tornando-se assim em mais um coração que Daenerys partiu no seu caminho para o poder. Enquanto isso, como forma de agradecimento pelos seus conselhos, a mãe dos dragões decide nomear Tyrion Lannister (Peter Dinklage) a Mão Direita da Rainha. Está assim oficialmente criada uma dupla que tem tudo para conquistar Westeros com uma perna às costas. Ou, pelo menos, assim pensamos nós.

20160603_ep610_publicity_still_042-001815311-1

E o resto?

Sam (John Bradley) e Gilly (Hannah Murray) chegam finalmente a Oldtown e esta cena apenas serviu para duas coisas: uma imagem magnífica criada a computador da biblioteca na qual Gilly passará certamente o resto dos seus dias e a libertação de corvos brancos, como sinal de que o inverno finalmente chegou – como sempre foi prometido por Ned Stark.

Em Dorne, Olenna (Dianna Rigg) encontra-se com Ellaria (Indira Varma) e as filhas, percebendo que todas têm agora um objetivo em comum: vingança contra os Lannisters. Isto faz com que ambas as casas (Martell e Tyrell) se juntem à frota de Daenerys, agora também acompanhado pelos Greyjoy, à medida que esta começa a atravessar o mar, pronta para finalmente conquistar Westeros. Dorne voltou assim a ter tempo de antena para nos mostrar o nascimento de uma forte aliança que dá a Daenerys os “amigos” de que esta tanto precisava em Westeros (graças à missão secreta de Varys).

Para uma temporada que já não tinha os livros como base, posso agora dizer que foi uma das minhas favoritas de toda a série. Cada episódio desta temporada foi simplesmente estrondoso, ao mesmo tempo que ia plantando os choques finais para os últimos episódios. Como se isto não bastasse, até mesmo este episódio foi capaz de fechar inúmeros narrativas enquanto abria outras tantas.

A vingança de Cersei foi um momento altamente aguardado, que não só serviu para proclamar o seu estatuto enquanto sobrevivente e lutadora, mas também para mostrar que os Lannisters claramente não têm medo do que se avizinha.

Na sétima temporada de Game of Thrones, podemos esperar a tão aguardada chegada de Daenerys a Westeros, talvez o confronto desta com os Lannisters e o desvendar da restante história de Jon Snow. Posto isto, não sei se o meu estado de excitação se deve a uma viagem louca na qual esta temporada nos levou ou às aventuras tão boas ou melhores que se avizinham no próximo ano.

NOTA: 10/10