Field Day festival Londres

Field Day Festival: enfrentar o mau tempo ao som de boa música

PJ Harvey e James Blake provaram ser o comprimido perfeito para os dias de chuva, em mais uma edição do Field Day Festival, em Londres.

Chove torrencialmente no Victoria Park, em Londres. Do palco principal vê-se um mar de gente tentando resguardar-se o melhor que pode debaixo de ponchos, guarda-chuva de todas as cores e galochas de muitos estilos. Mas desengane-se quem pensa que a chuva é motivo para desanimar os festivaleiros. Ninguém arreda pé do Field Day Festival e há até quem aproveite a lama que cobre o chão para dançar ainda com mais vontade.

As bandas que vão passando pelos muitos palcos do festival, todos eles com diferentes nomes de produtoras de música inglesas e espaços de concertos londrinos, dão o seu melhor para substituir a energia que se perde com a falta de sol. Air, The Temper Trap, Cass Mccombs, Gold Panda ou Dusky são muitos dos nomes que enchem o cartaz destes dois dias de música: do jazz ao techno, nada fica esquecido.

Entre todos aqueles que perfazem o line-up do festival há várias surpresas. Entre elas está o quarteto de Atlanta, Deerhunter, que subiu a palco no sábado, dia 11 de Junho. Com os seus toques de indie rock, a banda norte-americana aquece o coração de quem os ouve. Mas quem também não lhes fica atrás é Youth Lagoon. O californiano de 27 anos, ajudado pela chuva que cai incessantemente, conduz a plateia numa viagem psicadélica de cerca de uma hora. No domingo, ajudados pela melhoria no tempo, os Fat White Family enchem a tenda The Shacklewell Arms e impedem quem os ouve de ficar quieto.

Mas, claro, o ponto mais alto de ambos os dias do festival acontece quando os dois cabeças de cartaz sobem ao palco principal. No sábado, James Blake, que lançou recentemente o álbum The Colour in Anything, prova àqueles que duvidavam da sua capacidade de ser um bom “headliner” que a sua melancolia introspetiva pode deliciar ate mesmo os festivaleiros mais duros. O cantor revelou ainda, perante uma multidão encantada, que nada é melhor do que tocar na sua cidade natal.

No domingo, PJ Harvey, acompanhada pelos relâmpagos que enchem os céus do este de Londres, leva os fãs ao êxtase, primeiro com canções do seu novo álbum, The Hope Six Demolition Project, e, por fim, com músicas mais energéticas fruto dos seus vinte e cinco anos de carreira. Durante todo o concerto, a cantora britânica dança de forma bastante teatral, criando um espetáculo inesquecível.

As únicas desilusões foram The Avalanches e Yeasayer. Os primeiros, um grupo australiano de musica electrónica, falham na capacidade de se entregarem ao público: pouco ritmo, pausas longas e uma quase inexistente interação com os fãs são as maiores críticas apontadas. Os segundos, uma banda nova iorquina de rock experimental, não correspondem às elevadas expectativas da plateia. Depois do sucesso que foi o seu mais recente álbum Amen&Goodbye, esperava-se uma maior musicalidade e garra na voz e nos instrumentos.

Mas – e como o festival não se faz só de música – não faltou entretenimento a quem visitou o evento. Os festivaleiros eram convidados a participar em desafios como “comer o maior número de cenouras no menor tempo possível” ou o famoso e tradicional bowling. Para recuperar a energia perdida entre os concertos e os diversos passatempos, as estações de reabastecimento eram muitas: comidas de todo o mundo – desde Itália à Índia, passando pelos pastéis de nata portugueses, ou opções vegetarianas e vegan, como as famosas Buddha Bowls.

O Field Day Festival, que celebrou em 2016 a sua décima edição, promete regressar no próximo ano. Desta vez, com menos chuva – esperamos nós.

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