O segundo dia acordou, finalmente, com o sol a mostrar-se, ainda que este não tenha afastado o incómodo vento que no dia anterior se fez sentir na Ericeira. O rap foi novamente o tema central no segundo dia do Sumol Summer Fest, ainda que hoje se tenha deixado influenciar largamente por sons eletrónicos.

Ao fim da tarde ainda muitas pessoas regressavam vagarosamente do Soundset na Ribeira d’Ilhas, pelo que quando Elliphant começou o seu concerto, uma hora antes do previsto para dar espaço ao jogo da seleção, ainda eram poucos aqueles que se encontravam à frente do palco. O seu rap guiado por influências de dubstep bem tenta sacudir a sua audiência, mas são poucos os que se deixam levar pela entusiasmada vocalista sueca. Talvez fosse um concerto que encaixasse melhor numa hora mais avançada do dia.

Quando acaba o concerto, o palco fica despido de instrumentos – é hora de futebol. No ecrã gigante utilizado pelos artistas para mostrar diversas temáticas visuais, que encabeça o fundo do palco, joga agora a seleção nacional. Filas de pessoas ansiosas sentam-se à frente e vão enchendo a colina até abraçarem mais acima a cabine de controlo do som. Os jogadores entram em campo e todos se levantam para cantar o hino.

A plateia de apoio à seleção no segundo dia do Sumol Summer Fest

A plateia de apoio à seleção

Ao longo do jogo, ouve-se maioritariamente o relato, apenas interrompido ocasionalmente por um cântico de apoio para levantar a moral dos espetadores, já que a seleção está longe e o jogo não vai fácil. Fim da primeira parte e é tempo de levantar e esticar as pernas. Fim da segunda parte e é tempo de levantar e esticar as pernas. Fim da primeira parte do prolongamento e alguns ficam em dúvida: “Não há intervalo”, ouve-se. A ansiedade pesa, os nervos acumulam-se e já todos esperam as grandes penalidades, tudo para no fim terminar em grande. Golo! Que explosão de alegria! As filas que antes se sentavam transformam-se com um estrondo em círculos que se abraçam, saltam e gritam. Até ao fim, e ignorando os minutos finais de sufoco que se viveram em campo, foi a festa total. “Portugal, Portugal!” ouve-se por todo o lado.

A festa é grande e todos participam, mas não há tempo a perder. Os concertos vão já atrasados com tanto tempo de jogo e é altura de os instrumentos voltarem a conquistar o palco. Logo a seguir a eles, entra Jimmy P, com metade do trabalho feito pois encontra um público já em euforia por causa do jogo. Faz uma atuação interessante, com um público bastante presente e interativo, e traz ainda perto do fim Valete para recordar a Vanessa da Roleta Russa, meio censurada.

O público a puxar por Jimmy P no segundo dia do Sumol Summer Fest

O público a puxar por Jimmy P

Um espaço que se destaca pela positiva é o Sumol Sound Academy já que, quer com concerto no palco principal ou não, enche sempre a sua clareira de pinhal com uma audiência entusiasta e proporciona-lhes uma ligação mais forte com o artista ao reduzir a sua distância. Desta vez é Slow J com um hip-hop “de garagem” que canta com um enorme apoio daqueles que vieram para o assistir.

A noite continua e é a vez de Madcon subirem ao palco Sumol. O duo faz uma atuação peculiar, com um cantor sério e outro nem tanto; vão-se metendo com o público, com os seguranças, ou até um com o outro. Apesar da sua química interessante, musicalmente falando não acrescentam nada de novo ao que já se ouviu até agora neste festival, um pseudo rap novamente a puxar batidas eletrónicas.

Madcon no palco Sumol no segundo dia do Sumol Summer Fest

Madcon no palco Sumol

Segue o relógio e a música fica na mesma. Entra Tinie Tempah e vem mais hip-hop eletrónico. Com o objetivo de atrair um nicho jovem e urbano, o Sumol Summer Fest cai no erro da repetição; não há variedade de estilos de música, de tempos ou sequer a ambição de se fazer música com o objetivo de a ouvir por si só. Feitas as contas, é maior o tempo passado de volta dos “Hey Oh’s”, “Put your hands up in the air” ou até “Façam barulho”, sejam em inglês ou português, do que aquele a a fazer música que quer ser ouvida e apreciada. O espetáculo ganha a importância maior, o conteúdo do mesmo passa para segundo lugar.

Tinie Tempah no palco Sumol no segundo dia do Sumol Summer Fest

Tinie Tempah no palco Sumol

É preciso chegar ao fim do dia para se ouvir uma mudança (mínima) no estilo de música, já que com Robin Schulz entramos na eletrónica pura. A mudança foi tão brusca que até o sistema de som estranhou e foi abaixo, nada que não se resolvesse uns breves minutos depois. Já pela noite (muito) adentro, com fortes batidas e lança-chamas à mistura, é a festa final da edição do Sumol Summer Fest deste ano. Devido à fraca diversidade sonora que apresenta, pode ser um sucesso para as pessoas que respiram estes géneros musicais, mas torna-se maçudo e repetitivo para todos os outros.