NOS Primavera Sound dia 10 8
Mariana Gomes

Entrevista a White Haus: “PJ Harvey é uma cool lady”

Antes do concerto dos White Haus no NOS Primavera Sound, o frontman da banda esteve à conversa com o Espalha-Factos. João Vieira falou das expectativas para o concerto, do amor declarado por PJ Harvey e sobre se um artista deve cantar em português ou inglês.

Espalha-Factos (EF): De que é estás à espera de um público, principalmente de um público que está tão cheio de…

João Vieira (WH): De me ouvir (risos).

EF: … um público que está tão cheio de estrangeiros e de malta que não é portuguesa?

WH: Eu acho que este festival realmente tem esse lado muito importante. É um festival em que as pessoas vêm muito pelo cartaz. São nomes que normalmente não vão a outros festivais, aqui arrisca-se um bocadinho mais no lado alternativo e também tem grandes nomes: PJ HarveyBrian Wilson… Por isso é muito importante tocar aqui para chegar realmente a outro público, e é muito difícil chegar-lhes de outra forma. Embora hoje com a internet [haja mais possibilidade], mas continua a ser muito complicado. E acho que este projeto também funciona muito bem ao vivo. As pessoas que viram ao vivo, já ouviram o disco com outra atenção. É uma coisa que funciona bem, tem um lado muito diferente, as músicas foram adaptadas para serem tocadas ao vivo e para terem força e energia, criarem um ambiente diferente do disco.

EF: Falaste na PJ Harvey. Se pudesses pegar num ou dois artistas deste cartaz e fazer uma colaboração com eles, quem seriam?

WH: Olha, eu mudei de ideias porque ontem [primeiro dia de NOS Primavera Sound] vinha com expectativas para ver U. S. Girls porque adoro o disco e achei o concerto mesmo fraco (risos), ao ponto de já não querer comprar o disco. Porque achei que [era a mentalidade de] vens tocar a um festival, a um palco grande, e trazes um mp3 e pronto, foi uma desilusão. Se tivesse de escolher uma pessoa acho que seria a PJ Harvey. É uma cool lady.

White Haus no NOS Primavera Sound 2016
White Haus no NOS Primavera Sound 2016

EF: Vais tentar pegar no disco e vais transportá-lo para o palco ou vais tentar que ele soe de uma forma um pouco diferente?

NOS Primavera Sound dia 10 4
João Doce, um dos artistas que acompanhou os White Haus

WH: O novo disco, que vai sair este ano e do qual já vou tocar alguns temas hoje, já é um disco muito diferente em termos de produção do primeiro. O primeiro é um disco de estúdio, fechado no meu estúdio caseiro. Este já é um estúdio a sério com quase todos os músicos que tocam comigo já a participarem comigo no disco. Já houve uma intervenção maior do grupo que faz com que o projeto deixe de ser uma coisa tão a solo e comece a funcionar mais como banda. Eles próprios já se sentem mais dentro do projeto, isso é importante para mim porque há outro entusiasmo.

EF: E como é que um artista se sente a fazer o aquecimento para o Primavera nas Virtudes, e depois a vir tocar ao festival?

WH: Eu estava com um bocado de receio porque achei que as pessoas iam-se passar um bocado, começar a fazer posts polémicos no Facebook tipo “ei, este gajo vai a todos e não sei quê” (risos). Mas são dois projetos completamente diferentes. Um é fora do festival, muita gente que estava nas Virtudes se calhar veio ao festival mas muita gente não veio. Acho também que muita gente não sabe que eu faço parte dos dois projetos. Se calhar conhecem White Haus e até já ouviram na rádio e acham piada, mas não sabem que sou eu. E são coisas muito diferentes. X-Wife é uma banda de carreira, com muitos singles, muitos álbuns editados. É uma banda também que está numa fase em que toca concertos só muito especiais – fizemos o Paredes de Coura, o NOS Alive, a Casa da Música, agora as Virtudes. Somos uma banda especial que as pessoas têm vontade de ver e têm sempre receio que qualquer dia os X-Wife acabem e não viram. É uma banda que temos muita gente sempre a dizer “quando é que vêm tocar aqui?”.

EF: O Vitorino aqui há uns anos foi muito criticado pelos artistas portugueses porque ele disse que “quando um português canta em inglês fica tristemente ridículo”. O que é que tu achas disso?

WH: Não acho nada. Acho que o Vitorino tem a cena dele, eu tenho a minha. Estou pouco preocupado porque acho que as pessoas que gostam daquilo que faço também não devem gostar do Vitorino. Mas não é uma coisa que me chateie, acho que hoje em dia tem de se acabar com esses preconceitos do que é português e do que não é português. Hoje em dia a música é universal. Tu estás a ouvir os Tame Impala e se calhar se fores perguntar às pessoas de onde eles são, a maior parte das pessoas não sabe que eles são da Austrália.

EF: Os próprios Sigur Rós cantam em islandês.

WH: Sim! E as pessoas não sabem. Hoje em dia isso não conta. Olha os ABBA. Cantavam em inglês e eram suecos, foi a maior exportação musical da Suécia. São coisas que hoje em dia não fazem sentido. O importante é cada um fazer aquilo que quer e de que gosta, e se o faz bem ou se o faz mal o importante é não sentir-se obrigado – eu não me sinto obrigado – a cantar em português. Por isso, se ele se sente bem a cantar em português ou em inglês isso é lá com ele. Eu não me preocupo muito com o que as outras pessoas pensam nem acho que as pessoas se deviam preocupar.

EF: Achas que a tua primeira música em português podia ser com o Vitorino?

WH: Acho que não (risos). Acho que não devemos ter muitas referências em comum.

NOS Primavera Sound dia 10 11
A outra metade das vozes em palco

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